Membros da Frente Parlamentar Evangélica e líderes evangélicos nacionais pediram ao presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, mudanças no projeto de lei da Câmara (PLC 122/06) que tipifica o crime de discriminação e preconceito contra os homossexuais. Na avaliação dos evangélicos, o projeto não deve ser aprovado na versão atual, pois fomentaria o preconceito.
- Nós, da comunidade evangélica, queremos ter a oportunidade de debater esse projeto amplamente, de forma transparente, para que cheguemos, junto com os homossexuais, a uma conclusão para barrar no Brasil todo e qualquer tipo de discriminação - disse o pastor Ronaldo Fonseca, da Assembléia de Deus.
Segundo explicou, o projeto impede a livre expressão do pensamento, na medida em que define como crime a manifestação pública de opiniões contrárias ao homossexualismo.
- A igreja, por exemplo, é um local público. Um pastor não poderá dizer que o homossexualismo é pecado utilizando a Bíblia. É um projeto bem intencionado, mas, se passar, vai acabar discriminando um outro segmento da sociedade - advertiu o pastor, sustentando que os evangélicos não pregam a homofobia.
- Nós pregamos o exemplo de Cristo, que é amor, respeito ao próximo. O que condenamos é a prática do pecado. Ensinamos que o homossexual deve ser respeitado e amado pela sociedade. Pleiteamos que o projeto conserve o que diz respeito à discriminação e ao combate à violência contra os homossexuais - esclareceu.
Desde 2006, quando o projeto começou a tramitar no Senado, as mudanças pleiteadas pela comunidade evangélica têm sido defendidas pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que considera a proposição inconstitucional.
A matéria é relatada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) pela senadora Fátima Cleide (PT-RO), que também foi relatora da matéria na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
Fonte: Raíssa Abreu / Agência Senado
Comentário: Que a Frente Parlamentar Evangélica possa demorar menos para agir em leis absurdas como a "Lei da Homofobia". A atuação da FPE é ainda fraca nesses assuntos e marcada por escândalos.
terça-feira, 29 de abril de 2008
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Sentimento religioso é maior que a prática
Santos é uma cidade com dose grande de religiosidade, com baixo percentual de ateus, mas com um comprometimento com a prática que não acompanha o alto índice dos que dizem ter religião.
Essa é a avaliação do cientista político Alcindo Gonçalves, coordenador do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) sobre a pesquisa, publicada na edição de ontem, que mostra que católicos são maioria entre santistas (60,4% dos fiéis), mas que maior parte deles não acompanha a orientação do Vaticano em relação a assuntos-chave como o uso de preservativos (92,1% aprovam seu uso), nas pesquisas com células-tronco (68,3% de aprovação) e aborto (47% aprovam nos termos da lei e 12,7% aprovam incondicionalmente).
Entre os pontos destacados pelo especialista está, ainda, a constatação de que os evangélicos têm perfil mais conservador que outras religiões. É nesse segmento, por exemplo, que se encontra o maior número de contrários ao aborto: 56,7% dos tradicionais e 52,5% dos pentecostais.
Com relação às células-tronco, 40% dos pentecostais reprovam as pesquisas contra 26% dos evangélicos tradicionais. Quando o assunto é a camisinha, entretanto, há divisão: pentecostais aprovam com 97,5% e tradicionais são os campeões de rejeição ao uso do preservativo, com 18,3% de fiéis contrários à prática.
O coordenador do IPAT ressalta, ainda, uma característica peculiar de Santos, o alto número de seguidores do espiritismo de Allan Kardek, que são 11,3% dos santistas e só ficam atrás, em número de seguidores, dos católicos. ‘‘Esses números não encontram correspondência em outras cidades e o perfil dos kardecistas deve ser destacado por ser o de maior escolaridade e o de renda mais alta entre os pesquisados. É um grupo importante’’.
Participação política
A presença maior de políticos ligados ao ramo pentecostal dos evangélicos, em relação a outras práticas religiosas, é confirmada pela pesquisa. Eles são o único grupo pesquisado cuja maioria acha que a religião deve participar e influir em problemas políticos e sociais. Para 52,5% dos pentecostais, isso é importante, contra 34,5% dos católicos, 33,3% dos evangélicos tradicionais e 18,8% dos espíritas kardecistas.
‘‘É por conta dessa preocupação maior que vemos tantas lideranças políticas cuja atuação é balizada essencialmente pela religião, como o senador Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus, que é candidato a prefeito do Rio de Janeiro’’, lembra Alcindo Gonçalves.
Lógica
Com posição idêntica à maioria da população, o médico Condesmar Marcondes não tem dúvidas de que os resultados da pesquisa IPAT mostram que os santistas estão usando a lógica ao apoiar maciçamente a continuidade das pesquisas com células-tronco no Brasil.
‘‘Os católicos geralmente desgarram de posições retrógradas da Igreja, como essa questão das células-tronco e também com relação à adoção de métodos anticoncepcionais, já que o Vaticano condena qualquer um deles e orienta seus fiéis a não utilizá-los’’.
O especialista tem certeza de que a pesquisa com células-tronco embrionárias — e não as adultas — deve se mostrar a solução ideal para uma série de doenças. Mas, para que se chegue à cura, é preciso que as pesquisas continuem. ‘‘Sou da opinião que utilizar as células-tronco não significa destruir uma vida e sim salvar várias’’.
A opinião popular, diz ele, deve prevalecer e o Supremo Tribunal Federal refletirá em breve o desejo dos brasileiros, autorizando a continuidade das pesquisas. ‘‘A amarração é um ministro ligado à Igreja, que está emperrando o andamento do processo mas a perspectiva é positiva’’.
De fato o STF está sinalizando com uma solução breve da questão. Seu novo presidente, o ministro Gilmar Mendes, declarou em sua posse, na última quarta-feira, que o julgamento da liberação das pesquisas deve ser retomado em maio e pode ser concluído ainda neste primeiro semestre. O julgamento foi interrompido em março devido a um pedido de vista do processo feito pelo ministro Carlos Alberto Menezes.
Fonte: A Tribuna On-Line.
Meus comentários: As pesquisam continuam afirmando o crescimento numérico, e não qualitativo, da comunidade evangélica.
Em relação às células-tronco embrionárias como solução mais eficaz do que as células-tronco adultas, não passam de especulações sem base científica.
Essa é a avaliação do cientista político Alcindo Gonçalves, coordenador do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) sobre a pesquisa, publicada na edição de ontem, que mostra que católicos são maioria entre santistas (60,4% dos fiéis), mas que maior parte deles não acompanha a orientação do Vaticano em relação a assuntos-chave como o uso de preservativos (92,1% aprovam seu uso), nas pesquisas com células-tronco (68,3% de aprovação) e aborto (47% aprovam nos termos da lei e 12,7% aprovam incondicionalmente).
Entre os pontos destacados pelo especialista está, ainda, a constatação de que os evangélicos têm perfil mais conservador que outras religiões. É nesse segmento, por exemplo, que se encontra o maior número de contrários ao aborto: 56,7% dos tradicionais e 52,5% dos pentecostais.
Com relação às células-tronco, 40% dos pentecostais reprovam as pesquisas contra 26% dos evangélicos tradicionais. Quando o assunto é a camisinha, entretanto, há divisão: pentecostais aprovam com 97,5% e tradicionais são os campeões de rejeição ao uso do preservativo, com 18,3% de fiéis contrários à prática.
O coordenador do IPAT ressalta, ainda, uma característica peculiar de Santos, o alto número de seguidores do espiritismo de Allan Kardek, que são 11,3% dos santistas e só ficam atrás, em número de seguidores, dos católicos. ‘‘Esses números não encontram correspondência em outras cidades e o perfil dos kardecistas deve ser destacado por ser o de maior escolaridade e o de renda mais alta entre os pesquisados. É um grupo importante’’.
Participação política
A presença maior de políticos ligados ao ramo pentecostal dos evangélicos, em relação a outras práticas religiosas, é confirmada pela pesquisa. Eles são o único grupo pesquisado cuja maioria acha que a religião deve participar e influir em problemas políticos e sociais. Para 52,5% dos pentecostais, isso é importante, contra 34,5% dos católicos, 33,3% dos evangélicos tradicionais e 18,8% dos espíritas kardecistas.
‘‘É por conta dessa preocupação maior que vemos tantas lideranças políticas cuja atuação é balizada essencialmente pela religião, como o senador Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus, que é candidato a prefeito do Rio de Janeiro’’, lembra Alcindo Gonçalves.
Lógica
Com posição idêntica à maioria da população, o médico Condesmar Marcondes não tem dúvidas de que os resultados da pesquisa IPAT mostram que os santistas estão usando a lógica ao apoiar maciçamente a continuidade das pesquisas com células-tronco no Brasil.
‘‘Os católicos geralmente desgarram de posições retrógradas da Igreja, como essa questão das células-tronco e também com relação à adoção de métodos anticoncepcionais, já que o Vaticano condena qualquer um deles e orienta seus fiéis a não utilizá-los’’.
O especialista tem certeza de que a pesquisa com células-tronco embrionárias — e não as adultas — deve se mostrar a solução ideal para uma série de doenças. Mas, para que se chegue à cura, é preciso que as pesquisas continuem. ‘‘Sou da opinião que utilizar as células-tronco não significa destruir uma vida e sim salvar várias’’.
A opinião popular, diz ele, deve prevalecer e o Supremo Tribunal Federal refletirá em breve o desejo dos brasileiros, autorizando a continuidade das pesquisas. ‘‘A amarração é um ministro ligado à Igreja, que está emperrando o andamento do processo mas a perspectiva é positiva’’.
De fato o STF está sinalizando com uma solução breve da questão. Seu novo presidente, o ministro Gilmar Mendes, declarou em sua posse, na última quarta-feira, que o julgamento da liberação das pesquisas deve ser retomado em maio e pode ser concluído ainda neste primeiro semestre. O julgamento foi interrompido em março devido a um pedido de vista do processo feito pelo ministro Carlos Alberto Menezes.
Fonte: A Tribuna On-Line.
Meus comentários: As pesquisam continuam afirmando o crescimento numérico, e não qualitativo, da comunidade evangélica.
Em relação às células-tronco embrionárias como solução mais eficaz do que as células-tronco adultas, não passam de especulações sem base científica.
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
quinta-feira, 24 de abril de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
A Bíblia contra “idéia dos crentes” por Luiz Sayão
Um dos grandes identificadores dos evangélicos, ou do "povo crente", como dizem alguns, é a sua apreciação pela Bíblia. Houve até mesmo época quando os conhecidos crentes eram chamados de "bíblias". No entanto, apesar da tradição que vincula os evangélicos à Bíblia, será que essa realidade é verificável? Surpreendentemente, parece que grande parte da tradição evangélica nada tem a ver com o estudo sério das Escrituras.
Muitas idéias e práticas sagradas e supostamente bíblicas têm outras origens: a cultura norte-americana, brasileira, européia, africana etc. Certa ocasião, fiquei atônito quando tentei compartilhar o Evangelho com um homem numa viagem de ônibus. Ele, ao perceber minha linha de pensamento, perguntou: "Você é crente?". E prosseguiu: "Mas é crente mesmo?". Confuso, respondi: "Sim". E, mais do que depressa, ele disse, com firmeza: "Você bebe café?". Sem entender, respondi afirmativamente, e, então, esboçando largo sorriso, o homem reverberou: "Então não é! Porque o crente que é crente mesmo, nem café bebe!" Perplexo, fiquei a pensar que tipo de Evangelho se divulga em nossos dias! O cristianismo de alguém é avaliado pelo café ingerido?!
Durante muito tempo envolvido com a área da literatura, principalmente a teológica e acadêmica, posso atestar que o tipo de livro menos procurado pelo mercado evangélico chama-se "comentário bíblico". Apesar de termos cerca de meio milhão de pastores e líderes no Brasil, parece que a maioria deles não entende que o estudo aprofundado da Bíblia é tarefa urgente e indispensável.
Esse distanciamento das Escrituras, presente no meio evangélico, tem facilitado o surgimento de outras tradições, marcadas por idéias e costumes que levam a comunidade para uma outra direção, para longe de uma teologia fundamentada na Bíblia.
