O caríssimo Rubens Alves, autor admirado e idolatrado pelos cristãos progressistas escreveu o texto que se segue abaixo.
Como diz Reinaldo Azevedo, volto no final.
Homossexualidade e outros pecados...
CRISTÃOS FUNDAMENTALISTAS são os que acreditam que as sagradas escrituras foram ditadas diretamente por Deus e que, por isso, tudo o que nelas está escrito é sagrado, verdadeiro e deve ser obrigatoriamente obedecido para sempre. A verdade divina está fora do tempo. Aquilo que Deus comandava há 3.000 anos é válido para hoje e para todos os tempos futuros.
Digo isso a propósito de uma carta dirigida a Laura Schlessinger, conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos que tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever:"Querida doutora Laura, muito obrigado por se esforçar tanto pra educar as pessoas segundo a lei de Deus. (...) Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas e sobre a forma de cumpri-las: gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro de Êxodo 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?
O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que não sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir canadenses?
Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Levítico 18:19, 20:18 etc.).
O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?
No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus?Eu sei, graças a Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas?Meu tio tem um sítio. Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois que planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes -a saber, algodão e poliéster. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-la? Não poderíamos queimá-la numa reunião privada?
Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável".
PS: Depois dessa bela carta eu não sei se vou dormir ou lamentar pela ignorância forçada dos liberais. Como esse povo gosta de "besterizar" o exercício da hermenêutica! Porque vocês não vão escrever sobre plantas e passarinhos, vejo que seria mais produtivo!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Pastores americanos pedem que seus fiéis não votem em Obama, diz jornal
Em alguns casos, religiosos recomendaram voto no republicano McCain. Pedir votos para candidatos no púlpito é contra lei federal.
Os pastores de 33 igrejas dos Estados Unidos pediram a seus fiéis que não votem no candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, nas próximas eleições, o que é uma violação de uma lei de 1954, informaram nesta segunda-feira (29) vários meios de comunicação.
Em alguns casos os pastores estimularam seus fiéis a votarem no candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, afirma o jornal americano "The Washington Post".
Votar em Obama "demonstra uma grave esquizofrenia moral", disse em seu sermão o reverendo Ron Johnson Jr., pastor da igreja Living Stones Fellowship, em Crown Point (Indiana), segundo o "Washington Post".
Segundo este pastor, as posições de Obama sobre o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo "contrariam diretamente a verdade de Deus, como revelam as Escrituras".
Já Luke Emrich, pastor da igreja New Life Church em West Bend (Wisconsin), disse que votará em McCain, em uma declaração de conteúdo político também proibida pela lei de isenção de impostos, informou o jornal "The Washington Times".
"Mas cabe a vocês decidir. É uma decisão de vocês. Eu não entrarei com vocês na cabine de votação", acrescentou Emrich.
A "CNN" lembrou que uma lei de 1954 proíbe que as organizações isentas do pagamento de impostos, como congregações religiosas, se envolvam em campanhas políticas e declarem apoio a um ou outro candidato.
Jody Hice, pastor da Primeira Igreja Batista em Bethlehem (Geórgia), afirmou que após uma comparação entre as propostas de Obama e McCain sobre aborto e casamento de homossexuais chegou à conclusão de que o "candidato republicano tem uma visão mais bíblica".
O rabino Jack Moline, da congregação Agudas Achim, em Alexandria (Virgínia), e presidente da Interfaith Alliance, disse ao "Washington Post" que não tem objeções a que membros do clero se envolvam em campanhas políticas fora de templos, sinagogas e mesquitas.
"Entretanto, um santuário não deveria ser lugar de agitação política a favor de um candidato. Sobre diferentes problemas, sim, mas não sobre os candidatos", declarou Moline.
O Fundo de Defesa da Aliança (ADF, em inglês) disse em seu site que coordenou a ação de dezenas de pregadores e pastores que disseram no domingo a suas congregações que os cristãos não podem votar em Obama.
Erik Stanley, assessor legal da ADF, grupo com sede no Arizona, disse ao "Washington Times" que centenas de igrejas tinham se oferecido para participar, mas apenas 33 foram escolhidas.
Fonte: G1
Os pastores de 33 igrejas dos Estados Unidos pediram a seus fiéis que não votem no candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, nas próximas eleições, o que é uma violação de uma lei de 1954, informaram nesta segunda-feira (29) vários meios de comunicação.
Em alguns casos os pastores estimularam seus fiéis a votarem no candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, afirma o jornal americano "The Washington Post".
Votar em Obama "demonstra uma grave esquizofrenia moral", disse em seu sermão o reverendo Ron Johnson Jr., pastor da igreja Living Stones Fellowship, em Crown Point (Indiana), segundo o "Washington Post".
Segundo este pastor, as posições de Obama sobre o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo "contrariam diretamente a verdade de Deus, como revelam as Escrituras".
Já Luke Emrich, pastor da igreja New Life Church em West Bend (Wisconsin), disse que votará em McCain, em uma declaração de conteúdo político também proibida pela lei de isenção de impostos, informou o jornal "The Washington Times".
"Mas cabe a vocês decidir. É uma decisão de vocês. Eu não entrarei com vocês na cabine de votação", acrescentou Emrich.
A "CNN" lembrou que uma lei de 1954 proíbe que as organizações isentas do pagamento de impostos, como congregações religiosas, se envolvam em campanhas políticas e declarem apoio a um ou outro candidato.
Jody Hice, pastor da Primeira Igreja Batista em Bethlehem (Geórgia), afirmou que após uma comparação entre as propostas de Obama e McCain sobre aborto e casamento de homossexuais chegou à conclusão de que o "candidato republicano tem uma visão mais bíblica".
O rabino Jack Moline, da congregação Agudas Achim, em Alexandria (Virgínia), e presidente da Interfaith Alliance, disse ao "Washington Post" que não tem objeções a que membros do clero se envolvam em campanhas políticas fora de templos, sinagogas e mesquitas.
"Entretanto, um santuário não deveria ser lugar de agitação política a favor de um candidato. Sobre diferentes problemas, sim, mas não sobre os candidatos", declarou Moline.
O Fundo de Defesa da Aliança (ADF, em inglês) disse em seu site que coordenou a ação de dezenas de pregadores e pastores que disseram no domingo a suas congregações que os cristãos não podem votar em Obama.
Erik Stanley, assessor legal da ADF, grupo com sede no Arizona, disse ao "Washington Times" que centenas de igrejas tinham se oferecido para participar, mas apenas 33 foram escolhidas.
Fonte: G1
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sábado, 27 de setembro de 2008
Pastor diz que teve "sorte" ao resistir à tortura
O reverendo norte-americano Frederick Birten Morris, 74, foi um dos anistiados presentes na sessão de ontem da Comissão de Anistia, na sede da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil). Conhecido como pastor Fred, foi preso em Recife em setembro de 1974, durante a ditadura militar.Morris, que representava a Igreja Metodista no Brasil naquela época, afirmou que nunca integrou nenhuma organização, mas disse que ajudava jovens de vários grupos esquerdistas."Fui seqüestrado, quando saía de casa, por 12 homens armados. Estou vivo por sorte", falou o reverendo, indenizado com R$ 285 mil, mais o direito da pensão vitalícia no valor de R$ 2.000. Ele disse que foi torturado com pancadas e choques elétricos por quatro dias seguidos.Após a prisão, que durou 17 dias, Morris foi expulso do Brasil por decreto do então presidente Ernesto Geisel, que só foi revogado em 1988.(LF)
Fonte: Folha de S. Paulo
Fonte: Folha de S. Paulo
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Na França, crianças muçulmanas recebem educação católica
Katrin Bennhold
Em Marselha (França)
A cafeteria bem iluminada da Escola Católica Saint Mauront está notavelmente silenciosa: é época do Ramadã, e 80% dos alunos são muçulmanos. Quando soa a campainha anunciando o horário do almoço, meninos e meninas passam em frente a crucifixos e uma grande cruz de madeira no corredor, dirigindo-se à oração muçulmana realizada aproximadamente ao meio-dia.
"Aqui há respeito pela nossa religião", afirma Nadia Oualane, 14, com a cabeça coberta por um lenço preto.
"Na escola pública não me deixariam entrar usando véu", acrescenta ela, apontando para uns prédios próximos. Oualane, que tem ascendência argelina, quer ser a primeira pessoa da sua família a freqüentar uma universidade.
A França possui apenas quatro escolas muçulmanas. Assim, as 8.847 escolas católicas do país tornaram-se um refúgio para os muçulmanos que buscam aquilo que um setor público sobrecarregado e secularista muitas vezes não tem: espiritualidade e um ambiente no qual as boas maneiras contem tanto quanto a matemática e as notas altas.
Não há estatísticas nacionais sobre isso, mas educadores muçulmanos e católicos estimam que atualmente os alunos muçulmanos representam 10% dos dois milhões de estudantes matriculados nas escolas católicas francesas. E nos bairros de Marselha e no norte industrial do país habitados por pessoas de várias etnias, os muçulmanos podem constituir-se em mais da metade dos alunos das escolas católicas.
