
Veja abaixo um pequeno comentário sobre usos e costumes, no contexto assembleiano, escrito pelo teólogo Esdras Costa Bentho. É um comentário muito bom:
1. Consideração institucional. A respeito da preservação dos costumes e tradições históricas da AD, a igreja caminha para o diálogo entre as lideranças nacionais, a fim de que a AD não se torne cada vez mais uma instituição religiosa heterogênea e pulverizada. É, por exemplo, o que pretendeu o 5º ELAD (Encontro de Líderes das Assembléias de Deus), realizado na cidade de São Paulo (SP), em janeiro de 1994. Apesar da fluente e convincente exposição do Pr. Antônio Gilberto sobre “Doutrina, Usos e Costumes”, solicitando a todos os presentes equilíbrio para que se evite cair no sectarismo, farisaísmo e exclusivismo, o pastor José Wellington Bezerra da Costa, sugeriu que a Mesa Diretora da CGADB fizesse publicar mais uma vez no Mensageiro da Paz, a resolução aprovada pela AGO realizada em Santo André, SP, em 1975, que trata do assunto de usos e costumes nas Assembléias de Deus e o uso da televisão, que também havia sido item de discussão no 5º ELAD. A razão para que o presidente da CGADB tomasse essa decisão era porque, como afirmou, certo periódico, “o ELAD não têm caráter decisório”. Entretanto, o próprio, Presidente, Pr. José Wellington B. Costa, compreendendo que se tratava de uma decisão difícil de ser tomada e, ao mesmo tempo discernindo a pressão interna na AD entre a nova geração de pastores e os discípulos dos pioneiros, afirmara na 32ª AGO, realizado em Salvador, BA :“Lutaremos para a manutenção das doutrinas básicas e dos bons costumes que têm caracterizado as Assembléias de Deus. Creio ser possível unir o entusiasmo dos mais jovens à experiência dos mais velhos, sem que a transição mude o perfil da Assembléia de Deus no Brasil, que em sua essência, é uma igreja conservadora em que prima pela ortodoxia doutrinária”.
2. Consideração sociológica. No limítrofe de nossas perquirições, torna-se necessário ressaltar que o costume que compõe a tradição da AD, são chamados de folkways, ou seja, “modos do povo” ou “ usos do povo”. Essa forma de costume é traduzido no modo de agir dos indivíduos, formas de conduta, entre eles estão: os modos de se saudarem; as maneiras de se alimentarem; o estilo das construções; os maneirismos de linguagem; o uso de colares, gravatas e outros enfeites. Segundo os sociólogos, essa forma de costume é variável sem que qualquer autoridade constituída os imponha, são relativos e podem ser mudados pela próxima geração. Já os costumes chamados pelos sociólogos de mores são aqueles que surgem sempre de uma necessidade ou problema que uma sociedade ou certos indivíduos enfrentam, estão relacionadas aos aspectos morais e éticos. Os costumes (mores) são maneiras de agir mas prezadas, mantidas com tenacidade e consideradas essenciais ao grupo ou à sociedade, como por exemplo: enterrar os mortos; o dever dos pais na criação dos filhos; e o uso de roupas. Isto posto, as duas espécies de costumes concorrem para o bem estar da sociedade. No entanto, os folkways não trazem qualquer tipo de prejuízo ou escândalo à sociedade, diferente dos mores. Alguém que use um relógio no tornozelo (folkways) não traz qualquer prejuízo à sociedade, ainda que seja considerado excêntrico, mas andar despido (mores) é outra história.
Esdras Costa Bentho é pedagogo, teólogo, escritor, professor universitário (FAECAD-RJ) e redator das Lições de Jovens e Adultos da CPAD.
Leia o meu texto sobre "doutrina, usos e costumes" no Blog Teologia Pentecostal