Infelizmente – é verdade –, há muita "idéia de crente" que é contra a Palavra de Deus. Não faz tanto tempo assim, numa comunidade cristã ouvi uma multidão aplaudir a seguinte frase enfatizada por um de seus líderes: "Deus precisa de você". O discurso prosseguiu sugerindo que Deus nada poderia fazer sem a atuação humana. Que tipo de Deus é esse? Pode ser de algum grupo evangélico! Mas não é bíblico! Afinal, como lemos em Atos 10.25 e 26, Deus, por definição, não precisa de nada: "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor dos céus e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas".
Em muitos cultos evangélicos é comum ouvir o povo agradecer a Deus por estar reunido na "casa do Senhor". A idéia particular dos crentes até existe nas Escrituras, só que não no cristianismo do Novo Testamento. Havia um tabernáculo e um templo no Antigo Testamento. Mas Jesus mudou o enfoque, afirmando que Deus não está restrito a templos. A verdade é que Deus não habita no prédio da igreja! Em João 4, a mulher samaritana queria saber se Deus dava prioridade a Jerusalém ou a Samaria como "casa de Deus". Jesus deixa claro que a adoração deve ser em espírito e em verdade (Jo 4.23). O Novo Testamento, ao contrário dos crentes, ensina que a casa de Deus somos nós, onde o Espírito Santo habita. Em 1 Pedro 2.5 descobrimos que somos "as pedras vivas" e "a casa espiritual".
Outra tradição evangélica, que assusta até descrentes, é que para Deus "não há pecadinho nem pecadão". Todos os pecados são iguais para Deus! É possível imaginar que um canibal e um pedófilo assassino sejam equiparados a quem não ora sem cessar (1Ts 5.17)? É absurdo! É provável que a má interpretação tenha surgido de Tiago 2.10, que afirma que "quem tropeça num só ponto da lei é culpado de todos". Na verdade, o texto apenas nos mostra que apenas um pecado é suficiente para nos deixar numa condição de pecadores perante Deus. Como Deus é santo, um simples pecado nos classifica como condenáveis. No entanto, isso não quer dizer que todos os pecados são iguais. Em João 19.11, Jesus diz a Pilatos que aquele que o havia entregado a Pilatos tinha "maior pecado". O texto é explícito! A própria Bíblia faz diferença entre pecado e abominação (algo detestável, repugnante), como vemos em Levítico 18.22.
ERROS "INOFENSIVOS"
No quadro de avisos de alguns templos evangélicos não é difícil encontrar a seguinte frase: "Muita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder". Apesar do impacto do refrão, devemos perguntar: "Onde vemos isso na Bíblia"? Poderíamos fazer um gráfico estatístico e matemático da oração e estabelecer sua performance? É irônico. Jonas, o profeta que foi usado para trazer o despertamento de Nínive, aparentemente não fez nenhuma oração! Deus é soberano! Ele faz como quer. Certamente, muitos irão dizer que nosso padrão deve ser Elias. Jonas é exceção! Voltemos à Bíblia. Desde quando as orações de Elias funcionaram pela quantidade? Jesus criticou a repetição de orações (Mt 6.7), e em Tiago 5, onde Elias é mencionado, sua oração não é "muita", mas fervorosa (v. 17). O texto enfatiza que a oração que funciona é a de um "justo" (v. 16), e isso não tem a ver com "quantidade".
Estes são apenas alguns exemplos de tradições evangélicas não fundamentadas nas Escrituras. O problema é que esses erros "inofensivos" acabam nos afastando do que importa e nos levando a perder tempo com coisas desnecessárias e secundárias. Temos a doutrina do sábado, da gravata, do paletó, da unção etc. Corremos o risco de criarmos tradições humanas que tomam o lugar da Palavra de Deus (Mc 7.9). Hoje, quando se fala em cristão evangélico, imaginamos que se trata de uma pessoa sem vícios, que não bebe, não fuma, não dança, não joga etc. Ora, ninguém precisa ser cristão para viver assim. Há ateus que não fumam nem bebem. Isso não é questão de espiritualidade, mas sim de inteligência! Estamos criando uma caricatura do Evangelho. Ao contrário, Deus deseja pessoas salvas por Cristo, misericordiosas, justas, incorruptíveis, dispostas a perdoar e capazes de amar.
Parece que os profetas enfrentaram algo semelhante em sua época. Ainda hoje, as santas palavras de Miquéias ecoam bem alto: "Com que eu poderia comparecer diante do Senhor e curvar-me perante o Deus exaltado? Deveria oferecer holocaustos de bezerros de um ano? Ficaria o Senhor satisfeito com milhares de carneiros, com dez mil ribeiros de azeite? Devo oferecer o meu filho mais velho por causa da minha transgressão, o fruto do meu corpo por causa do pecado que eu cometi? Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente com o seu Deus" (Mq 6.6-8–NVI).
Muitas idéias e práticas sagradas e supostamente bíblicas têm outras origens: a cultura norte-americana, brasileira, européia, africana etc. Certa ocasião, fiquei atônito quando tentei compartilhar o Evangelho com um homem numa viagem de ônibus. Ele, ao perceber minha linha de pensamento, perguntou: "Você é crente?". E prosseguiu: "Mas é crente mesmo?". Confuso, respondi: "Sim". E, mais do que depressa, ele disse, com firmeza: "Você bebe café?". Sem entender, respondi afirmativamente, e, então, esboçando largo sorriso, o homem reverberou: "Então não é! Porque o crente que é crente mesmo, nem café bebe!" Perplexo, fiquei a pensar que tipo de Evangelho se divulga em nossos dias! O cristianismo de alguém é avaliado pelo café ingerido?!
Durante muito tempo envolvido com a área da literatura, principalmente a teológica e acadêmica, posso atestar que o tipo de livro menos procurado pelo mercado evangélico chama-se "comentário bíblico". Apesar de termos cerca de meio milhão de pastores e líderes no Brasil, parece que a maioria deles não entende que o estudo aprofundado da Bíblia é tarefa urgente e indispensável.
Esse distanciamento das Escrituras, presente no meio evangélico, tem facilitado o surgimento de outras tradições, marcadas por idéias e costumes que levam a comunidade para uma outra direção, para longe de uma teologia fundamentada na Bíblia.
Infelizmente – é verdade –, há muita "idéia de crente" que é contra a Palavra de Deus. Não faz tanto tempo assim, numa comunidade cristã ouvi uma multidão aplaudir a seguinte frase enfatizada por um de seus líderes: "Deus precisa de você". O discurso prosseguiu sugerindo que Deus nada poderia fazer sem a atuação humana. Que tipo de Deus é esse? Pode ser de algum grupo evangélico! Mas não é bíblico! Afinal, como lemos em Atos 10.25 e 26, Deus, por definição, não precisa de nada: "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor dos céus e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas".
Em muitos cultos evangélicos é comum ouvir o povo agradecer a Deus por estar reunido na "casa do Senhor". A idéia particular dos crentes até existe nas Escrituras, só que não no cristianismo do Novo Testamento. Havia um tabernáculo e um templo no Antigo Testamento. Mas Jesus mudou o enfoque, afirmando que Deus não está restrito a templos. A verdade é que Deus não habita no prédio da igreja! Em João 4, a mulher samaritana queria saber se Deus dava prioridade a Jerusalém ou a Samaria como "casa de Deus". Jesus deixa claro que a adoração deve ser em espírito e em verdade (Jo 4.23). O Novo Testamento, ao contrário dos crentes, ensina que a casa de Deus somos nós, onde o Espírito Santo habita. Em 1 Pedro 2.5 descobrimos que somos "as pedras vivas" e "a casa espiritual".
Outra tradição evangélica, que assusta até descrentes, é que para Deus "não há pecadinho nem pecadão". Todos os pecados são iguais para Deus! É possível imaginar que um canibal e um pedófilo assassino sejam equiparados a quem não ora sem cessar (1Ts 5.17)? É absurdo! É provável que a má interpretação tenha surgido de Tiago 2.10, que afirma que "quem tropeça num só ponto da lei é culpado de todos". Na verdade, o texto apenas nos mostra que apenas um pecado é suficiente para nos deixar numa condição de pecadores perante Deus. Como Deus é santo, um simples pecado nos classifica como condenáveis. No entanto, isso não quer dizer que todos os pecados são iguais. Em João 19.11, Jesus diz a Pilatos que aquele que o havia entregado a Pilatos tinha "maior pecado". O texto é explícito! A própria Bíblia faz diferença entre pecado e abominação (algo detestável, repugnante), como vemos em Levítico 18.22.
ERROS "INOFENSIVOS"
No quadro de avisos de alguns templos evangélicos não é difícil encontrar a seguinte frase: "Muita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder". Apesar do impacto do refrão, devemos perguntar: "Onde vemos isso na Bíblia"? Poderíamos fazer um gráfico estatístico e matemático da oração e estabelecer sua performance? É irônico. Jonas, o profeta que foi usado para trazer o despertamento de Nínive, aparentemente não fez nenhuma oração! Deus é soberano! Ele faz como quer. Certamente, muitos irão dizer que nosso padrão deve ser Elias. Jonas é exceção! Voltemos à Bíblia. Desde quando as orações de Elias funcionaram pela quantidade? Jesus criticou a repetição de orações (Mt 6.7), e em Tiago 5, onde Elias é mencionado, sua oração não é "muita", mas fervorosa (v. 17). O texto enfatiza que a oração que funciona é a de um "justo" (v. 16), e isso não tem a ver com "quantidade".
Estes são apenas alguns exemplos de tradições evangélicas não fundamentadas nas Escrituras. O problema é que esses erros "inofensivos" acabam nos afastando do que importa e nos levando a perder tempo com coisas desnecessárias e secundárias. Temos a doutrina do sábado, da gravata, do paletó, da unção etc. Corremos o risco de criarmos tradições humanas que tomam o lugar da Palavra de Deus (Mc 7.9). Hoje, quando se fala em cristão evangélico, imaginamos que se trata de uma pessoa sem vícios, que não bebe, não fuma, não dança, não joga etc. Ora, ninguém precisa ser cristão para viver assim. Há ateus que não fumam nem bebem. Isso não é questão de espiritualidade, mas sim de inteligência! Estamos criando uma caricatura do Evangelho. Ao contrário, Deus deseja pessoas salvas por Cristo, misericordiosas, justas, incorruptíveis, dispostas a perdoar e capazes de amar.
Parece que os profetas enfrentaram algo semelhante em sua época. Ainda hoje, as santas palavras de Miquéias ecoam bem alto: "Com que eu poderia comparecer diante do Senhor e curvar-me perante o Deus exaltado? Deveria oferecer holocaustos de bezerros de um ano? Ficaria o Senhor satisfeito com milhares de carneiros, com dez mil ribeiros de azeite? Devo oferecer o meu filho mais velho por causa da minha transgressão, o fruto do meu corpo por causa do pecado que eu cometi? Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente com o seu Deus" (Mq 6.6-8–NVI).
domingo, 20 de abril de 2008
Nietzsche e Dawkins, religião com ateísmo
Relações e diferenças entre dois críticos do sistema religioso no Ocidente.
I. Introdução
O texto abordará a relação e a diferença existentes entre dois pensadores polêmicos: Friedrich Nietzsche e Richard Dawkins. Um propagou a “morte de Deus”, sendo a morte de um sistema; enquanto outra profetiza a morte da religião para se substituída pelo ateísmo. O ateísmo encontra apoio em ambos os pensadores, mas a relação desses pensadores com a religião é diferenciada.
II. Quem foi Friedrich Wilhelm Nietzsche?
Alemão, filho de pais protestantes teve sua infância marcada por traços da religião cristã. Descendente de pastores luteranos, seu avô Friedriche August ludwing Nietzsche (1756-1826) foi pastor e o seu pai Karl Ludwing, também exerceu o presbitério protestante, casando com a filha de um pastor, Franziska Oehler. Nietzsche, portanto, teve em sua infância laços com o protestantismo, porém não se pode determinar que tal o tenha influenciado.