A migração silenciosa para escolas católicas pagas demonstra o quanto se tornou difícil para as escolas públicas, instrumentos tradicionais para a integração na França, cumprir a promessa de oportunidades iguais - independentemente da cor, do credo e do bairro em que se mora.
Tradicionalmente, a escola republicana, um fruto da Revolução Francesa, é o local de formação dos cidadãos. A debandada de alunos dessas escolas é mais uma indicação do desafio enfrentado pela forma rígida de secularismo conhecida como "laicite".
Após séculos de guerras religiosas e atritos entre a república incipiente e um clero impertinente, uma lei de 1905 garantiu a liberdade religiosa na França predominantemente católica, mas também deixou de fornecer apoio financeiro e reconhecimento formal a todas as religiões. A educação religiosa e os seus símbolos foram banidos das escolas públicas.
À medida que a França tornava-se o lar de cinco milhões de muçulmanos, a maior comunidade islâmica da Europa Ocidental, novas rachaduras surgiram nesse sistema. Em 2004, uma proibição do uso do lenço de cabeça nas escolas públicas gerou protestos e provocou um debate sobre o relaxamento de interpretações da lei de 1905.
"O secularismo tornou-se a religião do Estado, e a escola republicana é o seu templo", diz o imame Soheib Bencheikh, ex-grande mufti de Marselha e fundador do Instituto Superior de Estudos Islâmicos. A filha mais velha de Bencheikh freqüenta uma escola católica.
"É uma ironia. Mas a Igreja Católica de hoje é mais tolerante quanto ao islamismo - e o entende mais - do que o Estado francês", afirma ele.
Para alguns, fatores econômicos fazem das escolas católicas uma boa escolha, já que elas tendem a ser menores do que as escolas públicas e são bem mais baratas do que as escolas particulares em outros países.
Segundo as autoridades que administram as escolas católicas, o governo paga salários aos professores e um subsídio por cada estudante, e em troca estas instituições aplicam o currículo nacional e aceitam alunos de todas as fés.
No sistema educacional francês altamente centralizado, o currículo nacional determina que não haja nenhuma educação religiosa além de exames genéricos sobre fé e dogmas religiosos, conforme ocorre nas aulas de história. A instrução religiosa, como o catecismo católico, é estritamente voluntária.
As escolas católicas têm liberdade para permitir que as meninas usem lenços. Muitas delas impõem a proibição governamental, mas várias outras, como a Saint Mauront, toleram uma versão discreta dessa peça de vestuário.
Situada sob um viaduto, em uma região de projetos urbanos no norte da cidade, a escola encarna as modificações ocorridas na sociedade francesa no decorrer do século passado.
Fundada em 1905, no prédio de uma ex-fábrica de sabão, a princípio a escola atendeu principalmente a alunos católicos franceses, diz o diretor Jean Chamoux. Antes da Segunda Guerra Mundial, alguns imigrantes italianos e portugueses vieram para a região. À partir da década de 1960 foi a vez dos africanos das ex-colônias francesas.
Atualmente há pouquíssimas faces brancas entre os 117 alunos. Cerca de uma em cada cinco garotas cobre a cabeça.
Chamoux, um homem jovial de movimentos vagarosos, está aqui há 20 anos e parece conhecer cada aluno pelo nome. No seu escritório apertado, sob um crucifixo, ele fala das virtudes das escolas católicas. "Nós praticamos a liberdade religiosa, as escolas públicas não", afirma. "Adotamos o currículo nacional. As atividades religiosas são inteiramente opcionais. Se eu proibisse o uso do lenço de cabeça, metade das meninas não freqüentaria escola alguma. Prefiro tê-las aqui, conversar com elas e dizer-lhes que elas contam com uma opção. Muitas na verdade deixam de usar o véu depois de certo tempo. O meu objetivo é garantir que, até se formarem, elas tenham feito uma escolha consciente, qualquer que seja esta escolha".
Os defensores do secularismo respondem dizendo que tal tolerância poderia encorajar outros pedidos especiais e valores anti-ocidentais, tais como a opressão da mulher.
"O lenço de cabeça é um símbolo sexista, a discriminação entre os sexos não tem lugar na escola republicana", afirmou o ministro da Educação, Xavier Darcos, em uma entrevista por telefone. "Este é o motivo básico pelo qual somos contrários ao uso lenço".
Chamoux suspeita que algumas alunas - "uma pequena minoria", diz ele - usam o lenço devido à pressão da família. Ele reconhece que certos pais exigem rotineiramente que as filhas sejam dispensadas das aulas de natação. Quando tal licença é negada, as meninas apresentam atestados médicos e, desta forma, deixam de freqüentar estas aulas. Recentemente ele respondeu com um não quando alunos pediram a remoção do crucifixo de uma sala de aula na qual eles desejavam fazer as orações conjuntas durante o Ramadã.
O professor de biologia foi contestado ao ensinar a Teoria da Evolução de Darwin, e o clima nas aulas de história pode ficar agitado quando se discute as cruzadas ou o conflito israelense-palestino. Chamoux recorda-se que, após os ataques de 11 de setembro de 2001, alguns alunos deixaram os professores chocados com a alegria que manifestaram.
Chamoux diz que a escola toma providências imediatas contra comentários ofensivos, mas tenta também respeitar o islamismo. A escola leva os feriados religiosos muçulmanos em consideração quando planeja as reuniões entre pais e professores. Há dois anos são fornecidas aulas opcionais de árabe, em parte como forma de afastar os alunos das aulas de Alcorão nas mesquitas vizinhas, que, segundo se acredita, pregam o islamismo radical.
Neste ano, 17 alunos se prontificaram a ficar na escola após as aulas, no mês da Quaresma, a fim de prepararem uma apresentação de slides mostrando as 14 estações da cruz para o sermão da Páscoa, realizado na igreja. Nathalie Geckeler, que liderou o projeto, conta que somente quatro eram cristãos. Dez dos 13 alunos muçulmanos assistiram ao sermão.
Quando se pergunta aos pais por que eles escolheram a escola católica, a resposta é rápida: "Deus é o mesmo para todos", diz Zohra Hanane, que se esforça para pagar a taxa anual de 249 euros para que a filha Sabrina possa freqüentar a Saint Mauront.
Mas a fé não é o único argumento. Hanane, que é mãe solteira e está desempregada, diz que não quer a filha no meio do "grupo errado". Muitas crianças da região freqüentam a escola pública que tem seis vezes mais alunos do que a católica. "A escola católica é cara, e às vezes é difícil pagar, mas quero que os meus filhos tenham uma vida melhor", diz Hanane. "Atualmente esta parece ser a melhor opção".
Do outro lado da cidade, no prédio brilhante da Escola de Segundo Grau Saint Trinite, no bairro afluente de Mazargues, as regras e as condições são diferentes, mas os argumentos são similares.
As garotas muçulmanas não usam lenços. Mas Imedne Sahraoui, 17, muçulmana praticante e filha de um ex-diplomata argelino que virou empresário, está aqui, acima de tudo, para obter notas altas e ingressar em uma faculdade de administração, de preferência no exterior. "As escolas públicas simplesmente não preparam a gente da mesma forma", diz ela.
Segundo uma recente lista publicada pela revista "L'Express", 15% das 20 melhores escolas de segundo grau francesas são católicas. As escolas católicas continuam sendo populares entre os muçulmanos, até mesmo em cidades nas quais têm surgido instituições muçulmanas de ensino: Paris, Lyon e Lille.
A construção de escolas muçulmana tem sido dificultada em parte pela relativa pobreza da comunidade muçulmana, que conta com menos imóveis do que a Igreja Católica. E somente uma escola muçulmana, a Escola de Segundo Grau Averroes, situada em um andar da mesquita de Lille, atendeu aos requisitos para receber subsídios estatais. As três outras cobram mensalidades substancialmente mais elevadas para poderem sobreviver.
Além disso, conforme observa M'hamed Ed-Dyouri, diretor de uma nova escola muçulmana nos arredores de Paris: "Primeiro temos que mostrar o nosso valor". Por ora, ele pretende matricular o filho em uma escola católica.
Tradução: UOL
Visite o site do International Herald Tribune
Fonte: Universo On-Line
Em Marselha (França)
A cafeteria bem iluminada da Escola Católica Saint Mauront está notavelmente silenciosa: é época do Ramadã, e 80% dos alunos são muçulmanos. Quando soa a campainha anunciando o horário do almoço, meninos e meninas passam em frente a crucifixos e uma grande cruz de madeira no corredor, dirigindo-se à oração muçulmana realizada aproximadamente ao meio-dia.
"Aqui há respeito pela nossa religião", afirma Nadia Oualane, 14, com a cabeça coberta por um lenço preto.
"Na escola pública não me deixariam entrar usando véu", acrescenta ela, apontando para uns prédios próximos. Oualane, que tem ascendência argelina, quer ser a primeira pessoa da sua família a freqüentar uma universidade.