Seu pai veio a falecer logo em 1849, não passando muito tempo em sua presença. Sua mãe passou a receber uma pensão, porém sem conseguir manter a família se viu em necessidade, optando por mudar para Naumburgo, cidade que detinha amigos e parentes para auxiliá-la. Em 1851 Nietzscshe começa a freqüentar escolas. Escolas porque não se enquadrava em nenhuma. Exibia tamanha competência, que sua mãe foi aconselhada a colocá-lo num estabelecimento mais aprimorado.
Nietzsche teve por contato a musica sacra (religiosa) interesse a se ‘musicalizar’. Sua intenção era tentar compor melodias tais como ícones da música clássica. Mozart, Schubert, Beethoven... etc. Em 1858 Nietzsche foi admitido como bolsista no colégio Real de Pforta. Nesse período a música já fazia parte do seu repertório de vida. Ao terminar seus estudos primários Nietzsche, alheio a vontade da mãe em vê-lo com formação de pastor protestante, foi estudar na universidade de Leipzig, para continuar seus estudos filológicos.
Na universidade Nietzsche se deparou com a obra que contribui na mudança de sua forma de pensar. Seria ela: “O mundo como vontade e representação” de Schopenhauer (1788-1860). Mal tinha 24 anos, Nietzsche foi convidado por intermédio de seu professor, a lecionar na Universidade da Basiléia, na Suíça.
Nesse período viu-se na necessidade de interromper sua cátedra para investir sua ajuda na guerra prussiana. Foi enfermeiro. Nesse período sua saúde começa a se debilitar. Em 1872 veio seu 1º livro: “O nascimento da tragédia a partir do espírito da musica” e em 1874 compôs ”o hino à amizade”.
Retornando da guerra, a seus afazeres em lecionar, Nietzsche começa a gradativamente ter sua saúde debilitada, culminando-se assim em sua dispensa. Em uma viagem a Roma, 1882, Nietzsche se apaixona por uma jovem russa. Pediu-a em casamento, más não obteve êxito. Em 1883 escreve a primeira parte de sua obra principal: “Assim falava Zaratrusta”. Terminou a obra em 1885. Em 1889 Nietzsche passa por um colapso do qual se obtém um diagnostico de paralisia progressiva. Em 25 de agosto de 1900 veio a falecer.
III. O Cristianismo para Nietzsche
O Cristianismo é interpretado por Nietzsche como uma forma de recuperar o sentimento de afirmação do homem. Algo que prende o homem,que lhe das respostas para “ sua vida”. Para assim deixá-lo presa,uma forma de alienação.
Tenta narrar com o “Anticristo” que o Cristianismo é a religião da fraqueza, assim, o cristianismo é visto como um mal a toda humanidade. Em “O Anticristo”, o autor revela mais claramente sua relação com tudo que é venerado em nome de Deus, considerando como absurda toda essa veneração, em uma negação de Deus como Deus.
O apóstolo Paulo é, para Nietzsche, o maior propagador dessa idéia de um Deus que confunde a verdade do mundo, apontando-o como motivado pelo sentimento de vingança e ressentimento, O pecado pelos cristãos, sendo que o cristianismo só vê amor nos motivos de Paulo.
A idéia de pecado, segundo o autor, é o que garante o domínio dos lideres religiosos sobre os fiéis, ou seja, o que impossibilita o crescimento racional do ser humano. Nietzsche é contra o que considera como antinatural,a repressão dos instintos por ele é considerada algo contra a natureza a própria natureza humana, sendo o pecado nada mais do que uma forma de reprimir o homem, visto pela religião como um grande mal.
E com o anticristo Nietzsche tenta mostrar que tudo pode começar novamente e daqui a diante nascer uma nova civilização, sem preceitos, Sem repressão, ou interferência cultural de uma religião repressiva totalmente voltada à alienação humana.
IV. Cristianismo e sua influência em outras culturas em Nietzsche
Cristianismo, Pátria do ressentimento
Para Nietzsche o cristianismo impedia a abertura de um caminho para a crítica dos valores estabelecidos em dois mil anos, propondo a inversão e a criação de novos valores, ou seja, a “transvaloração de valores”.
Nietzsche combatia o idealismo da metafísica platônica que transformara este mundo em algo inferior e ilusório em nome da “verdade” de um mundo ideal. O autor propunha uma não esperança de um plano metafísico após sua existência real, ou seja, uma vida sem sentimento de culpa da moral cristã.
O Novo Testamento ou o Evangelho prega Jesus Cristo como o grande salvador, ao contrário de Nietzsche que julga Jesus Cristo como uma pessoa boa de mais que implantou boas maneiras na sociedade. Sobre Cristo, Nietzsche afirma que “O Evangelho morreu na cruz”, onde segundo o autor só existiria um cristão autêntico, o próprio Cristo.
Mas afinal, a grande critica de nosso autor foi a Paulo, o apóstolo. Nietzsche combate e o denomina como fundador da igreja Cristã, e não Cristo. Segundo Nietzsche, Paulo foi o responsável por manipular a herança de Cristo, da vida pautada numa inocência em uma religião de culpa, idéia mercantil de débito e crédito.
Quem é Paulo para Nietzsche? Aquele que subverteu a prática de Cristo e a converteu em outro tipo de “boa-nova” uma “má-nova” na verdade. Não bastasse isso, ainda conforme Nietzsche, Paulo é o inventor do além no cristianismo e a sua invenção foi a que venceu. Se antes o Reino de Deus não passava de um estado num coração bondoso, agora passará a ser algo para além da morte, numa outra realidade denominada de além-mundo. E as palavras de Paulo adaptaram a “boa-nova” para servir a toda uma hierarquia eclesiástica, repleta de regras apoiadas num moralismo decadente. Foi um verdadeiro disseminador da estrutura que fundamentava-se sob tudo o que Cristo teria combatido no farisaísmo. A lógica do farisaísmo que estava presente em Paulo era a mesma que havia levado Cristo para a crucificação. E o apóstolo foi longe demais, pois fez questão de uma casta sacerdotal agindo, tiranicamente, sobre um rebanho.
Paulo, oficial do Império Romano, junta seu lado legalista da tradição judaica com o helenismo, instituindo o platonismo para o povo. Se Jesus Cristo não tinha a intenção de uma igreja institucionalizada, tanto que foi condenado e crucificado, o mesmo não se pode afirmar de Paulo que fez de tudo para que o cristianismo se institucionalizasse.
A partir daí Paulo cria um novo Deus que não é o mesmo Deus de Jesus Cristo, pois em Cristo estava já o próprio Deus, que feria as instituições. Com este processo em andamento, o mundo assistia o surgimento da Igreja Católica Apostólica Romana.
Com a idéia de juízo final considerada pelo apóstolo, implantou-se o medo à vida terrena. A luta da alma contra o corpo, do outro mundo contra este mundo, ou seja, o dualismo platônico estava efetivado, transformando Jesus Cristo no salvador da humanidade.
Nietzsche é duro nas críticas que faz a Paulo, destacando-o como a negação da vida. E, a partir desses caracteres paulinos, todo cristão passa a ser um ressentido no olhar nietzscheano. Ele acaba considerando o Evangelho como problemático em sua própria gênese e como um divisor moral, no qual os cristãos se apegam para, com pouca modéstia, classificarem-se de “os eleitos”, a “comunidade”, os “bons e justos”, contra o restante do mundo. Paulo teria sido o responsável por esse delírio de grandeza.
O filósofo faz um alerta quanto à exegese desses escritos, pois há necessidade de interpretá-los com muito cuidado. Para ele, o Novo Testamento tem sua dificuldade expressa em cada uma de suas palavras. O exercício exegético de Nietzsche é muito diferenciado da teologia, pois não buscava por sentido apurado de textos para extrair as “verdades bíblicas”.
Enfim, com Paulo o cristianismo vingou e tornou-se decadente, não mais valiam as críticas aos rabinos, porque agora o cristianismo possuía os seus próprios sacerdotes, com todos os vícios que uma instituição é capaz de implantar entre os que a sustentam.
Nietzsche lê o cristianismo como automutilação. E, somente alguém carente de muito amor, é que poderia ter inventado Deus como puro amor. Por tal significado de Deus Amor, os cristãos são exatamente o seu contrário: seres de ódio, carentes e ressentidos.
Bem, com O Anticristo, pode-se perceber que o filósofo quer mesmo é combater uma visão deturpada do que são os valores da vida. Eis o motivo de ter posto este livro como ensaio de uma transvaloração de valores, alertando contra os teólogos em geral que uma leitura religiosa e, principalmente cristã, traz em seu bojo algo de distorcido e desonesto, por fornecer aos homens uma esperança no além, uma falsidade que, sorrateiramente, vai pegando a todos com palavras fortes como “Deus”, “salvação” e “eternidade”.
O Budismo
Sobre o budismo, Nietzsche afirma ser a religião do nada, na figura de Buda, o que se abdicou de tudo o que era humano. Contudo, ele predica que o budismo é ruim, mas salienta que o cristianismo é um mal ainda pior, pois tenta elevar os chandala (termo hinduísta para designar a casta inferior).
No budismo não existe um Deus como degenerescência da vida, do mundo. Nietzsche critica o budismo como religião baseada na vontade de nada, uma religião niilista, porém é uma religião em que a culpa não impera, por não trabalhar a partir de um “pecado original”, da teoria da culpa, do ressentimento. Nietzsche usa-se do budismo para desfechar golpes sobre o cristianismo. Segundo o filósofo, o budismo só prega a jovialidade, a calma e a ausência de desejos, enquanto o cristianismo traz a senilidade, o desespero e a ansiedade perante outro mundo. Porém a simpatia do Anticristo pelo budismo tem limites, pois a julga com uma religião niilista em vista da vida como vontade de potência. Somente que, para ele, o cristianismo é pior.
V. Leis contra o cristianismo formulada por Nietzsche
Por fim, Nietzsche propõe uma Lei contra o cristianismo: datando 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário, com “O Dia da Salvação”. Denominando de “Guerra de morte contra o vício”: o vício é o cristianismo:
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo.
Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.
Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.
Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.
Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.
Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.
VI. Quem é Clinton Richard Dawkins?
Richard Dawkins é um dos mais famosos cientistas da atualidade, sendo uma das principais vozes do neodarwinismo. Dawkins é professor de Public Understanding of Science (Compreensão pública da ciência) na Universidade de Oxford. Ele já publicou 8 livros, que já foram traduzidos em mais de 25 línguas, entre eles o best seller O Gene Egoísta, de 1976. Em entrevistas Dawkins afirma: "Meu grande sonho é a completa destruição de todas as religiões do mundo"[1].
Clinton Richard Dawkins nasceu no Quênia, em 1941, onde o seu pai servia ao exercito da Inglaterra na Segunda Guerra Mundial. Quando era estudante universitário em Oxford, recebeu a influência de Nikolaas Tinbergen, biólogo que ganhou o prêmio Nobel em 1973 pelo estudo pioneiro do comportamento animal. Em 1997 Dawkins ganhou o International Cosmos Prize e em 2001 o prêmio Kistler, além de ter sido eleito membro da Royal Society. Em 2005, foi considerado o maior intelectual britânico na revista esquerdista Prospect. Dawkins, juntamente com o seu colega norte-americano, Stephen Jay Gould, foram notáveis divulgadores da biologia evolucionista para leigos.
No livro O Gene Egoísta, Dawkins desenvolveu a teoria dos “genes egoístas”, como genes que governariam a “seleção natural”. No mesmo livro ele desenvolveu o conceito de “memes”, sendo genes que governam fenômenos culturais, idiomas, hábitos e religiões; sendo que a religião é um memoplexo, ou seja, conjunto de “memos”determinantes dessa tendência.
Como a maioria dos ingleses, Dawkins foi criado em um lar protestante, sendo membros da Igreja Anglicana. Dawkins “converte-se” ao ateísmo com 17 anos, quando se convenceu de que darwinismo era uma cosmovisão mais apropriada que o cristianismo.
VII. A obra polêmica de Dawkins
O livro The God Delusion(publicado em Setembro de 2006 nos Estados Unidos) foi lançado no Brasil em Agosto de 2007, pela editora Companhia das Letras com o título Deus, um delírio. São três, as principais argumentações do livro Deus, um delírio:
a) “A religião faz mais mal à humanidade”;
b) “ensinar religião às crianças é abuso”;
c) “Deus é...”(Nova conceituação dos atributos de Deus).
Além dos assuntos centrais, o livro Deus, um delírio é uma cartilha de combate da “Teoria do Design Inteligente”, que tem crescido na América do Norte como uma contraposição do Darwinismo. Recentemente o jornal liberal The New York Times publicou uma resenha de Dawkins que criticava o novo livro do bioquímico Michael Behe, um dos maiores defensores do Design Inteligente.
Nos últimos dois anos o livro Deus, um delírio não foi o único tratado com objetivo de “converter” pessoas ao ateísmo. Sam Harris e Daniel Dannett também escreveram obras no que foi denominado pela mídia de “Cruzada Ateísta”
VIII. Semelhanças entre Nietzsche e Dawkins
a) Ambos apresentam o extremo como centro.
Ambos os autores apresentam os extremos negativos, principalmente da cristandade, como algo normativo entre os religiosos e cristãos. Na obra O Anticristo Nietzsche critica o dualismo platônico no cristianismo onde uma vida ascética é valorizada, fazendo mal ao corpo e a dignidade humana. No dualismo na cristandade o espírito está acima do corpo, sendo assim, o corpo é desprezado pelo legalismo e práticas de subjugamento. Nietzsche escreveu: “ O cristianismo é conhecido como a religião da piedade. A piedade, porém, é deprimente, pois enfraquece as paixões revigorantes que aumentam a sensação de viver”[2] Nietzsche, porém, não recorda que o apóstolo Paulo, um dos objetos de sua crítica, escreveu contra o ascetismo, chamando esse modus vivendi de “doutrina de demônios” (Vide Carta aos Colossenses 3.16-23 e Epístola à Timóteo 4.1-5).
Richard Dawkins se comporta da mesma forma. Em todo a sua obra, Dawkins insiste que os religiosos são irracionais e não prontos para críticas. Ele escreve:
Se esse livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem. Quanto otimismo e quanto presunção! É claro que fiéis radicais são imunes a qualquer argumentação, com a resistência erguida por anos de doutrinação infantil executada com técnicas que levaram séculos para amadurecer.[3]
Portanto, pelo exposto por Dawkins, qualquer um que contestar o seu livro é um religiosos castrado de mente. Apresentar todo cristão ou religioso como alguém irracional é apresentar o patológico com normal. Dawkins desenvolve todo um capítulo falando sobre a violência dos religiosos, sendo que os religiosos violentos, mesmo entre os mais fervorosos é uma minoria, principalmente na sociedade Ocidental moldada pela religião judaica-cristã.
b) Ambos vêem Deus e sua religião como um carrasco para a humanidade.
Na retórica de ambos, Deus não é o Pai da misericórdia e nem Aquele que apresenta a plenitude de todos os atributos virtuosos, mas sim um ser sanguinário e intransigente. Nietzsche escreveu: “O antigo Deus (ou seja, o deus inventado pelo cristianismo) inventa a guerra, separa os povos, faz com que os homens se aniquilem reciprocamente”[4]. Mas Nietzsche vê esse Deus como distorção inventada pelos ditos “cristãos”, um deus das más-novas que precisa morrer!
Dawkins apresentam uma linguagem mais violenta para descrever Deus, baseado em suas leituras da Bíblia ele escreve:
O Deus do Antigo Testamento é talvez o personagem mais desagradável da ficção: ciumento, e com orgulho; controlador mesquinho, injusto e intransigente, genocida étnico e vingativo, sedente de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo.[5]
A religião é um mal para os dois pensadores, pois para Nietzsche a culpa é da institucionalização e para Dawkins a culpa está na busca da transcendência.
c) Ambos condenam o niilismo.
Nietzsche vê que no Cristianismo e no Budismo, o niilismo é um dos males intrínsecos. Esse niilismo é a descrença absoluta na vida e no prazer, onde segundo Nietzsche a religião reduz a essas sensações. Em Dawkins há a acusação de que muitos ateus, como passividade diante da religião, fazem o ateísmo uma opção sem muito atração. Em Dawkins, a “crença na crença” dos ateus não militantes é um mal para o próprio ateísmo.
IV. Diferenças fundamentais entre Nietzsche e Dawkins
1. Em um está a gênese da pós-modernidade e em outro está uma última estrela iluminista com o seu espírito moderno.
Nietzsche não foi um pregador de ateísmo, mas sim um crítico da cristandade e da moralidade cristã. Nietzsche não está propondo um verdade absoluta em troca de outra, mas sim contestado e demostrando sua angústias, de maneira forte e com discurso persuasivo. Nietzsche é um homem paradoxo falando do que pensa e não querente estabelecer novas partidos. A não-militância de Nietzsche fica bem clara nesse comentário sobre o ateísmo:
Não conheço o ateísmo em absoluto como resultado, ainda menos como um acontecimente marcante: em mim se compreende institivamente. Sou demasiado curioso, demasiado problemático, demasiado orgulhoso para me contentar com uma resposta grosseira. Deus é uma resposta grosseira, uma indelicadeza cotra nós pensadores- no fundo, nada mais é que uma proibição grosseira contra nós- Não devem pensar! [6]
Enquanto Nietzsche não tinha um espírito moderno de revolução, Dawkins é o contraposto. Na introdução de seu livro, Dawkins diz que não é um fundamentalista do ateísmo, mas acontece que isso só fica na introdução,pois no decorrer de todo o livro o seu fundamentalismo surgi com expressões preconceituosas e intolerantes aos religiosos. Quando Dawkins trata de assuntos teológicos fica claro a sua falta de intimidade com os livros de teologia e ainda faz diversas interpretações equivocadas da Bíblia, sem o esmero do exercício hermenêutico e exegético, e diz que os cristãos assim o fazem.
Dawkins acredita em uma grande verdade, e essa verdade é o ateísmo militante e conversionista.
b) Falta de discernimento entre “crença em Deus” de “religião”.
Nietzsche consegue uma distinção relativa de “religião” (cristianismo institucionalizado) e “crença em Deus” (Jesus, o único cristão), portanto Nietzsche via diferença entre o a cristandade de sua época e os evangelhos de um bom homem chamado Cristo.
Dawkins não faz essa distinção, mas confunde “religião” com “crença em Deus”. Dawkins, apesar de citar abundantemente a Bíblia, não cita as críticas dos profetas veterotestamentários ao judaísmo formalista e nem as críticas de Jesus ao sistema farisaico do primeiro século.
c) A visão de Dawkins é fundamentalista e de Nietzsche de contestação.
Nas críticas comum para a religião existentes nos dois pensadores está a diferença de motivações. Dawkins acredita em algo que quer provar e o complexo Nietzsche estava mostrando a sua descrença nas bases estabelecidas e apresentando um desconstrutivismo.
O teólogo Paul Tillich comenta sobre Nietzsche e religião:
O Deus tradicional ainda está vivo e o próprio Nietzsche criou um outro Deus, o ser divino e demônico que ele chamava de vida. (...) Por certo, jamais foi ateu no sentido absurdo e popular do termo. Seu Deus, porém, é diferente do Deus da tradição religiosa, especialmente da tradição cristã. Difere também da tradição religiosa asiática (...) Contudo, eu diria que sua negação pressupõe certa consciência da eternidade, constantemente presente em seu pensamento como, aliás, em qualquer outro ser humano.[7]
O biofísico molecular e teólogo pela Universidade de Oxford, Alister McGrant comenta sobre Dawkins e sua crença ateísta:
É essa profunda e perturbadora aflição pelo futuro do ateísmo que explica o “alto grau de dogmatismo” e o “estilo retórico agressivo” do novo fundamentalismo secular. O fundamentalismo surge quando uma visão de mundo sente que está em perigo, atacando severamente seus inimigos quando teme que seu próprio futuro está ameaçado.[8]
Portanto, a diferença essencial entre Dawkins e Nietzsche é que em um calendário invertido há duas expressões sobre um mesmo assunto dentro de uma tenção moderna transitando ao pó-moderno.
Referências Bibliográficas:
1- DAWKINS, Richard. In entrevista. O aiatolá dos ateus. Super Interessante, São Paulo, Ano 2007, n. 242, p. , Ago-2007.
2- NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo. São Paulo: Martin Claret, 2005. p. 41.
3- DAWKINS, Richard. Deus, um delírio. São Paulo: Companhia das Letras, 2007 p. 29.
4- NIETZSCHE, Friedrich. Idem, p. 87.
5- DAWKINS, Richard. Idem, p. 55.
6- NIETZSCHE, Friedrich. Ecce Homo. São Paulo: Editora Escala, 2006. p 35.
7- TILLICH, Paul. Perspectivas da Teologia Protestante nos Séculos XIX e XX. São Paulo: ASTE, 1986. p 195.
8- McGRATH, Alister e Joanna. O Delírio de Dawkins. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p 138.
Autores: Gutierres Siqueira com Tatianna Figueredo, Fernando Figueredo, Tainá Pio e Alexandre Oliveira.
I. Introdução
O texto abordará a relação e a diferença existentes entre dois pensadores polêmicos: Friedrich Nietzsche e Richard Dawkins. Um propagou a “morte de Deus”, sendo a morte de um sistema; enquanto outra profetiza a morte da religião para se substituída pelo ateísmo. O ateísmo encontra apoio em ambos os pensadores, mas a relação desses pensadores com a religião é diferenciada.
II. Quem foi Friedrich Wilhelm Nietzsche?
Alemão, filho de pais protestantes teve sua infância marcada por traços da religião cristã. Descendente de pastores luteranos, seu avô Friedriche August ludwing Nietzsche (1756-1826) foi pastor e o seu pai Karl Ludwing, também exerceu o presbitério protestante, casando com a filha de um pastor, Franziska Oehler. Nietzsche, portanto, teve em sua infância laços com o protestantismo, porém não se pode determinar que tal o tenha influenciado.
Seu pai veio a falecer logo em 1849, não passando muito tempo em sua presença. Sua mãe passou a receber uma pensão, porém sem conseguir manter a família se viu em necessidade, optando por mudar para Naumburgo, cidade que detinha amigos e parentes para auxiliá-la. Em 1851 Nietzscshe começa a freqüentar escolas. Escolas porque não se enquadrava em nenhuma. Exibia tamanha competência, que sua mãe foi aconselhada a colocá-lo num estabelecimento mais aprimorado.
Nietzsche teve por contato a musica sacra (religiosa) interesse a se ‘musicalizar’. Sua intenção era tentar compor melodias tais como ícones da música clássica. Mozart, Schubert, Beethoven... etc. Em 1858 Nietzsche foi admitido como bolsista no colégio Real de Pforta. Nesse período a música já fazia parte do seu repertório de vida. Ao terminar seus estudos primários Nietzsche, alheio a vontade da mãe em vê-lo com formação de pastor protestante, foi estudar na universidade de Leipzig, para continuar seus estudos filológicos.
Na universidade Nietzsche se deparou com a obra que contribui na mudança de sua forma de pensar. Seria ela: “O mundo como vontade e representação” de Schopenhauer (1788-1860). Mal tinha 24 anos, Nietzsche foi convidado por intermédio de seu professor, a lecionar na Universidade da Basiléia, na Suíça.
Nesse período viu-se na necessidade de interromper sua cátedra para investir sua ajuda na guerra prussiana. Foi enfermeiro. Nesse período sua saúde começa a se debilitar. Em 1872 veio seu 1º livro: “O nascimento da tragédia a partir do espírito da musica” e em 1874 compôs ”o hino à amizade”.
Retornando da guerra, a seus afazeres em lecionar, Nietzsche começa a gradativamente ter sua saúde debilitada, culminando-se assim em sua dispensa. Em uma viagem a Roma, 1882, Nietzsche se apaixona por uma jovem russa. Pediu-a em casamento, más não obteve êxito. Em 1883 escreve a primeira parte de sua obra principal: “Assim falava Zaratrusta”. Terminou a obra em 1885. Em 1889 Nietzsche passa por um colapso do qual se obtém um diagnostico de paralisia progressiva. Em 25 de agosto de 1900 veio a falecer.
III. O Cristianismo para Nietzsche
O Cristianismo é interpretado por Nietzsche como uma forma de recuperar o sentimento de afirmação do homem. Algo que prende o homem,que lhe das respostas para “ sua vida”. Para assim deixá-lo presa,uma forma de alienação.