A França possui apenas quatro escolas muçulmanas. Assim, as 8.847 escolas católicas do país tornaram-se um refúgio para os muçulmanos que buscam aquilo que um setor público sobrecarregado e secularista muitas vezes não tem: espiritualidade e um ambiente no qual as boas maneiras contem tanto quanto a matemática e as notas altas.
Não há estatísticas nacionais sobre isso, mas educadores muçulmanos e católicos estimam que atualmente os alunos muçulmanos representam 10% dos dois milhões de estudantes matriculados nas escolas católicas francesas. E nos bairros de Marselha e no norte industrial do país habitados por pessoas de várias etnias, os muçulmanos podem constituir-se em mais da metade dos alunos das escolas católicas.
A migração silenciosa para escolas católicas pagas demonstra o quanto se tornou difícil para as escolas públicas, instrumentos tradicionais para a integração na França, cumprir a promessa de oportunidades iguais - independentemente da cor, do credo e do bairro em que se mora.
Tradicionalmente, a escola republicana, um fruto da Revolução Francesa, é o local de formação dos cidadãos. A debandada de alunos dessas escolas é mais uma indicação do desafio enfrentado pela forma rígida de secularismo conhecida como "laicite".
Após séculos de guerras religiosas e atritos entre a república incipiente e um clero impertinente, uma lei de 1905 garantiu a liberdade religiosa na França predominantemente católica, mas também deixou de fornecer apoio financeiro e reconhecimento formal a todas as religiões. A educação religiosa e os seus símbolos foram banidos das escolas públicas.
À medida que a França tornava-se o lar de cinco milhões de muçulmanos, a maior comunidade islâmica da Europa Ocidental, novas rachaduras surgiram nesse sistema. Em 2004, uma proibição do uso do lenço de cabeça nas escolas públicas gerou protestos e provocou um debate sobre o relaxamento de interpretações da lei de 1905.
"O secularismo tornou-se a religião do Estado, e a escola republicana é o seu templo", diz o imame Soheib Bencheikh, ex-grande mufti de Marselha e fundador do Instituto Superior de Estudos Islâmicos. A filha mais velha de Bencheikh freqüenta uma escola católica.
"É uma ironia. Mas a Igreja Católica de hoje é mais tolerante quanto ao islamismo - e o entende mais - do que o Estado francês", afirma ele.
Para alguns, fatores econômicos fazem das escolas católicas uma boa escolha, já que elas tendem a ser menores do que as escolas públicas e são bem mais baratas do que as escolas particulares em outros países.
Segundo as autoridades que administram as escolas católicas, o governo paga salários aos professores e um subsídio por cada estudante, e em troca estas instituições aplicam o currículo nacional e aceitam alunos de todas as fés.
No sistema educacional francês altamente centralizado, o currículo nacional determina que não haja nenhuma educação religiosa além de exames genéricos sobre fé e dogmas religiosos, conforme ocorre nas aulas de história. A instrução religiosa, como o catecismo católico, é estritamente voluntária.
As escolas católicas têm liberdade para permitir que as meninas usem lenços. Muitas delas impõem a proibição governamental, mas várias outras, como a Saint Mauront, toleram uma versão discreta dessa peça de vestuário.
Situada sob um viaduto, em uma região de projetos urbanos no norte da cidade, a escola encarna as modificações ocorridas na sociedade francesa no decorrer do século passado.
Fundada em 1905, no prédio de uma ex-fábrica de sabão, a princípio a escola atendeu principalmente a alunos católicos franceses, diz o diretor Jean Chamoux. Antes da Segunda Guerra Mundial, alguns imigrantes italianos e portugueses vieram para a região. À partir da década de 1960 foi a vez dos africanos das ex-colônias francesas.
Atualmente há pouquíssimas faces brancas entre os 117 alunos. Cerca de uma em cada cinco garotas cobre a cabeça.
Chamoux, um homem jovial de movimentos vagarosos, está aqui há 20 anos e parece conhecer cada aluno pelo nome. No seu escritório apertado, sob um crucifixo, ele fala das virtudes das escolas católicas. "Nós praticamos a liberdade religiosa, as escolas públicas não", afirma. "Adotamos o currículo nacional. As atividades religiosas são inteiramente opcionais. Se eu proibisse o uso do lenço de cabeça, metade das meninas não freqüentaria escola alguma. Prefiro tê-las aqui, conversar com elas e dizer-lhes que elas contam com uma opção. Muitas na verdade deixam de usar o véu depois de certo tempo. O meu objetivo é garantir que, até se formarem, elas tenham feito uma escolha consciente, qualquer que seja esta escolha".
Os defensores do secularismo respondem dizendo que tal tolerância poderia encorajar outros pedidos especiais e valores anti-ocidentais, tais como a opressão da mulher.
"O lenço de cabeça é um símbolo sexista, a discriminação entre os sexos não tem lugar na escola republicana", afirmou o ministro da Educação, Xavier Darcos, em uma entrevista por telefone. "Este é o motivo básico pelo qual somos contrários ao uso lenço".
Chamoux suspeita que algumas alunas - "uma pequena minoria", diz ele - usam o lenço devido à pressão da família. Ele reconhece que certos pais exigem rotineiramente que as filhas sejam dispensadas das aulas de natação. Quando tal licença é negada, as meninas apresentam atestados médicos e, desta forma, deixam de freqüentar estas aulas. Recentemente ele respondeu com um não quando alunos pediram a remoção do crucifixo de uma sala de aula na qual eles desejavam fazer as orações conjuntas durante o Ramadã.
O professor de biologia foi contestado ao ensinar a Teoria da Evolução de Darwin, e o clima nas aulas de história pode ficar agitado quando se discute as cruzadas ou o conflito israelense-palestino. Chamoux recorda-se que, após os ataques de 11 de setembro de 2001, alguns alunos deixaram os professores chocados com a alegria que manifestaram.
Chamoux diz que a escola toma providências imediatas contra comentários ofensivos, mas tenta também respeitar o islamismo. A escola leva os feriados religiosos muçulmanos em consideração quando planeja as reuniões entre pais e professores. Há dois anos são fornecidas aulas opcionais de árabe, em parte como forma de afastar os alunos das aulas de Alcorão nas mesquitas vizinhas, que, segundo se acredita, pregam o islamismo radical.
Neste ano, 17 alunos se prontificaram a ficar na escola após as aulas, no mês da Quaresma, a fim de prepararem uma apresentação de slides mostrando as 14 estações da cruz para o sermão da Páscoa, realizado na igreja. Nathalie Geckeler, que liderou o projeto, conta que somente quatro eram cristãos. Dez dos 13 alunos muçulmanos assistiram ao sermão.
Quando se pergunta aos pais por que eles escolheram a escola católica, a resposta é rápida: "Deus é o mesmo para todos", diz Zohra Hanane, que se esforça para pagar a taxa anual de 249 euros para que a filha Sabrina possa freqüentar a Saint Mauront.
Mas a fé não é o único argumento. Hanane, que é mãe solteira e está desempregada, diz que não quer a filha no meio do "grupo errado". Muitas crianças da região freqüentam a escola pública que tem seis vezes mais alunos do que a católica. "A escola católica é cara, e às vezes é difícil pagar, mas quero que os meus filhos tenham uma vida melhor", diz Hanane. "Atualmente esta parece ser a melhor opção".
Do outro lado da cidade, no prédio brilhante da Escola de Segundo Grau Saint Trinite, no bairro afluente de Mazargues, as regras e as condições são diferentes, mas os argumentos são similares.
As garotas muçulmanas não usam lenços. Mas Imedne Sahraoui, 17, muçulmana praticante e filha de um ex-diplomata argelino que virou empresário, está aqui, acima de tudo, para obter notas altas e ingressar em uma faculdade de administração, de preferência no exterior. "As escolas públicas simplesmente não preparam a gente da mesma forma", diz ela.
Segundo uma recente lista publicada pela revista "L'Express", 15% das 20 melhores escolas de segundo grau francesas são católicas. As escolas católicas continuam sendo populares entre os muçulmanos, até mesmo em cidades nas quais têm surgido instituições muçulmanas de ensino: Paris, Lyon e Lille.
A construção de escolas muçulmana tem sido dificultada em parte pela relativa pobreza da comunidade muçulmana, que conta com menos imóveis do que a Igreja Católica. E somente uma escola muçulmana, a Escola de Segundo Grau Averroes, situada em um andar da mesquita de Lille, atendeu aos requisitos para receber subsídios estatais. As três outras cobram mensalidades substancialmente mais elevadas para poderem sobreviver.
Além disso, conforme observa M'hamed Ed-Dyouri, diretor de uma nova escola muçulmana nos arredores de Paris: "Primeiro temos que mostrar o nosso valor". Por ora, ele pretende matricular o filho em uma escola católica.
Tradução: UOL
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Fonte: Universo On-Line
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Poder da fé
BRASÍLIA - Nos EUA, os evangélicos formam uma comunidade política poderosa e sem rival em um aspecto: a atuação quase sempre homogênea de seus integrantes nas urnas. Na corrida à Casa Branca de 2004, por exemplo, 78% optaram pelo Partido Republicano. No Brasil, o comportamento de manada não é algo dado. Pesquisa da York University (Canadá) com base em dados do instituto Ipsos mostra que nem Lula, sabidamente um fenômeno eleitoral polarizador, conseguiu esse feito. Em 2002, o petista foi o destinatário da maioria dos votos evangélicos no segundo turno. Em 2006, porém, não obteve entre esses fiéis margens de apoio estatisticamente diferentes. Simone R. Bohn, autora do estudo, acha que, ao menos por ora, o impacto eleitoral dos pentecostais no Brasil pode ser uniforme somente na presença de candidaturas explicitamente identificadas com essas igrejas. A comunidade, segundo ela, ainda não consolidou no país um "grupo de interesse" capaz de concretizar um projeto político. Há obstáculos. O grande número de legendas, em contraste com o bipartidarismo dos EUA. O receio dos caciques de lançar muitos candidatos evangélicos e perder espaço para esses puxadores de voto. A competição entre as próprias igrejas. E a lamentável atuação, entre o folclore e o escândalo, de vários de seus representantes na política. Mas a multiplicação dos fiéis (25 milhões), sua capacidade crescente de mobilização e o sonho de contar com esse eleitorado deixam ouriçada muita gente em Brasília. O governo Lula associa os evangélicos à "nova cidadania" nas grandes cidades, dada a penetração da religião entre os milhões que ascenderam das classes D e C. Com a encomendada desistência de Wagner Montes (PDT) nesta semana, o bispo Marcelo Crivella confirmou-se, ao mesmo tempo, como a ponta-de-lança do Planalto à Prefeitura do Rio e um novo ensaio do voto evangélico no Brasil.
Por MELCHIADES FILHO na Folha de S. Paulo, em março desse ano!
Por MELCHIADES FILHO na Folha de S. Paulo, em março desse ano!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Kaká e papa Bento 16 participarão de leitura da Bíblia, diz jornal
da Folha Onlineda Ansa, em Florença
O meia-atacante brasileiro Kaká, do Milan, o papa Bento 16 e cerca de 1.500 pessoas participarão de uma maratona de leitura da Bíblia, que será transmitida ao vivo e sem interrupções pela TV na Itália, informou o jornal "Il Tirreno".
A leitura terá a duração de 139 horas a partir do dia 5 de outubro. O ator e diretor italiano Roberto Benigni, o cantor Andrea Bocelli, o bispo ortodoxo Hilarion Aleyev, representante da igreja russa na Europa, Maria Bonafede, da Igreja Valdese, também participarão do evento que se chama "A Bíblia dia e noite".
Kaká é seguidor da Igreja Apostólica Renascer em Cristo e já declarou que gostaria de ser pastor após encerrar a carreira de jogador de futebol.
Em fevereiro deste ano, a Renascer expôs o troféu de melhor jogador do mundo de 2007, ganho por Kaká da Fifa, em sua sede.
O atleta também participou da Marcha para Jesus em maio em São Paulo. O evento foi organizado pela Fundação Renascer, personalidade jurídica da Igreja Renascer em Cristo, fundada pelo casal Estevam e Sonia Hernandes. Também participaram igrejas como a Universal, além de vertentes de Assembléias de Deus e igrejas Batistas.
O meia-atacante brasileiro Kaká, do Milan, o papa Bento 16 e cerca de 1.500 pessoas participarão de uma maratona de leitura da Bíblia, que será transmitida ao vivo e sem interrupções pela TV na Itália, informou o jornal "Il Tirreno".
A leitura terá a duração de 139 horas a partir do dia 5 de outubro. O ator e diretor italiano Roberto Benigni, o cantor Andrea Bocelli, o bispo ortodoxo Hilarion Aleyev, representante da igreja russa na Europa, Maria Bonafede, da Igreja Valdese, também participarão do evento que se chama "A Bíblia dia e noite".
Kaká é seguidor da Igreja Apostólica Renascer em Cristo e já declarou que gostaria de ser pastor após encerrar a carreira de jogador de futebol.
Em fevereiro deste ano, a Renascer expôs o troféu de melhor jogador do mundo de 2007, ganho por Kaká da Fifa, em sua sede.
O atleta também participou da Marcha para Jesus em maio em São Paulo. O evento foi organizado pela Fundação Renascer, personalidade jurídica da Igreja Renascer em Cristo, fundada pelo casal Estevam e Sonia Hernandes. Também participaram igrejas como a Universal, além de vertentes de Assembléias de Deus e igrejas Batistas.
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terça-feira, 23 de setembro de 2008
Blogues. Futuros livros? Livros. Futuros blogues?
Na última Bienal do Livro, em São Paulo, a editora Mundo Cristão publicou a obra O Que Estão Fazendo Com a Igreja, do Rev. Augustus Nicodemus Lopes. O livro é uma compilação de posts do Blog O Temporas, O Mores. Os capítulos são posts, sem nenhum acréscimo de textos e, é claro, com a omissão dos comentários.
Quando estava no lançamento, pensei se valeria a pena comprar um livro que li por meio do blog. Pensei e comprei. Comecei e li todo o livro com uma nova impressão: ler blog e um livro não é a mesma coisa, apesar de que o texto seja o mesmo, sem nenhum acréscimo, a minha relação de leitura é diferenciada!
A experiência dessa leitura foi interessantíssima, pois a aproximação com a materialidade dos textos é única... A "aura", ou seja, o contato e relação com a estética de um objeto singular (meu exemplar), como definida pelo crítico alemão Walter Benjamin, corresponde à diferença abissal entre ler os posts no blog e os capítulos no livro, mesmo sendo o mesmo conteúdo.No livro, sou eu e o texto; no blog, sou eu e o mundo; no livro não há contador de visitas; no blog, existe uma fome por audiência. O livro é conversa pessoal, o blog é palestra em auditório. O blog apresenta o blogueiro, o escritor apresenta o livro. Portanto, existem diferenças...
Blogues com as novas tecnologias, os assassinos dos livros?
Muito se apregoa que o livro morrerá diante das novas tecnologias. É... Talvez sim, talvez não! Mas interessante do que essa profecia de morte é ver um blog tornando-se livro e a leitura dessa obra ser mais prazerosa do que o blog!Na Bienal também vi livros em formado de áudio, mas tal inovação não me chamou a atenção e nem vi amontoados de pessoas em cima daqueles best-sellers de MP3! Em compensação, a internet já tirou muitos leitores de jornais, revistas e certamente de livros.
É claro que esse apego com livro seja coisa de uma mente cartesiana, com resquícios de um método de leitura antiga e tradicional. Enquanto insistimos com uma tradição milenar, hoje o mundo multiplica-se em informações e velocidade.
As crianças de hoje não são geração "Sessão da Tarde", como a minha, onde aprendemos e crescemos do lado da TV e vídeos games de cartucho. Hoje, as crianças já entram no universo da internet e cada vez mais estão aprofundadas nas novas tecnologias. A minha geração (Anos 80 e 90) era conhecida pelo seu apego com a TV, mas essa geração 2000 nasceu com a internet pop. A TV não conseguiu acabar com os livros, só diminui a leitura dos "alfabetizados", enquanto isso, a internet tem seu lado de leitura e escrita... A internet tem mais poder sobre os livros do que a televisão!
Conclusão:
Então, será que as nossas tecnologias conseguiram acabar com os livros? É bem provável que não, pois ler livros é estilo de vida. Os blogues não devem ser vistos como os "demolidores" daquele "conjunto de folhas impressas ou manuscritas reunidas num volume". Não, o blogue não veio para destruir, mas para complementar! Veremos ainda, muitos livros tornando-se blogues e muitos blogues tornando-se livros, e eis aí uma parceria interessante, pois teremos a leitura de um mesmo texto por dois ângulos.
Gutierres Siqueira é colaborador da UBE e editor do Blog Teologia Pentecostal.
Quando estava no lançamento, pensei se valeria a pena comprar um livro que li por meio do blog. Pensei e comprei. Comecei e li todo o livro com uma nova impressão: ler blog e um livro não é a mesma coisa, apesar de que o texto seja o mesmo, sem nenhum acréscimo, a minha relação de leitura é diferenciada!
A experiência dessa leitura foi interessantíssima, pois a aproximação com a materialidade dos textos é única... A "aura", ou seja, o contato e relação com a estética de um objeto singular (meu exemplar), como definida pelo crítico alemão Walter Benjamin, corresponde à diferença abissal entre ler os posts no blog e os capítulos no livro, mesmo sendo o mesmo conteúdo.No livro, sou eu e o texto; no blog, sou eu e o mundo; no livro não há contador de visitas; no blog, existe uma fome por audiência. O livro é conversa pessoal, o blog é palestra em auditório. O blog apresenta o blogueiro, o escritor apresenta o livro. Portanto, existem diferenças...
Blogues com as novas tecnologias, os assassinos dos livros?