Tenta narrar com o “Anticristo” que o Cristianismo é a religião da fraqueza, assim, o cristianismo é visto como um mal a toda humanidade. Em “O Anticristo”, o autor revela mais claramente sua relação com tudo que é venerado em nome de Deus, considerando como absurda toda essa veneração, em uma negação de Deus como Deus.
O apóstolo Paulo é, para Nietzsche, o maior propagador dessa idéia de um Deus que confunde a verdade do mundo, apontando-o como motivado pelo sentimento de vingança e ressentimento, O pecado pelos cristãos, sendo que o cristianismo só vê amor nos motivos de Paulo.
A idéia de pecado, segundo o autor, é o que garante o domínio dos lideres religiosos sobre os fiéis, ou seja, o que impossibilita o crescimento racional do ser humano. Nietzsche é contra o que considera como antinatural,a repressão dos instintos por ele é considerada algo contra a natureza a própria natureza humana, sendo o pecado nada mais do que uma forma de reprimir o homem, visto pela religião como um grande mal.
E com o anticristo Nietzsche tenta mostrar que tudo pode começar novamente e daqui a diante nascer uma nova civilização, sem preceitos, Sem repressão, ou interferência cultural de uma religião repressiva totalmente voltada à alienação humana.
IV. Cristianismo e sua influência em outras culturas em Nietzsche
Cristianismo, Pátria do ressentimento
Para Nietzsche o cristianismo impedia a abertura de um caminho para a crítica dos valores estabelecidos em dois mil anos, propondo a inversão e a criação de novos valores, ou seja, a “transvaloração de valores”.
Nietzsche combatia o idealismo da metafísica platônica que transformara este mundo em algo inferior e ilusório em nome da “verdade” de um mundo ideal. O autor propunha uma não esperança de um plano metafísico após sua existência real, ou seja, uma vida sem sentimento de culpa da moral cristã.
O Novo Testamento ou o Evangelho prega Jesus Cristo como o grande salvador, ao contrário de Nietzsche que julga Jesus Cristo como uma pessoa boa de mais que implantou boas maneiras na sociedade. Sobre Cristo, Nietzsche afirma que “O Evangelho morreu na cruz”, onde segundo o autor só existiria um cristão autêntico, o próprio Cristo.
Mas afinal, a grande critica de nosso autor foi a Paulo, o apóstolo. Nietzsche combate e o denomina como fundador da igreja Cristã, e não Cristo. Segundo Nietzsche, Paulo foi o responsável por manipular a herança de Cristo, da vida pautada numa inocência em uma religião de culpa, idéia mercantil de débito e crédito.
Quem é Paulo para Nietzsche? Aquele que subverteu a prática de Cristo e a converteu em outro tipo de “boa-nova” uma “má-nova” na verdade. Não bastasse isso, ainda conforme Nietzsche, Paulo é o inventor do além no cristianismo e a sua invenção foi a que venceu. Se antes o Reino de Deus não passava de um estado num coração bondoso, agora passará a ser algo para além da morte, numa outra realidade denominada de além-mundo. E as palavras de Paulo adaptaram a “boa-nova” para servir a toda uma hierarquia eclesiástica, repleta de regras apoiadas num moralismo decadente. Foi um verdadeiro disseminador da estrutura que fundamentava-se sob tudo o que Cristo teria combatido no farisaísmo. A lógica do farisaísmo que estava presente em Paulo era a mesma que havia levado Cristo para a crucificação. E o apóstolo foi longe demais, pois fez questão de uma casta sacerdotal agindo, tiranicamente, sobre um rebanho.
Paulo, oficial do Império Romano, junta seu lado legalista da tradição judaica com o helenismo, instituindo o platonismo para o povo. Se Jesus Cristo não tinha a intenção de uma igreja institucionalizada, tanto que foi condenado e crucificado, o mesmo não se pode afirmar de Paulo que fez de tudo para que o cristianismo se institucionalizasse.
A partir daí Paulo cria um novo Deus que não é o mesmo Deus de Jesus Cristo, pois em Cristo estava já o próprio Deus, que feria as instituições. Com este processo em andamento, o mundo assistia o surgimento da Igreja Católica Apostólica Romana.
Com a idéia de juízo final considerada pelo apóstolo, implantou-se o medo à vida terrena. A luta da alma contra o corpo, do outro mundo contra este mundo, ou seja, o dualismo platônico estava efetivado, transformando Jesus Cristo no salvador da humanidade.
Nietzsche é duro nas críticas que faz a Paulo, destacando-o como a negação da vida. E, a partir desses caracteres paulinos, todo cristão passa a ser um ressentido no olhar nietzscheano. Ele acaba considerando o Evangelho como problemático em sua própria gênese e como um divisor moral, no qual os cristãos se apegam para, com pouca modéstia, classificarem-se de “os eleitos”, a “comunidade”, os “bons e justos”, contra o restante do mundo. Paulo teria sido o responsável por esse delírio de grandeza.
O filósofo faz um alerta quanto à exegese desses escritos, pois há necessidade de interpretá-los com muito cuidado. Para ele, o Novo Testamento tem sua dificuldade expressa em cada uma de suas palavras. O exercício exegético de Nietzsche é muito diferenciado da teologia, pois não buscava por sentido apurado de textos para extrair as “verdades bíblicas”.
Enfim, com Paulo o cristianismo vingou e tornou-se decadente, não mais valiam as críticas aos rabinos, porque agora o cristianismo possuía os seus próprios sacerdotes, com todos os vícios que uma instituição é capaz de implantar entre os que a sustentam.
Nietzsche lê o cristianismo como automutilação. E, somente alguém carente de muito amor, é que poderia ter inventado Deus como puro amor. Por tal significado de Deus Amor, os cristãos são exatamente o seu contrário: seres de ódio, carentes e ressentidos.
Bem, com O Anticristo, pode-se perceber que o filósofo quer mesmo é combater uma visão deturpada do que são os valores da vida. Eis o motivo de ter posto este livro como ensaio de uma transvaloração de valores, alertando contra os teólogos em geral que uma leitura religiosa e, principalmente cristã, traz em seu bojo algo de distorcido e desonesto, por fornecer aos homens uma esperança no além, uma falsidade que, sorrateiramente, vai pegando a todos com palavras fortes como “Deus”, “salvação” e “eternidade”.
O Budismo
Sobre o budismo, Nietzsche afirma ser a religião do nada, na figura de Buda, o que se abdicou de tudo o que era humano. Contudo, ele predica que o budismo é ruim, mas salienta que o cristianismo é um mal ainda pior, pois tenta elevar os chandala (termo hinduísta para designar a casta inferior).
No budismo não existe um Deus como degenerescência da vida, do mundo. Nietzsche critica o budismo como religião baseada na vontade de nada, uma religião niilista, porém é uma religião em que a culpa não impera, por não trabalhar a partir de um “pecado original”, da teoria da culpa, do ressentimento. Nietzsche usa-se do budismo para desfechar golpes sobre o cristianismo. Segundo o filósofo, o budismo só prega a jovialidade, a calma e a ausência de desejos, enquanto o cristianismo traz a senilidade, o desespero e a ansiedade perante outro mundo. Porém a simpatia do Anticristo pelo budismo tem limites, pois a julga com uma religião niilista em vista da vida como vontade de potência. Somente que, para ele, o cristianismo é pior.
V. Leis contra o cristianismo formulada por Nietzsche
Por fim, Nietzsche propõe uma Lei contra o cristianismo: datando 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário, com “O Dia da Salvação”. Denominando de “Guerra de morte contra o vício”: o vício é o cristianismo:
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo.
Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.
Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.
Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.
Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.
Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.
VI. Quem é Clinton Richard Dawkins?
Richard Dawkins é um dos mais famosos cientistas da atualidade, sendo uma das principais vozes do neodarwinismo. Dawkins é professor de Public Understanding of Science (Compreensão pública da ciência) na Universidade de Oxford. Ele já publicou 8 livros, que já foram traduzidos em mais de 25 línguas, entre eles o best seller O Gene Egoísta, de 1976. Em entrevistas Dawkins afirma: "Meu grande sonho é a completa destruição de todas as religiões do mundo"[1].
Clinton Richard Dawkins nasceu no Quênia, em 1941, onde o seu pai servia ao exercito da Inglaterra na Segunda Guerra Mundial. Quando era estudante universitário em Oxford, recebeu a influência de Nikolaas Tinbergen, biólogo que ganhou o prêmio Nobel em 1973 pelo estudo pioneiro do comportamento animal. Em 1997 Dawkins ganhou o International Cosmos Prize e em 2001 o prêmio Kistler, além de ter sido eleito membro da Royal Society. Em 2005, foi considerado o maior intelectual britânico na revista esquerdista Prospect. Dawkins, juntamente com o seu colega norte-americano, Stephen Jay Gould, foram notáveis divulgadores da biologia evolucionista para leigos.
No livro O Gene Egoísta, Dawkins desenvolveu a teoria dos “genes egoístas”, como genes que governariam a “seleção natural”. No mesmo livro ele desenvolveu o conceito de “memes”, sendo genes que governam fenômenos culturais, idiomas, hábitos e religiões; sendo que a religião é um memoplexo, ou seja, conjunto de “memos”determinantes dessa tendência.
Como a maioria dos ingleses, Dawkins foi criado em um lar protestante, sendo membros da Igreja Anglicana. Dawkins “converte-se” ao ateísmo com 17 anos, quando se convenceu de que darwinismo era uma cosmovisão mais apropriada que o cristianismo.
VII. A obra polêmica de Dawkins
O livro The God Delusion(publicado em Setembro de 2006 nos Estados Unidos) foi lançado no Brasil em Agosto de 2007, pela editora Companhia das Letras com o título Deus, um delírio. São três, as principais argumentações do livro Deus, um delírio:
a) “A religião faz mais mal à humanidade”;
b) “ensinar religião às crianças é abuso”;
c) “Deus é...”(Nova conceituação dos atributos de Deus).
Além dos assuntos centrais, o livro Deus, um delírio é uma cartilha de combate da “Teoria do Design Inteligente”, que tem crescido na América do Norte como uma contraposição do Darwinismo. Recentemente o jornal liberal The New York Times publicou uma resenha de Dawkins que criticava o novo livro do bioquímico Michael Behe, um dos maiores defensores do Design Inteligente.
Nos últimos dois anos o livro Deus, um delírio não foi o único tratado com objetivo de “converter” pessoas ao ateísmo. Sam Harris e Daniel Dannett também escreveram obras no que foi denominado pela mídia de “Cruzada Ateísta”
VIII. Semelhanças entre Nietzsche e Dawkins
a) Ambos apresentam o extremo como centro.
Ambos os autores apresentam os extremos negativos, principalmente da cristandade, como algo normativo entre os religiosos e cristãos. Na obra O Anticristo Nietzsche critica o dualismo platônico no cristianismo onde uma vida ascética é valorizada, fazendo mal ao corpo e a dignidade humana. No dualismo na cristandade o espírito está acima do corpo, sendo assim, o corpo é desprezado pelo legalismo e práticas de subjugamento. Nietzsche escreveu: “ O cristianismo é conhecido como a religião da piedade. A piedade, porém, é deprimente, pois enfraquece as paixões revigorantes que aumentam a sensação de viver”[2] Nietzsche, porém, não recorda que o apóstolo Paulo, um dos objetos de sua crítica, escreveu contra o ascetismo, chamando esse modus vivendi de “doutrina de demônios” (Vide Carta aos Colossenses 3.16-23 e Epístola à Timóteo 4.1-5).
Richard Dawkins se comporta da mesma forma. Em todo a sua obra, Dawkins insiste que os religiosos são irracionais e não prontos para críticas. Ele escreve:
Se esse livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem. Quanto otimismo e quanto presunção! É claro que fiéis radicais são imunes a qualquer argumentação, com a resistência erguida por anos de doutrinação infantil executada com técnicas que levaram séculos para amadurecer.[3]
Portanto, pelo exposto por Dawkins, qualquer um que contestar o seu livro é um religiosos castrado de mente. Apresentar todo cristão ou religioso como alguém irracional é apresentar o patológico com normal. Dawkins desenvolve todo um capítulo falando sobre a violência dos religiosos, sendo que os religiosos violentos, mesmo entre os mais fervorosos é uma minoria, principalmente na sociedade Ocidental moldada pela religião judaica-cristã.
b) Ambos vêem Deus e sua religião como um carrasco para a humanidade.