Muito se apregoa que o livro morrerá diante das novas tecnologias. É... Talvez sim, talvez não! Mas interessante do que essa profecia de morte é ver um blog tornando-se livro e a leitura dessa obra ser mais prazerosa do que o blog!Na Bienal também vi livros em formado de áudio, mas tal inovação não me chamou a atenção e nem vi amontoados de pessoas em cima daqueles best-sellers de MP3! Em compensação, a internet já tirou muitos leitores de jornais, revistas e certamente de livros.
É claro que esse apego com livro seja coisa de uma mente cartesiana, com resquícios de um método de leitura antiga e tradicional. Enquanto insistimos com uma tradição milenar, hoje o mundo multiplica-se em informações e velocidade.
As crianças de hoje não são geração "Sessão da Tarde", como a minha, onde aprendemos e crescemos do lado da TV e vídeos games de cartucho. Hoje, as crianças já entram no universo da internet e cada vez mais estão aprofundadas nas novas tecnologias. A minha geração (Anos 80 e 90) era conhecida pelo seu apego com a TV, mas essa geração 2000 nasceu com a internet pop. A TV não conseguiu acabar com os livros, só diminui a leitura dos "alfabetizados", enquanto isso, a internet tem seu lado de leitura e escrita... A internet tem mais poder sobre os livros do que a televisão!
Conclusão:
Então, será que as nossas tecnologias conseguiram acabar com os livros? É bem provável que não, pois ler livros é estilo de vida. Os blogues não devem ser vistos como os "demolidores" daquele "conjunto de folhas impressas ou manuscritas reunidas num volume". Não, o blogue não veio para destruir, mas para complementar! Veremos ainda, muitos livros tornando-se blogues e muitos blogues tornando-se livros, e eis aí uma parceria interessante, pois teremos a leitura de um mesmo texto por dois ângulos.
Gutierres Siqueira é colaborador da UBE e editor do Blog Teologia Pentecostal.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Crepúsculo dos Deuses e a iconofagia

No filme Crepúsculo dos Deuses*, a famosa atriz do cinema mudo Norma Desmond vive mergulhada no esquecimento. Dantes, uma gloriosa representante do cinema, que expressava arte e beleza por meio das imagens; mas agora ignorada pelo novo cinema com as inovações tecnológicas de sons nos filmes. “O cinema mudou”, essa era uma verdade ignorada por Norma Desmond, que a sua arrogância de estrela de Hollywood não a deixava enxergar.
A transitoriedade da fama é tema bem descrito no filme e demonstra o reflexo máximo da iconofagia na sociedade imagética. Iconofagia é a expressão que designa que as imagens devoram outras imagens, da mesma forma que novos famosos fazem os antigos caírem no esquecimento. A “Casa dos Artistas”, instituição que cuida daqueles famosos que sucumbiram na miséria, demonstra como o esquecimento é, para os famosos, o maior dos inimigos. Hoje, o galã da novela das oito será devorado pelo próximo galã, que no futuro próximo surgirá do anonimato. Não existem galãs intransponíveis!
No Crepúsculo dos Deuses o mordomo Max von Mayerling, alimenta o ego de Desmond, sua ex-esposa e agora patroa, escrevendo cartas de fãs fictícios, alimentando uma ilusão.
Quando Norma Desmond descobre Joe Gillis, um roteirista endividado e fujão; vê nesse homem a oportunidade de expor sua glória, mas essa glória já não mais existe. Sem talento nos roteiros, tenta em vão empurrar suas histórias que já não mais fazem história. Além de contratá-lo com seu roteirista, acaba por se envolver emocionalmente.
Norma Desmond, com a humanidade na sociedade imagética, não percebeu que as imagens voam como “velocidade e voracidade” e que as imagens que a substituíram no cinema logo passariam com final de tarde.
Norma Desmond foi uma imagem do passado, mas seu “brilho” remeteu para outras construções imagéticas. O legado da imagem sempre permanecerá, mas não em sua forma original. Não existiriam artistas no cinema moderno, com sons e imagens, se os atores do cinema mudo não tivessem cativado o público.
Na esperança de gravar seu famoso filme “Salomé”, Norma Desmond entra nos Estúdios Paramount, ao encontro do diretor Cecil B. DeMille. Ela se fascina com a “selva” de imagens produzidas por aqueles produtores. A iconofagia somente existe devido à abundância imagética. Quando mais recente é a produção artístico-cultural, o imperialismo das imagens se mostra forte e constante.
Desmond começa a exergar que sua fama acabou e que o roteiro de “Salomé” não sairia. O amante Joe Gillis, seu roteirista, estava ajudando à talentosa Betty Schaefer, para ascensão no cinema contemporâneo... Ou seja, perdeu o amor e o profissional. Em excesso de loucura, a decadente atriz saca uma arma e atira em Gillis, que mergulha na grande piscina da vazia mansão localizada na Sunset Boulevard.
A última cena do filme é a encarnação da iconofagia. Norma Desmond desce as escadas, chamada por Max, seu mordomo, pensamento que está diante de câmeras com película, mas são os repórteres policiais. Para Desmond, ela estava representando “Salomé”, mas os tablóides já taxavam de assassina. Uma imagem devorou outra!
A transitoriedade da fama é tema bem descrito no filme e demonstra o reflexo máximo da iconofagia na sociedade imagética. Iconofagia é a expressão que designa que as imagens devoram outras imagens, da mesma forma que novos famosos fazem os antigos caírem no esquecimento. A “Casa dos Artistas”, instituição que cuida daqueles famosos que sucumbiram na miséria, demonstra como o esquecimento é, para os famosos, o maior dos inimigos. Hoje, o galã da novela das oito será devorado pelo próximo galã, que no futuro próximo surgirá do anonimato. Não existem galãs intransponíveis!
No Crepúsculo dos Deuses o mordomo Max von Mayerling, alimenta o ego de Desmond, sua ex-esposa e agora patroa, escrevendo cartas de fãs fictícios, alimentando uma ilusão.
Quando Norma Desmond descobre Joe Gillis, um roteirista endividado e fujão; vê nesse homem a oportunidade de expor sua glória, mas essa glória já não mais existe. Sem talento nos roteiros, tenta em vão empurrar suas histórias que já não mais fazem história. Além de contratá-lo com seu roteirista, acaba por se envolver emocionalmente.
Norma Desmond, com a humanidade na sociedade imagética, não percebeu que as imagens voam como “velocidade e voracidade” e que as imagens que a substituíram no cinema logo passariam com final de tarde.
Norma Desmond foi uma imagem do passado, mas seu “brilho” remeteu para outras construções imagéticas. O legado da imagem sempre permanecerá, mas não em sua forma original. Não existiriam artistas no cinema moderno, com sons e imagens, se os atores do cinema mudo não tivessem cativado o público.
Na esperança de gravar seu famoso filme “Salomé”, Norma Desmond entra nos Estúdios Paramount, ao encontro do diretor Cecil B. DeMille. Ela se fascina com a “selva” de imagens produzidas por aqueles produtores. A iconofagia somente existe devido à abundância imagética. Quando mais recente é a produção artístico-cultural, o imperialismo das imagens se mostra forte e constante.
Desmond começa a exergar que sua fama acabou e que o roteiro de “Salomé” não sairia. O amante Joe Gillis, seu roteirista, estava ajudando à talentosa Betty Schaefer, para ascensão no cinema contemporâneo... Ou seja, perdeu o amor e o profissional. Em excesso de loucura, a decadente atriz saca uma arma e atira em Gillis, que mergulha na grande piscina da vazia mansão localizada na Sunset Boulevard.
A última cena do filme é a encarnação da iconofagia. Norma Desmond desce as escadas, chamada por Max, seu mordomo, pensamento que está diante de câmeras com película, mas são os repórteres policiais. Para Desmond, ela estava representando “Salomé”, mas os tablóides já taxavam de assassina. Uma imagem devorou outra!
* Saiba mais sobre o filme:
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Bom motivo para orar!
Preparem-se meus jovens amigos, para se tornarem cada vez mais fracos; preparem-se para mergulhar a níveis cada vez mais baixos de auto-estima e orem para que Deus apresse este processo
Charles H. Spurgeon
Charles H. Spurgeon
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Cuba pede que EUA suspendam embargo
O governo cubano pediu aos Estados Unidos que suspendam por seis meses o embargo imposto ao país há mais de 40 anos, para que lide com os danos causados por furacões.
Em nota divulgada no jornal oficial, Granma, o governo cubano agradece a ajuda humanitária oferecida pelas autoridades americanas, dizendo que "nosso país não pode aceitar uma doação do governo que nos bloqueia".
Mas o governo cubano ressalta que "está disposto a comprar os materiais indispensáveis que as empresas americanas exportam aos mercados".
A nota solicita ainda que o governo americano também permita a bancos e instituições privadas e oficiais do país para concederem a Cuba créditos "normais em todas as operações comerciais" para financiar as compras.
"Se o governo dos Estados Unidos não deseja fazê-lo definitivamente, o de Cuba solicita que ao menos o autorize durante os próximos seis meses", afirma a declaração.
O governo americano havia oferecido inicialmente cerca de US$ 100 mil, com a possibilidade de aumentar esse montante após avaliação de uma equipe que os Estados Unidos se dispunham a enviar a Cuba.
As autoridades cubanas, contudo, recusaram a ajuda, dizendo que "não necessita de assistência de um grupo de avaliação humanitária para verificar os danos e necessidades pois conta com especialistas suficientes, que praticamente já concluíram este trabalho".
O país foi afetado por vários furacões em poucos dias, especialmente por Gustav e Ike e, segundo as autoridades, destruíram mais de 90 mil casas, causando danos no valor de milhões de dólares.
O Ministério do Açúcar informou que Ike destruiu quase a metade da colheita anual de cana.
Cuba recebeu ajuda de vários países latino-americanos e europeus. Entre eles estão Brasil, Rússia e Espanha.
Os Estados Unidos impuseram o embargo a Cuba em 1962, pouco depois da chegada de Fidel Castro ao poder.
Fonte: BBC
PS: O mundo dá muitas voltas...
Em nota divulgada no jornal oficial, Granma, o governo cubano agradece a ajuda humanitária oferecida pelas autoridades americanas, dizendo que "nosso país não pode aceitar uma doação do governo que nos bloqueia".
Mas o governo cubano ressalta que "está disposto a comprar os materiais indispensáveis que as empresas americanas exportam aos mercados".
A nota solicita ainda que o governo americano também permita a bancos e instituições privadas e oficiais do país para concederem a Cuba créditos "normais em todas as operações comerciais" para financiar as compras.
"Se o governo dos Estados Unidos não deseja fazê-lo definitivamente, o de Cuba solicita que ao menos o autorize durante os próximos seis meses", afirma a declaração.
O governo americano havia oferecido inicialmente cerca de US$ 100 mil, com a possibilidade de aumentar esse montante após avaliação de uma equipe que os Estados Unidos se dispunham a enviar a Cuba.
As autoridades cubanas, contudo, recusaram a ajuda, dizendo que "não necessita de assistência de um grupo de avaliação humanitária para verificar os danos e necessidades pois conta com especialistas suficientes, que praticamente já concluíram este trabalho".
O país foi afetado por vários furacões em poucos dias, especialmente por Gustav e Ike e, segundo as autoridades, destruíram mais de 90 mil casas, causando danos no valor de milhões de dólares.
O Ministério do Açúcar informou que Ike destruiu quase a metade da colheita anual de cana.
Cuba recebeu ajuda de vários países latino-americanos e europeus. Entre eles estão Brasil, Rússia e Espanha.
Os Estados Unidos impuseram o embargo a Cuba em 1962, pouco depois da chegada de Fidel Castro ao poder.
Fonte: BBC
PS: O mundo dá muitas voltas...
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Avanço da Igreja Católica na mídia

O avanço dos católicos na mídiaIgreja se profissionaliza nos meios de comunicação para conquistar fiéis
Por Carina Rabelo Fotos Murillo Constantino
Há quem diga que Jesus Cristo tenha sido o grande comunicador da história das religiões. Em seus discursos, ele se posicionava a favor do vento para que sua voz ganhasse amplitude. Utilizava a simbologia da palavra "pastor" para mostrar a importância de ser líder das "ovelhas desgarradas". Nos sermões para as multidões, a montanha era seu palco. A tática, mesmo que não intencional, funcionou. Milhões de pessoas se viram - e se vêem - representadas em suas metáforas, arquétipos e alegorias.
Continue lendo no site: http://www.terra.com.br/istoe/
domingo, 14 de setembro de 2008
Entrevista com John Stott
Entrevista a Tim Stafford em 13 de outubro de 2006.
Em 2004, David Brooks, colunista do New York Times, escreveu que, se os evangélicos fossem escolher um papa, o eleito seria, muito provavelmente, John Stott que, aos 85 anos, encontra-se no centro da renovação evangélica que ocorre no Reino Unido. Seus livros e sermões bíblicos já cativaram milhões de pessoas por todo o mundo. Está sempre envolvido com concílios e diálogos mundiais importantes, inclusive como presidente do comitê que elaborou o Pacto de Lausanne (1974) e o Manifesto de Manila (1989) – dois documentos importantes para os evangélicos. Há mais de 35 anos ele dedica, todos os anos, três meses para viajar pelo mundo, dando atenção especial às igrejas localizadas em regiões onde o cristianismo é minoria. é pessoa mais do que adequada para comentar o passado, presente e futuro dos evangélicos. O repórter Tim Stafford, da revista Christianity Today, entrevistou John Stott em sua casa, em Londres.
Segundo sua opinião, o que é ser evangélico, e qual a importância disso?
JOHN STOTT - Um evangélico é um cristão simples e comum. Situamo-nos no centro do cristianismo histórico, bíblico e ortodoxo. Por isso podemos recitar o Credo Apostólico e o Niceno sem temor. Cremos em Deus Pai, em Jesus Cristo e no Espírito Santo.
Tendo dito isso, há dois aspectos que quero enfatizar: por um lado, a preocupação com a autoridade e, por outro, a salvação.
Para os evangélicos, a autoridade é Deus, que falou de modo supremo em Jesus Cristo. E isso vale também para a redenção, ou salvação. Deus agiu em e através de Jesus Cristo para salvar os pecadores.
Creio ser necessário que, para os evangélicos, acrescentar o que Deus falou em Cristo e no testemunho bíblico sobre Ele, e o que Deus fez em e através de Cristo são, ambos, para usar o termo grego, hapax – que significa "de uma vez por todas". A palavra e a obra de Deus em Cristo são definitivas. Imaginar que podemos acrescentar uma palavra sequer à palavra ou à obra dele é um desprezo imenso pela glória única de nosso Senhor Jesus Cristo.
Você não mencionou a Bíblia, e isso pode surpreender algumas pessoas.
Na verdade eu mencionei, mas você não notou. Falei Cristo e o testemunho bíblico sobre Cristo. Mas a ênfase realmente distintiva repousa em Cristo. Se você quer assim, pretendo passar a convicção de um livro para uma pessoa. O próprio Jesus afirmou que as Escrituras dão testemunho dele. A principal função delas é testemunhar de Cristo.
Parte da implicação do que você diz é que os evangélicos não devem ser um povo com inspiração negativa. Nosso verdadeiro foco deve ser a glória de Cristo.
Creio firmemente nisso. Cremos na autoridade da Bíblia porque Cristo a endossou. Ele se coloca entre os dois testamentos. Olhando para o passado, o Antigo Testamento, vemos que Ele o confirmou. Olhando para frente, para o Novo Testamento, aceitamos por causa do testemunho dos apóstolos sobre Cristo. De forma deliberada, Ele escolheu, nomeou e preparou os apóstolos, para testemunharem sobre Ele. Gosto de ver Cristo no centro, confirmando o antigo e apontando para o novo. Embora a questão do cânon do Novo Testamento seja complicada, em geral somos capazes de afirmar que o que é canônico é apostólico.
Em que a posição dos evangélicos mudou durante os anos de seu ministério?
Olho para trás – fui ordenado há 61 anos – e lembro que quando comecei na Igreja da Inglaterra, os evangélicos eram uma minoria desprezada e rejeitada. Os bispos não perdiam a menor oportunidade para nos ridicularizar. Nos 60 anos seguintes, vi o movimento evangelical na Inglaterra crescer em tamanho, em maturidade, e com certeza, em erudição. Por isso, penso em termos de influência e impacto. Saímos de um gueto e nos colocamos em posição de predomínio, lugar muito perigoso.
Você pode comentar sobre os perigos?
O orgulho é o perigo que está presente sempre e que se coloca diante de nós. Em muitos aspectos, é bom sermos desprezados e rejeitados. Penso nas palavras de Jesus: "Ai de vocês, quando todos falarem bem de vocês".
Voltando ao hapax, é um conceito que acarreta humildade. A essência da fé evangélica é muito humilhante. William Temple disse: "A única coisa minha com que contribuo para a redenção é o pecado do qual preciso ser redimido".
Temos visto, também, um enorme crescimento da Igreja por todo o mundo, em grande parte nas linhas evangélicas. Qual a sua opinião sobre a importância disso?
Esse crescimento enorme é o cumprimento da promessa de Deus a Abraão registrado em Gênesis 12.1-4. Deus prometeu a Abraão abençoar não apenas a ele, ou a sua família e sua posteridade, mas, através da posteridade dele, abençoar todas as famílias da terra. Sempre que vemos uma congregação multiétnica, presenciamos o cumprimento dessa maravilhosa promessa de Deus. Promessa feita a Abraão, há 4.000 anos e que se cumpre hoje, bem diante de nossos olhos.
Provavelmente, você conhece melhor essa Igreja que cresce do que qualquer outro ocidental. Gostaria de saber sua avaliação sobre ela.
A resposta é "crescimento sem profundidade". Ninguém contesta o crescimento imenso da Igreja, mas tem sido, em grande escala, numérico e estatístico. E o crescimento do discipulado não tem sido equivalente ao aumento dos números.