Na retórica de ambos, Deus não é o Pai da misericórdia e nem Aquele que apresenta a plenitude de todos os atributos virtuosos, mas sim um ser sanguinário e intransigente. Nietzsche escreveu: “O antigo Deus (ou seja, o deus inventado pelo cristianismo) inventa a guerra, separa os povos, faz com que os homens se aniquilem reciprocamente”[4]. Mas Nietzsche vê esse Deus como distorção inventada pelos ditos “cristãos”, um deus das más-novas que precisa morrer!
Dawkins apresentam uma linguagem mais violenta para descrever Deus, baseado em suas leituras da Bíblia ele escreve:
O Deus do Antigo Testamento é talvez o personagem mais desagradável da ficção: ciumento, e com orgulho; controlador mesquinho, injusto e intransigente, genocida étnico e vingativo, sedente de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo.[5]
A religião é um mal para os dois pensadores, pois para Nietzsche a culpa é da institucionalização e para Dawkins a culpa está na busca da transcendência.
c) Ambos condenam o niilismo.
Nietzsche vê que no Cristianismo e no Budismo, o niilismo é um dos males intrínsecos. Esse niilismo é a descrença absoluta na vida e no prazer, onde segundo Nietzsche a religião reduz a essas sensações. Em Dawkins há a acusação de que muitos ateus, como passividade diante da religião, fazem o ateísmo uma opção sem muito atração. Em Dawkins, a “crença na crença” dos ateus não militantes é um mal para o próprio ateísmo.
IV. Diferenças fundamentais entre Nietzsche e Dawkins
1. Em um está a gênese da pós-modernidade e em outro está uma última estrela iluminista com o seu espírito moderno.
Nietzsche não foi um pregador de ateísmo, mas sim um crítico da cristandade e da moralidade cristã. Nietzsche não está propondo um verdade absoluta em troca de outra, mas sim contestado e demostrando sua angústias, de maneira forte e com discurso persuasivo. Nietzsche é um homem paradoxo falando do que pensa e não querente estabelecer novas partidos. A não-militância de Nietzsche fica bem clara nesse comentário sobre o ateísmo:
Não conheço o ateísmo em absoluto como resultado, ainda menos como um acontecimente marcante: em mim se compreende institivamente. Sou demasiado curioso, demasiado problemático, demasiado orgulhoso para me contentar com uma resposta grosseira. Deus é uma resposta grosseira, uma indelicadeza cotra nós pensadores- no fundo, nada mais é que uma proibição grosseira contra nós- Não devem pensar! [6]
Enquanto Nietzsche não tinha um espírito moderno de revolução, Dawkins é o contraposto. Na introdução de seu livro, Dawkins diz que não é um fundamentalista do ateísmo, mas acontece que isso só fica na introdução,pois no decorrer de todo o livro o seu fundamentalismo surgi com expressões preconceituosas e intolerantes aos religiosos. Quando Dawkins trata de assuntos teológicos fica claro a sua falta de intimidade com os livros de teologia e ainda faz diversas interpretações equivocadas da Bíblia, sem o esmero do exercício hermenêutico e exegético, e diz que os cristãos assim o fazem.
Dawkins acredita em uma grande verdade, e essa verdade é o ateísmo militante e conversionista.
b) Falta de discernimento entre “crença em Deus” de “religião”.
Nietzsche consegue uma distinção relativa de “religião” (cristianismo institucionalizado) e “crença em Deus” (Jesus, o único cristão), portanto Nietzsche via diferença entre o a cristandade de sua época e os evangelhos de um bom homem chamado Cristo.
Dawkins não faz essa distinção, mas confunde “religião” com “crença em Deus”. Dawkins, apesar de citar abundantemente a Bíblia, não cita as críticas dos profetas veterotestamentários ao judaísmo formalista e nem as críticas de Jesus ao sistema farisaico do primeiro século.
c) A visão de Dawkins é fundamentalista e de Nietzsche de contestação.
Nas críticas comum para a religião existentes nos dois pensadores está a diferença de motivações. Dawkins acredita em algo que quer provar e o complexo Nietzsche estava mostrando a sua descrença nas bases estabelecidas e apresentando um desconstrutivismo.
O teólogo Paul Tillich comenta sobre Nietzsche e religião:
O Deus tradicional ainda está vivo e o próprio Nietzsche criou um outro Deus, o ser divino e demônico que ele chamava de vida. (...) Por certo, jamais foi ateu no sentido absurdo e popular do termo. Seu Deus, porém, é diferente do Deus da tradição religiosa, especialmente da tradição cristã. Difere também da tradição religiosa asiática (...) Contudo, eu diria que sua negação pressupõe certa consciência da eternidade, constantemente presente em seu pensamento como, aliás, em qualquer outro ser humano.[7]
O biofísico molecular e teólogo pela Universidade de Oxford, Alister McGrant comenta sobre Dawkins e sua crença ateísta:
É essa profunda e perturbadora aflição pelo futuro do ateísmo que explica o “alto grau de dogmatismo” e o “estilo retórico agressivo” do novo fundamentalismo secular. O fundamentalismo surge quando uma visão de mundo sente que está em perigo, atacando severamente seus inimigos quando teme que seu próprio futuro está ameaçado.[8]
Portanto, a diferença essencial entre Dawkins e Nietzsche é que em um calendário invertido há duas expressões sobre um mesmo assunto dentro de uma tenção moderna transitando ao pó-moderno.
Referências Bibliográficas:
1- DAWKINS, Richard. In entrevista. O aiatolá dos ateus. Super Interessante, São Paulo, Ano 2007, n. 242, p. , Ago-2007.
2- NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo. São Paulo: Martin Claret, 2005. p. 41.
3- DAWKINS, Richard. Deus, um delírio. São Paulo: Companhia das Letras, 2007 p. 29.
4- NIETZSCHE, Friedrich. Idem, p. 87.
5- DAWKINS, Richard. Idem, p. 55.
6- NIETZSCHE, Friedrich. Ecce Homo. São Paulo: Editora Escala, 2006. p 35.
7- TILLICH, Paul. Perspectivas da Teologia Protestante nos Séculos XIX e XX. São Paulo: ASTE, 1986. p 195.
8- McGRATH, Alister e Joanna. O Delírio de Dawkins. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p 138.
Autores: Gutierres Siqueira com Tatianna Figueredo, Fernando Figueredo, Tainá Pio e Alexandre Oliveira.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Mundanismo e Igreja

A crise da modernidade tem feito a Igreja voltar à pré-modernidade: ao dogmatismo e ao misticismo, ao mundo mágico-mítico medieval, com um “Cristo” débil, demônios fortes e anjos importantes. A teologia da prosperidade, a teologia do domínio (reconstrucionismo), a batalha espiritual, com seus “demônios territoriais” (geopolítica infernal) e suas “maldições hereditárias”, nos enchem de justificadas preocupações.
O aposentado bispo protestante Leslie Newbegin (que foi missionário na Índia), analisando recentemente a situação mundial da Igreja, afirmou que: 1) a Igreja está aprisionada pelo mundo científico consumista e neo-liberal; 2) as únicas contestações a este mundo aprisionante estão vindo do Islã; 3) a Igreja está diante dos desafios de se libertar desse aprisionamento, impactar novamente a história e a civilização, e dar uma resposta superioràs do Islã.
Não podemos reduzir a Igreja a um clube religioso de iguais, que se refugia do mundo, põe a fé em um compartimento e espera a morte e o além, enquanto promove entretenimento e espetáculos alienantes, sem profundidade e sem visão.
Se quisermos ser honestos para com Deus e para conosco mesmos, teremos de reconhecer a distância entre o ideal e o real em nossos dias e a ausência de consciência e de desejo de mudanças. Sabemos que, sem compromisso com o reino, a Igreja não é Igreja, que o reino caminha pela afirmação de valores, e que não há reino sem cruz.
O aposentado bispo protestante Leslie Newbegin (que foi missionário na Índia), analisando recentemente a situação mundial da Igreja, afirmou que: 1) a Igreja está aprisionada pelo mundo científico consumista e neo-liberal; 2) as únicas contestações a este mundo aprisionante estão vindo do Islã; 3) a Igreja está diante dos desafios de se libertar desse aprisionamento, impactar novamente a história e a civilização, e dar uma resposta superioràs do Islã.
Não podemos reduzir a Igreja a um clube religioso de iguais, que se refugia do mundo, põe a fé em um compartimento e espera a morte e o além, enquanto promove entretenimento e espetáculos alienantes, sem profundidade e sem visão.
Se quisermos ser honestos para com Deus e para conosco mesmos, teremos de reconhecer a distância entre o ideal e o real em nossos dias e a ausência de consciência e de desejo de mudanças. Sabemos que, sem compromisso com o reino, a Igreja não é Igreja, que o reino caminha pela afirmação de valores, e que não há reino sem cruz.
Fonte: CAVALCANTI, Robinson. A Igreja, o País e o Mundo. Viçosa: Editora Ultimato, 2000. p. 18-19.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
PROTESTO
Fica registrado o meu protesto, como membro da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, referente ao congresso anual dos “Gideões Missionários da Última Hora”. Pois segundo o site oficial desse evento (http://www.gideoes.com/encontros/26/), os pastores José Wellington Bezerra da Costa e Silas Malafaia, ambos membros da Mesa Diretora da CGADB, irão participar desse congresso.
É um absurdo, simplesmente um absurdo, a participação dos ilustres pastores assembelianos no Congresso de Missões dos GMUH. Esse evento, que desmascara o verdadeiro pentecostalismo, é a síntese dos vários modismos que mais atrapalham a vida da igreja pentecostal brasileira. Portanto, não deve haver apoio a esse evento por parte daqueles que zelam “pela sã doutrina” e a chamada “identidade assembeliana”.
O trabalho missionário dos GMUH é indiscutivelmente eficaz e tem levado muitas pessoas a Cristo. O meu protesto é em relação ao congresso anual, que é denominado de “o maior encontro pentecostal do planeta”. Não há nada de pentecostalismo clássico nesse evento e sim, aberrações trazidas de fora, como a “Bênção de Toronto” e “pregações” de diversos animadores de auditório. Fico triste por ver a presença dos ilustres pastores nesse evento, o que aumenta o gabarito dos organizadores.
Fica o meu protesto nesse espaço. Obrigado.
É um absurdo, simplesmente um absurdo, a participação dos ilustres pastores assembelianos no Congresso de Missões dos GMUH. Esse evento, que desmascara o verdadeiro pentecostalismo, é a síntese dos vários modismos que mais atrapalham a vida da igreja pentecostal brasileira. Portanto, não deve haver apoio a esse evento por parte daqueles que zelam “pela sã doutrina” e a chamada “identidade assembeliana”.
O trabalho missionário dos GMUH é indiscutivelmente eficaz e tem levado muitas pessoas a Cristo. O meu protesto é em relação ao congresso anual, que é denominado de “o maior encontro pentecostal do planeta”. Não há nada de pentecostalismo clássico nesse evento e sim, aberrações trazidas de fora, como a “Bênção de Toronto” e “pregações” de diversos animadores de auditório. Fico triste por ver a presença dos ilustres pastores nesse evento, o que aumenta o gabarito dos organizadores.
Fica o meu protesto nesse espaço. Obrigado.
A propaganda dos pregadores sensacionalistas
A propaganda dos pregadores sensacionalistas.
Assista a esse vídeo e veja como muitos "pregadores" optaram por pregar um evangelho distorcido e controvertido para atrair as multidões.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Justiça Federal congela bens da Renascer

Decisão atende a pedido do Ministério Público Federal e da Advocacia Geral da União.Objetivo é obrigar Fundação Renascer a devolver R$ 2 milhões aos cofres públicos.
A Justiça Federal de São Paulo divulgou nesta terça-feira (15) que decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis da Fundação Renascer e do deputado estadual José Antonio Bruno (DEM), bispo primaz da Igreja Renascer. A decisão é do dia 3. A assessoria de imprensa da Renascer informou, em nota, que "prefere não se manifestar publicamente sobre o assunto" e que "a defesa será apresentada oportunamente na Justiça". A assessoria do deputado estadual José Bruno informou que ele ainda não tomou conhecimento da decisão.
A decisão da Justiça Federal atende pedido do Ministério Público Federal e da Advocacia Geral da União (AGU), que moveram ação civil pública de improbidade administrativa para obrigar a fundação e o bispo a devolver aos cofres públicos, em valores atualizados, R$ 1.923.173,95 recebidos do governo federal, em 2003 e 2004, para implementar dois convênios de alfabetização de jovens e adultos do programa Brasil Alfabetizado.
A ação por improbidade administrativa foi ajuizada em 1º de abril. O MPF e a AGU querem que tanto a fundação quanto o bispo sejam condenados a restituir o valor que deveria ter sido usado para implantar dois convênios de alfabetização de jovens e adultos do programa Brasil Alfabetizado. Segundo MPF-SP e a AGU, o deputado e a fundação não comprovaram a aplicação correta dos R$ 1.923.173,95 recebidos do governo federal. O dinheiro deveria ter sido gasto na alfabetização de 23 mil pessoas. Na ação, os órgãos afirmam que nenhuma das despesas foi comprovada com notas fiscais e que a lista de alfabetizadores fornecida não possui dados básicos, como CPF, RG ou endereço, quer permitam checar as informações sobre os contratados. As entidades queriam liminar interditando os bens do deputado e da Fundação Renascer, que já está sob intervenção judicial por ação movida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Além da devolução do dinheiro federal, é solicitado ainda que o bispo seja condenado à perda do mandato. No período em que o dinheiro foi doado, José Antônio Bruno presidia a Fundação Renascer.
Fundadores presos
Os fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Estevam e Sonia Hernandes estão nos Estados Unidos, onde foram presos após tentarem entrar naquele país em janeiro de 2007 com dinheiro não declarado. Parte dele dentro de uma Bíblia com fundo falso.
Após serem presos e julgados, eles foram condenados pelo juiz Federico Moreno, do Tribunal Federal do Sul da Flórida, a cumprir pena intercalada. O casal foi condenado a cumprir cerca de cinco meses de prisão em regime fechado e mais cinco meses de prisão domiciliar nos Estados Unidos. Estevam Hernandes ficou preso do início de agosto até o dia 29 de dezembro de 2007. No final de janeiro, Sonia Hernandes se apresentou à Justiça americana e foi encaminhada para prisão em Talhahase, na Flórida.
Além da prisão, Estevam e Sônia Hernandes pagaram, cada um, multa de US$ 30 mil à Justiça americana. Eles terão ainda que cumprir dois anos de liberdade vigiada contados a partir da data da divulgação da sentença do juiz americano, dia 17 de agosto de 2007. Por causa dessa decisão, eles só poderão sair dos EUA com autorização judicial.
Fonte: G1
Pastorinha do YouTube prega de gloss e saltinho

Matéria de Laura Mattos
Foto de Lalo de Almeida
Ela é a única alma feminina em um altar com 15 homens de terno e gravata, 50 anos em média. De vestido floral decotado, saltinho alto e gloss -aquele batom que deixa os lábios molhados-, Ana Carolina Dias, 13, abre a Bíblia e anota palavras na palma da mão enquanto espera ser chamada ao púlpito.
Celebridade no meio evangélico, a menina ganhou fama em 2007, quando foi parar no YouTube um vídeo em que ela, aos sete anos, prega aos berros para uma multidão de fiéis, a quem chama de "meirmão". As imagens foram remixadas por um DJ e transformada no "Funk da Menina Pastora", que concorreu na categoria web hits, do VMB, da MTV, com "Vai Tomá no C..." e Eduardo Suplicy cantando rap no Congresso.
De lá para cá, a pastorinha divide a vida entre pregações em favelas, hospitais e presídios do Rio, onde mora, e igrejas de todo o Brasil e até do exterior -já esteve nos EUA e na Alemanha.
No último domingo, após ser anunciada com pompa pelo pastor local, passou duas horas no comando de um culto na Catedral das Assembléias de Deus de Limeira (151 km de São Paulo), para onde viajou de ônibus, acompanhada do pai e da mãe.
Com o microfone na mão, Ana Carolina se transforma. Um metro e meio de altura, cabelos abaixo da cintura, não chama mais os fiéis de "meirmão" e sim de "querido", mantendo o carioquês em alto (muito alto) e bom som. "Quando pensar em desistir, querido, lembre que Deus sofreu muito por você"; "Vai dando glória, querido, alto, vai abrindo a boca e glorificando, querido". E olha para o controlador de som o tempo todo: "Agora sobe o som, querido [faz sinal com a mão para cima]"; "A faixa três do branquinho, querido, isso".
Em poucos minutos, está descalça. Desafinada, canta hinos com os olhos fechados voltados para cima e o dedo indicador apontado para o teto, no caso, o céu. Lê um trecho sobre Abraão na Bíblia, que carrega em uma bolsinha de alça preta com brilho, e interpreta a passagem: "Depressão não pega em crente? Pega, querido. E não vai curar com remédio ou psicanalista [agora berrando] Quem vai preencher esse vazio se encontra hoje aqui. É Jesus!"
Não veeendo, não trooco!
Seu pai, pastor Ezequiel, 50, funciona como um assistente. Enquanto Ana Carolina sai em meio aos fiéis para abençoar alguns escolhidos por ela ("por Deus"), ele canta no altar. Na platéia, a garota coloca as mãos na cabeça e no peito de alguns homens e mulheres, que choram. De volta ao altar, o culto está no fim, e ela se posta ao lado do púlpito, onde apóia o cotovelo. "Levanta as mãos... Não, vâmo provocar o satanás!", provoca, para euforia dos fiéis, que repetem várias vezes. "Satanás, minha bênção eu não dooou, não veeendo e não trooco!"
O pastor local agradece Ana Carolina, diz que os fiéis têm que comprar não um, mas três CDs dela, à venda na porta da igreja (um por R$ 15, dois por R$ 25, três por R$ 30). Enquanto autografa pôsteres, Ana Carolina conversa com a Folha. Fala que só gosta de música de igreja, navega pouco na internet e nunca teve namorado ("É cedo, preciso estudar") e admite, rindo, ser "B.V.", gíria adolescente para "boca virgem", ou seja, nunca beijou na boca. "Tu tá por dentro, hein!", comenta.
Sobre o funk que a celebrizou, é sincera: "Não é minha praia, mas confesso que foi interessante". Destaca o novo filme de Walter Salles, para o qual cedeu imagens suas em ação, e lista veículos que a entrevistaram, entre eles, TVs de Portugal, Itália e Inglaterra.
E se pintasse convite para a ilha de "Caras"? "Se for de Deus, a gente vai", diz o pai. "Bora", concorda a pastorinha.
Fonte: Folha de S. Paulo
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Igrejas usam a Internet para levar missa aos fiéis
Missa celebrada com palmtop e transmitida em tempo real pela Internet, aconselhamento espiritual por programas de bate-papo no computador, reflexões do Evangelho via e-mail, imagens do santo do dia no celular, sinos programados para tocar eletronicamente. As tecnologias são de última geração e os ritos, milenares. Esse encontro pouco ortodoxo pode assustar os mais conservadores, mas é cada vez mais comum no meio religioso.
Há pouco tempo um grupo de turistas espanhóis de passagem pelo Rio comprovou essa nova tendência na Igreja Católica. Ao visitar o Outeiro da Glória, participaram de uma missa em espanhol. Até aí nenhuma surpresa, não fosse o fato de, no lugar do missal - livro enorme e pesado que contém todo o ritual da missa -, um pequeno computador de mão ocupasse o altar.
"Eu teria que rezar a missa em português. Mas lembrei que tinha o missal espanhol no meu palmtop e resolvi usá-lo para celebrar. O rito é o mesmo, mas é sempre melhor quando o fazemos na língua dos fiéis", explica padre Sérgio Costa Couto.
Aos 48 anos - 14 como padre -, ele é louco por tecnologia. "E por Jesus", acrescenta. Para unir as duas paixões, utiliza todos os meios: dá conselhos a fiéis pelo Skype (programa de comunicação de voz e vídeo pelo computador) e pelo Messenger, lê artigos em sites católicos e baixa palestras em MP3 para ouvir no palm. "Nele, tenho toda a liturgia das horas (oração obrigatória para os padres), além de documentos do Papa, a Bíblia e o missal em várias línguas. Sou um padre conservador atualizado. Gosto de rezar o breviário em latim, mas no palm", resume.
Na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, o e-mail é quase um artigo de fé. É através dele que o padre Ramon Nascimento concilia o trabalho na capela com a coordenação de todas as pastorais das igrejas da Lagoa, Ipanema, Leblon e Gávea: "Às vezes precisamos discutir tópicos e não dá para ligar para todo mundo e marcar reunião. Integro grupos de discussão no Yahoo e comunidades no Orkut, onde a troca de informações é sempre produtiva. A Internet é um poderoso veículo de evangelização, mas é preciso cautela para não se deixar engolir. Nada substitui o contato pessoal. A participação nos sacramentos exige presença física. A modernização é só na forma. A mensagem de Cristo não muda através dos tempos".
Evangélicos, os "pais" da modernização cristãA Igreja de Roma não descobriu a pólvora. O que os padres começaram agora, os evangélicos já fazem há mais de uma década. Além de terem programas na TV e em rádios com uma linguagem atual, a web está repleta de iniciativas protestantes de pregação cristã moderna. Existe até a União dos Blogueiros Evangélicos (http://blogueirosevangelicos.blogspot.com), que reúne mais de 500 blogs (diários virtuais) de fiéis de todas as denominações.
Eles criaram versões religiosas para sites que são sucesso entre os, digamos, pagãos. No www.godtube.com há centenas de vídeos ligados à fé. E tem ainda versão cristã para a wikipedia (a enciclopédia virtual) no www.conservapedia.com.
"A modernização das igrejas alcança sobretudo a classe média e jovens, público que não se sentia atendido com as ofertas tradicionais da religião", diz o sociólogo Luiz Alberto Gomez.
Pelo oratório virtualA Igreja Católica, sempre vista como conservadora e retrógrada, tem se revelado bem moderninha. João Paulo II já incentivava o uso da Internet e de meios de comunicação na evangelização. Durante a visita do Papa Bento XVI ao Brasil, ano passado, bispos debateram com ele a transmissão de missas pela Internet e cursos de Teologia por videoconferência. A mudança dos tempos é abraçada como aliada poderosa na conquista de novos fiéis até mesmo pelo Pontífice. Em março, ele presidiu encontro com universitários da América e da Europa por teleconferência.
Os exemplos proliferam. Na página do Santuário de Aparecida (www.santuarionacional.com.br), o internauta baixa imagens da santa para o celular e reza o terço virtual com católicos de qualquer lugar do planeta. No site dos frades capuchinhos (www.capuchinhosrs.org.br) é possível deixar pedidos de oração, depois incluídos nas intenções pelas quais os noviços rezam diariamente. Já há até oratório virtual: www.sacredspace.ie/pt. Disponível em várias línguas, oferece a cada dia uma reflexão diferente. Durante 10 minutos, o internauta é levado a um "encontro com Deus" através de passagens bíblicas permeadas por meditações e questionamentos.
No mundo real, o Santuário do Cristo Redentor já tem câmeras para, em breve, transmitir missas on-line. Essa é só uma das novidades. A Arquidiocese do Rio ainda estuda a criação de call center para informações de todas as paróquias, agência de notícias virtual e serviço de envio de passagens bíblicas por SMS.
Fonte: Jornal O Dia
Há pouco tempo um grupo de turistas espanhóis de passagem pelo Rio comprovou essa nova tendência na Igreja Católica. Ao visitar o Outeiro da Glória, participaram de uma missa em espanhol. Até aí nenhuma surpresa, não fosse o fato de, no lugar do missal - livro enorme e pesado que contém todo o ritual da missa -, um pequeno computador de mão ocupasse o altar.