Como a igreja ocidental, que com certeza tem seus próprios problemas, pode interagir com a igreja não-ocidental? Neste exato momento muitas igrejas enviam grupos missionários para todas as partes do mundo.
Com toda certeza quero ter opinião positiva sobre viagens missionárias de curto prazo e creio que, no todo, são boas. Certamente dão aos ocidentais uma oportunidade maravilhosa de saborear o cristianismo do sul e de serem desafiados por ele, particularmente pela vitalidade exuberante que apresenta. Mas penso que os líderes dessas viagens missionárias agiriam com sabedoria advertindo os membros de que é uma experiência muito limitada, em uma missão transcultural.
A verdadeira missão, baseada no exemplo de Jesus, envolve penetrar em outro mundo, de outra cultura. A missão transcultural, em que o missionário encarna a outra cultura, é cara e pode ter um preço alto a pagar. O que quero dizer é: devemos entender que, quando Deus chama um missionário transcultural, serão necessários 10 anos para aprender a língua e conhecer a outra cultura e, assim ser, mais ou menos aceito, como parte do mesmo povo.
Então, não há como substituir um missionário de longo prazo?
Creio que não, à exceção de cristãos da mesma cultura.
E o que dizer sobre o que alguns dizem ser o maior campo missionário, sua própria cultura secularizadora ou secularizada? O que precisamos fazer para alcançar essa sociedade a cada dia mais pagã?
Penso que precisamos dizer um ao outro que ela não é tão secular quanto parece. Acredito que essas pessoas que taxamos como seculares se lançam à busca de pelo menos três coisas. A primeira é transcendência. é interessante notar que nessa cultura que classificamos como secular tanta gente procura alguma coisa além. Considero isso um grande desafio à qualidade de nosso testemunho cristão. Será que ele oferece às pessoas o que elas buscam instintivamente, ou seja, a transcendência, a realidade de Deus?
A segunda é a busca de significado. Quase todo mundo procura sua identidade pessoal. Quem sou eu, de onde vim, para onde vou, qual o sentido da vida? Isso desafia a qualidade de nosso ensino cristão. Precisamos ensinar às pessoas quem elas são, já que elas não sabem. Nós sabemos. Elas são seres humanos criados à imagem de Deus, embora a imagem esteja maculada.
A terceira coisa é a busca de comunhão. Em toda parte as pessoas procuram comunhão, relacionamentos de amor. Esse é um desafio à nossa comunhão. Gosto muito do que está escrito em 1 João 4.12: "Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós". A invisibilidade de Deus é um grande problema para muita gente. A questão é: como Deus resolveu essa questão? Primeiro, com Cristo, Deus tornou-se visível. O evangelho de João diz (1.18): "Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido".
Muitos dizem que isso é maravilhoso, mas que aconteceu há 2.000 anos. Então, em 1 João 4.12, ele inicia com exatamente a mesma fórmula: ninguém jamais viu a Deus. Mas, dessa vez, João prossegue: "se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós". O mesmo Deus invisível, que através de Jesus se fez visível, agora se torna visível através da comunidade cristã, se nos amarmos uns aos outros. E qualquer proclamação oral do evangelho será inútil se não for feita por uma comunidade cheia de amor.
Esses três elementos de nossa humanidade estão ao nosso favor para o evangelismo, porque as pessoas buscam exatamente o que temos a oferecer.
Então você não desistiu do ocidente?
Não desisti, mas acredito que o evangelismo deve se dar através da igreja local, da comunidade, e não dos indivíduos. A igreja deveria ser uma sociedade alternativa, sinal visível do reino. E a tragédia é que as igrejas locais muitas vezes falham em demonstrar comunhão.
Você quer falar sobre pregação?
Nunca me canso desse assunto. Sou um defensor inclemente da importância da pregação. Claro que se trata de pregação bíblica.
A pregação bíblica tem enfrentado grandes dificuldades em muitos lugares. O que você tem a dizer a um pastor que tenta, em desespero, prender a atenção do povo e, na verdade não tem a confiança que capacita a pessoa a pregar sobre um texto bíblico?
O problema é o mesmo em toda parte do mundo. Igrejas vivem, crescem e florescem pela Palavra de Deus. E murcham e até mesmo perecem na ausência dela.
Então, a Langham Partnership International (Parceria internacional Langham, instituição sem fins lucrativos fundada por Stott) possui três convicções básicas. A primeira é que Deus quer o crescimento da Igreja, que é dele. Um dos versículos que expressa isso com mais propriedade é Colossenses 1.28-29, onde Paulo diz que proclamamos a Cristo, alertando e ensinando a todos em toda sabedoria, para nos apresentarmos todos maduros em Cristo. Há um chamado claro à maturidade e ao crescimento.
Segundo, ela cresce pela Palavra de Deus. Suponho que você concorde que há outras formas de crescimento para a Igreja, mas, olhando o Novo Testamento como um todo, vemos que é a Palavra de Deus que amadurece o povo dele.
Isso me leva à terceira convicção: a Palavra de Deus chega ao povo, principalmente, pela pregação. Costumo imaginar, nas manhãs de domingo, o espetáculo maravilhoso do povo de Deus convergindo para os lugares de adoração por todo o mundo. Vão a catedrais construídas na Idade Média, a igrejas domiciliares, ao ar livre. Sabem que durante o ato de adoração haverá um sermão, que será bíblico, para que possam crescer através da Palavra de Deus.
Quando subo ao púlpito com a Bíblia nas mãos e no coração, o sangue me corre mais rápido pelas veias e meus olhos brilham devido à glória imensa de ter a Palavra de Deus para apresentar. Precisamos enfatizar a glória e o privilégio de compartilhar a verdade de Deus com o povo.
Que rumo nós, evangélicos, devemos tomar? Passamos por muitos percalços nos últimos 50 anos.
Minha resposta imediata é que precisamos ir além do evangelismo, que não deve ser especialidade dos evangélicos. Bem, sou totalmente comprometido com a evangelização do mundo. Porém, precisamos olhar além do evangelismo, para o poder transformador do Evangelho, tanto dos indivíduos quanto da sociedade.
Com relação aos indivíduos, noto a ausência, nas expressões diversas da fé evangélica, da busca pela santidade que caracterizou nossos antepassados, que fundaram o movimento Keswick, por exemplo, e a procura do que eles às vezes chamavam de santidade bíblica ou prática. Não sei como, mas santidade parece ter um sentido de falsidade. As pessoas não gostam de ser chamadas de santas, mas no Novo Testamento, santidade é semelhança a Cristo. Gostaria que todo o movimento evangélico tomasse a decisão consciente de crescer na semelhança a Cristo, da forma descrita em Gálatas 5.22-23.
Com respeito à transformação social, tenho refletido muito sobre as metáforas que o próprio Jesus escolheu em Mateus 5, o Sermão do Monte – o sal e a luz. "Vocês são o sal da terra; vocês são a luz do mundo". Parece-me que esses modelos apresentam pelo menos três elementos.
Primeiro, os cristãos são totalmente diferentes dos não-cristãos. Se não são, deveriam ser. Jesus coloca as duas comunidades em oposição. De um lado está o mundo, do outro estão vocês, que são a luz para o mundo sombrio. Jesus indicou que somos tão diferentes do mundo quanto a luz das trevas e o sal da deterioração.
Segundo, os cristãos precisam permear a sociedade não-cristã. O sal não serve para nada no saleiro. A luz não ajuda em nada se ficar escondida embaixo da cama ou em um balde. Ela precisa penetrar nas trevas. Então, as duas metáforas nos convidam a ser não apenas diferentes, mas a permear a sociedade.
Terceiro, a implicação mais controversa, as metáforas do sal e da luz indicam que os cristãos podem transformar a sociedade. Os modelos têm esse sentido, já que tanto o sal quanto a luz são bens eficientes, que transformam o ambiente em que são colocados. O sal impede a deterioração por bactérias. A luz dissipa as trevas. Não se trata de ressuscitar o evangelho social. Não podemos aperfeiçoar a sociedade, mas podemos melhorá-la.
Minha esperança é que, no futuro, líderes evangélicos incluam em sua agenda social tópicos essenciais, embora controvertidos, como alterações climáticas, erradicação da pobreza, fim das armas de destruição em massa, além de reagir de forma correta à pandemia da AIDS, defendendo os direitos humanos de mulheres e crianças em todas as culturas. Espero que nossa agenda não permaneça tão limitada quanto é hoje.
Copyright © 2008 por Christianity Today International
Fonte: Revista Cristianismo Hoje
Em 2004, David Brooks, colunista do New York Times, escreveu que, se os evangélicos fossem escolher um papa, o eleito seria, muito provavelmente, John Stott que, aos 85 anos, encontra-se no centro da renovação evangélica que ocorre no Reino Unido. Seus livros e sermões bíblicos já cativaram milhões de pessoas por todo o mundo. Está sempre envolvido com concílios e diálogos mundiais importantes, inclusive como presidente do comitê que elaborou o Pacto de Lausanne (1974) e o Manifesto de Manila (1989) – dois documentos importantes para os evangélicos. Há mais de 35 anos ele dedica, todos os anos, três meses para viajar pelo mundo, dando atenção especial às igrejas localizadas em regiões onde o cristianismo é minoria. é pessoa mais do que adequada para comentar o passado, presente e futuro dos evangélicos. O repórter Tim Stafford, da revista Christianity Today, entrevistou John Stott em sua casa, em Londres.