"Eu teria que rezar a missa em português. Mas lembrei que tinha o missal espanhol no meu palmtop e resolvi usá-lo para celebrar. O rito é o mesmo, mas é sempre melhor quando o fazemos na língua dos fiéis", explica padre Sérgio Costa Couto.
Aos 48 anos - 14 como padre -, ele é louco por tecnologia. "E por Jesus", acrescenta. Para unir as duas paixões, utiliza todos os meios: dá conselhos a fiéis pelo Skype (programa de comunicação de voz e vídeo pelo computador) e pelo Messenger, lê artigos em sites católicos e baixa palestras em MP3 para ouvir no palm. "Nele, tenho toda a liturgia das horas (oração obrigatória para os padres), além de documentos do Papa, a Bíblia e o missal em várias línguas. Sou um padre conservador atualizado. Gosto de rezar o breviário em latim, mas no palm", resume.
Na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, o e-mail é quase um artigo de fé. É através dele que o padre Ramon Nascimento concilia o trabalho na capela com a coordenação de todas as pastorais das igrejas da Lagoa, Ipanema, Leblon e Gávea: "Às vezes precisamos discutir tópicos e não dá para ligar para todo mundo e marcar reunião. Integro grupos de discussão no Yahoo e comunidades no Orkut, onde a troca de informações é sempre produtiva. A Internet é um poderoso veículo de evangelização, mas é preciso cautela para não se deixar engolir. Nada substitui o contato pessoal. A participação nos sacramentos exige presença física. A modernização é só na forma. A mensagem de Cristo não muda através dos tempos".
Evangélicos, os "pais" da modernização cristãA Igreja de Roma não descobriu a pólvora. O que os padres começaram agora, os evangélicos já fazem há mais de uma década. Além de terem programas na TV e em rádios com uma linguagem atual, a web está repleta de iniciativas protestantes de pregação cristã moderna. Existe até a União dos Blogueiros Evangélicos (http://blogueirosevangelicos.blogspot.com), que reúne mais de 500 blogs (diários virtuais) de fiéis de todas as denominações.
Eles criaram versões religiosas para sites que são sucesso entre os, digamos, pagãos. No www.godtube.com há centenas de vídeos ligados à fé. E tem ainda versão cristã para a wikipedia (a enciclopédia virtual) no www.conservapedia.com.
"A modernização das igrejas alcança sobretudo a classe média e jovens, público que não se sentia atendido com as ofertas tradicionais da religião", diz o sociólogo Luiz Alberto Gomez.
Pelo oratório virtualA Igreja Católica, sempre vista como conservadora e retrógrada, tem se revelado bem moderninha. João Paulo II já incentivava o uso da Internet e de meios de comunicação na evangelização. Durante a visita do Papa Bento XVI ao Brasil, ano passado, bispos debateram com ele a transmissão de missas pela Internet e cursos de Teologia por videoconferência. A mudança dos tempos é abraçada como aliada poderosa na conquista de novos fiéis até mesmo pelo Pontífice. Em março, ele presidiu encontro com universitários da América e da Europa por teleconferência.
Os exemplos proliferam. Na página do Santuário de Aparecida (www.santuarionacional.com.br), o internauta baixa imagens da santa para o celular e reza o terço virtual com católicos de qualquer lugar do planeta. No site dos frades capuchinhos (www.capuchinhosrs.org.br) é possível deixar pedidos de oração, depois incluídos nas intenções pelas quais os noviços rezam diariamente. Já há até oratório virtual: www.sacredspace.ie/pt. Disponível em várias línguas, oferece a cada dia uma reflexão diferente. Durante 10 minutos, o internauta é levado a um "encontro com Deus" através de passagens bíblicas permeadas por meditações e questionamentos.
No mundo real, o Santuário do Cristo Redentor já tem câmeras para, em breve, transmitir missas on-line. Essa é só uma das novidades. A Arquidiocese do Rio ainda estuda a criação de call center para informações de todas as paróquias, agência de notícias virtual e serviço de envio de passagens bíblicas por SMS.
Fonte: Jornal O Dia
terça-feira, 8 de abril de 2008
Minha Esperança mobiliza o Brasil para um avivamento

Na coletiva realizada este mês, no escritório nacional do projeto Minha Esperança, em São Paulo, William Conard, vice-presidente dos Ministérios Internacionais da Associação Evangelística Billy Graham (AEBG), afirmou que a maneira mais eficiente de alcançar os perdidos com o evangelho de Jesus Cristo é através de amigos, familiares e vizinhos."Para aproximar-se destas pessoas consideradas fundamentais", explica Conard, "Minha Esperança Brasil investe todo o seu tempo mobilizando e equipando pastores e lideres. Os pastores, por sua vez, treinam a congregação em como participar das três noites de transmissões dos programas". Por ser um projeto que envolve várias fases, é preciso conhecê-las para entendermos a estratégia do Minha Esperança – Brasil. Com essa finalidade, nos próximos dois meses os representantes da AEBG estarão trabalhando juntos com uma equipe de quase 1000 brasileiros, entre coordenadores e capacitadores, divulgando a visão do projeto Minha Esperança para pastores em todo o Brasil.Durante os meses de Junho a Agosto os coordenadores voltarão às bases para treinar os pastores, para que capacitem cada membro de suas igrejas a abrirem os seus lares durante as transmissões dos programas. Finalmente nos meses que se seguem até novembro os pastores treinarão os seus membros em como compartilhar as boas novas com seus amigos, familiares e vizinhos, usando as transmissões do projeto Minha Esperança. "O melhor da estratégia do projeto Minha Esperança é a simplicidade", disse Geremias Couto, coordenador nacional para o Minha Esperança Brasil. "O projeto tem a responsabilidade de equipar os cristãos de todo o Brasil para compartilhar sua fé com os mais próximos. Juntos estarão assistindo aos programas que explicam o evangelho, em rede nacional de televisão, e aí fazendo um convite para que aceitem a Cristo", concluiu."Já vimos esta estratégia funcionar em várias partes do mundo", disse Conard. "A simples verdade é que, quando os cristãos oram pela salvação dos seus amigos, assistem aos programas e os convidam para aceitar a Cristo, o Espírito Santo trabalha e muitos aceitam." Conard esteve recentemente trabalhando na Ásia, onde o projeto Minha Esperança levou milhares de igrejas evangélicas em diversos países a trabalharem juntas para divulgar o evangelho. Em alguns países, milhares de pessoas aceitaram a Cristo e estão crescendo espiritualmente em igrejas locais. Nos meses de março, abril e maio os coordenadores estarão compartilhando a visão do projeto com pastores, e estes, por sua vez, estarão se comprometendo em participar. O projeto Minha Esperança Brasil espera contar com a participação de 50.000 igrejas no mês de Novembro.
Fonte: MinhaEsperançaBrasil.com.br
Fonte: MinhaEsperançaBrasil.com.br
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Individualismo
A cultura é radicalmente individualista. Pessoas fazem de tudo o que querem. São nas suas igrejas. O resultado é que escolhem e optam pelas igrejas que irão membrar-se, acreditando no que querem. Falta sempre o entendimento da responsabilidade de ser parte da comunidade dos crentes. A maioria das pessoas que se sentam nos bancos de igreja perdeu totalmente esse ponto.
Charles Colson
Charles Colson
sábado, 5 de abril de 2008
Bebê é encontrado em bolsa dentro de banheiro de igreja

Criança foi achada na tarde deste sábado (5) em Embu-Guaçu, na Grande SP. Menina de 4 dias foi encaminhada para abrigo e passa bem.
Um bebê de 4 dias foi encontrado em uma bolsa abandonada dentro do banheiro de uma Igreja Universal no Bairro do Cipó, em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, na tarde deste sábado (5). Segundo a Polícia Militar, a menina foi encontrada por volta das 15h por um funcionário da igreja que chamou a PM. Junto com a criança havia um bilhete em que a mãe diz que não tinha condições de criar a menina. O bebê foi encaminhado para um abrigo da cidade e, no final desta tarde, passava bem. O caso foi registrado no Distrito Policial de Embu-Guaçu. Uma policial militar da 2ª Companhia do 25º Batalhão, que participou do socorro da criança, informou que pretende dar entrada no pedido de adoção.
Fonte: G1
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Blogueiro é ameaçado por “pregadores” sensacionalistas

"Eu quero encontrar o Ciro no aeroporto..." Essa frase foi proferida por um famoso pregador em um grande congresso. As ameaças são ao pastor Ciro Sanches Zibordi, blogueiro e escritor de sucesso, que tem feito um ótimo trabalho apologético diante dos modismos.
Leia mais no Blog do Ciro:
http://cirozibordi.blogspot.com/2008/04/uma-resposta-aos-pregadores-irados.html
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Aplicação do Cristianismo

Como a aplicação dos princípios cristãos afetaria alguém numa ilha deserta? Seria menos provável que esse cristão isolado construísse uma cabana? A resposta é “Não”. Pode chegar um momento em que o Cristianismo o diga para se preocupar menos com a cabana, isto é, se ele estiver a ponto de considerar a cabana a coisa mais importante do universo. Mas, não há nenhuma evidência de que o Cristianismo o impediria de construir um abrigo. Ambição! Devemos ter cuidado sobre o que queremos dizer com essa palavra. Se for desejo de passar à frente de outras pessoas – que é o que eu penso que quer dizer – então, ela é uma coisa má. Se significar apenas desejo de fazer bem uma coisa, então é boa. Não é errado para um ator querer atuar tão bem quanto possível, mas desejar ter seu nome escrito com uma letra maior do que a de outros atores, isso sim é errado.
C.S. Lewis (1898-1963)
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Jaci Velasquez - God So Loved
Chris Eaton
CHORUS:
God so loved the world
That He gave His one and only Son
That whosoever believes in Him
Will not perish but have everlasting life
I try so hard to find the words to say
To let you know how great is this God to whom I pray
Nothing can nor ever will compare
To the peace that flows in your soul when he is living there
Oh I know you've been through so much
It's hard to contemplate letting go and reaching out in trust
But I know the simple truth
That love is here for you
So take Him at His word and see what He can do
CHORUS
The promise is yours and mine
Take hold of this love
For the rest of your life
CHORUS
But it's time to take a step of faith
Be prepared for Jesus' love to carry you away
CHORUS
Everlasting life
You loved me
God so loved the world
He gave
He gave
His one and only Son, one and only Son
If you just believe
It will set you free
It will set you free
He loves you so much
He loves you so much
Just believe
Just believe
Lyrics ©1997 SGO Music Pub. Ltd. (adm. by Bug Music, Inc)/BMI
terça-feira, 1 de abril de 2008
Renovação do Estatuto

Abaixo estão as mudanças no Estatuto e Regimento Interno da CGADB, ocorridas por ocasião da última Assembléia Extraordinária, realizada entre os dias 25 e 28 de fevereiro no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre. As principais alterações dizem respeito ao processo eleitoral, conforme segue abaixo:
1. Uso de urnas eletrônicas oficias, fornecidas pelo TRE;
2. Fim da lista de 21 assinaturas para chancelar uma candidatura. Dessa forma, qualquer convencional pode se candidatar sem precisar de uma quantidade mínima de apoiantes.
3. O mandato será, a partir das próximas eleições em 2009, de quatro anos, e não mais de dois anos, e com direito a só uma reeleição.
4. A apresentação de candidaturas será até setembro.
5. Ministros consagrados este ano, só poderão votar na eleição do ano que vem se registrados na CGADB até setembro.
Fonte: Mensageiro da Paz, abril/2008 e Blog do Pr. Altair Germano
1. Uso de urnas eletrônicas oficias, fornecidas pelo TRE;
2. Fim da lista de 21 assinaturas para chancelar uma candidatura. Dessa forma, qualquer convencional pode se candidatar sem precisar de uma quantidade mínima de apoiantes.
3. O mandato será, a partir das próximas eleições em 2009, de quatro anos, e não mais de dois anos, e com direito a só uma reeleição.
4. A apresentação de candidaturas será até setembro.
5. Ministros consagrados este ano, só poderão votar na eleição do ano que vem se registrados na CGADB até setembro.
Fonte: Mensageiro da Paz, abril/2008 e Blog do Pr. Altair Germano
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