Segundo sua opinião, o que é ser evangélico, e qual a importância disso?
JOHN STOTT - Um evangélico é um cristão simples e comum. Situamo-nos no centro do cristianismo histórico, bíblico e ortodoxo. Por isso podemos recitar o Credo Apostólico e o Niceno sem temor. Cremos em Deus Pai, em Jesus Cristo e no Espírito Santo.
Tendo dito isso, há dois aspectos que quero enfatizar: por um lado, a preocupação com a autoridade e, por outro, a salvação.
Para os evangélicos, a autoridade é Deus, que falou de modo supremo em Jesus Cristo. E isso vale também para a redenção, ou salvação. Deus agiu em e através de Jesus Cristo para salvar os pecadores.
Creio ser necessário que, para os evangélicos, acrescentar o que Deus falou em Cristo e no testemunho bíblico sobre Ele, e o que Deus fez em e através de Cristo são, ambos, para usar o termo grego, hapax – que significa "de uma vez por todas". A palavra e a obra de Deus em Cristo são definitivas. Imaginar que podemos acrescentar uma palavra sequer à palavra ou à obra dele é um desprezo imenso pela glória única de nosso Senhor Jesus Cristo.
Você não mencionou a Bíblia, e isso pode surpreender algumas pessoas.
Na verdade eu mencionei, mas você não notou. Falei Cristo e o testemunho bíblico sobre Cristo. Mas a ênfase realmente distintiva repousa em Cristo. Se você quer assim, pretendo passar a convicção de um livro para uma pessoa. O próprio Jesus afirmou que as Escrituras dão testemunho dele. A principal função delas é testemunhar de Cristo.
Parte da implicação do que você diz é que os evangélicos não devem ser um povo com inspiração negativa. Nosso verdadeiro foco deve ser a glória de Cristo.
Creio firmemente nisso. Cremos na autoridade da Bíblia porque Cristo a endossou. Ele se coloca entre os dois testamentos. Olhando para o passado, o Antigo Testamento, vemos que Ele o confirmou. Olhando para frente, para o Novo Testamento, aceitamos por causa do testemunho dos apóstolos sobre Cristo. De forma deliberada, Ele escolheu, nomeou e preparou os apóstolos, para testemunharem sobre Ele. Gosto de ver Cristo no centro, confirmando o antigo e apontando para o novo. Embora a questão do cânon do Novo Testamento seja complicada, em geral somos capazes de afirmar que o que é canônico é apostólico.
Em que a posição dos evangélicos mudou durante os anos de seu ministério?
Olho para trás – fui ordenado há 61 anos – e lembro que quando comecei na Igreja da Inglaterra, os evangélicos eram uma minoria desprezada e rejeitada. Os bispos não perdiam a menor oportunidade para nos ridicularizar. Nos 60 anos seguintes, vi o movimento evangelical na Inglaterra crescer em tamanho, em maturidade, e com certeza, em erudição. Por isso, penso em termos de influência e impacto. Saímos de um gueto e nos colocamos em posição de predomínio, lugar muito perigoso.
Você pode comentar sobre os perigos?
O orgulho é o perigo que está presente sempre e que se coloca diante de nós. Em muitos aspectos, é bom sermos desprezados e rejeitados. Penso nas palavras de Jesus: "Ai de vocês, quando todos falarem bem de vocês".
Voltando ao hapax, é um conceito que acarreta humildade. A essência da fé evangélica é muito humilhante. William Temple disse: "A única coisa minha com que contribuo para a redenção é o pecado do qual preciso ser redimido".
Temos visto, também, um enorme crescimento da Igreja por todo o mundo, em grande parte nas linhas evangélicas. Qual a sua opinião sobre a importância disso?
Esse crescimento enorme é o cumprimento da promessa de Deus a Abraão registrado em Gênesis 12.1-4. Deus prometeu a Abraão abençoar não apenas a ele, ou a sua família e sua posteridade, mas, através da posteridade dele, abençoar todas as famílias da terra. Sempre que vemos uma congregação multiétnica, presenciamos o cumprimento dessa maravilhosa promessa de Deus. Promessa feita a Abraão, há 4.000 anos e que se cumpre hoje, bem diante de nossos olhos.
Provavelmente, você conhece melhor essa Igreja que cresce do que qualquer outro ocidental. Gostaria de saber sua avaliação sobre ela.
A resposta é "crescimento sem profundidade". Ninguém contesta o crescimento imenso da Igreja, mas tem sido, em grande escala, numérico e estatístico. E o crescimento do discipulado não tem sido equivalente ao aumento dos números.
Como a igreja ocidental, que com certeza tem seus próprios problemas, pode interagir com a igreja não-ocidental? Neste exato momento muitas igrejas enviam grupos missionários para todas as partes do mundo.
Com toda certeza quero ter opinião positiva sobre viagens missionárias de curto prazo e creio que, no todo, são boas. Certamente dão aos ocidentais uma oportunidade maravilhosa de saborear o cristianismo do sul e de serem desafiados por ele, particularmente pela vitalidade exuberante que apresenta. Mas penso que os líderes dessas viagens missionárias agiriam com sabedoria advertindo os membros de que é uma experiência muito limitada, em uma missão transcultural.
A verdadeira missão, baseada no exemplo de Jesus, envolve penetrar em outro mundo, de outra cultura. A missão transcultural, em que o missionário encarna a outra cultura, é cara e pode ter um preço alto a pagar. O que quero dizer é: devemos entender que, quando Deus chama um missionário transcultural, serão necessários 10 anos para aprender a língua e conhecer a outra cultura e, assim ser, mais ou menos aceito, como parte do mesmo povo.
Então, não há como substituir um missionário de longo prazo?
Creio que não, à exceção de cristãos da mesma cultura.
E o que dizer sobre o que alguns dizem ser o maior campo missionário, sua própria cultura secularizadora ou secularizada? O que precisamos fazer para alcançar essa sociedade a cada dia mais pagã?
Penso que precisamos dizer um ao outro que ela não é tão secular quanto parece. Acredito que essas pessoas que taxamos como seculares se lançam à busca de pelo menos três coisas. A primeira é transcendência. é interessante notar que nessa cultura que classificamos como secular tanta gente procura alguma coisa além. Considero isso um grande desafio à qualidade de nosso testemunho cristão. Será que ele oferece às pessoas o que elas buscam instintivamente, ou seja, a transcendência, a realidade de Deus?
A segunda é a busca de significado. Quase todo mundo procura sua identidade pessoal. Quem sou eu, de onde vim, para onde vou, qual o sentido da vida? Isso desafia a qualidade de nosso ensino cristão. Precisamos ensinar às pessoas quem elas são, já que elas não sabem. Nós sabemos. Elas são seres humanos criados à imagem de Deus, embora a imagem esteja maculada.
A terceira coisa é a busca de comunhão. Em toda parte as pessoas procuram comunhão, relacionamentos de amor. Esse é um desafio à nossa comunhão. Gosto muito do que está escrito em 1 João 4.12: "Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós". A invisibilidade de Deus é um grande problema para muita gente. A questão é: como Deus resolveu essa questão? Primeiro, com Cristo, Deus tornou-se visível. O evangelho de João diz (1.18): "Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido".
Muitos dizem que isso é maravilhoso, mas que aconteceu há 2.000 anos. Então, em 1 João 4.12, ele inicia com exatamente a mesma fórmula: ninguém jamais viu a Deus. Mas, dessa vez, João prossegue: "se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós". O mesmo Deus invisível, que através de Jesus se fez visível, agora se torna visível através da comunidade cristã, se nos amarmos uns aos outros. E qualquer proclamação oral do evangelho será inútil se não for feita por uma comunidade cheia de amor.
Esses três elementos de nossa humanidade estão ao nosso favor para o evangelismo, porque as pessoas buscam exatamente o que temos a oferecer.
Então você não desistiu do ocidente?
Não desisti, mas acredito que o evangelismo deve se dar através da igreja local, da comunidade, e não dos indivíduos. A igreja deveria ser uma sociedade alternativa, sinal visível do reino. E a tragédia é que as igrejas locais muitas vezes falham em demonstrar comunhão.
Você quer falar sobre pregação?
Nunca me canso desse assunto. Sou um defensor inclemente da importância da pregação. Claro que se trata de pregação bíblica.
A pregação bíblica tem enfrentado grandes dificuldades em muitos lugares. O que você tem a dizer a um pastor que tenta, em desespero, prender a atenção do povo e, na verdade não tem a confiança que capacita a pessoa a pregar sobre um texto bíblico?
O problema é o mesmo em toda parte do mundo. Igrejas vivem, crescem e florescem pela Palavra de Deus. E murcham e até mesmo perecem na ausência dela.
Então, a Langham Partnership International (Parceria internacional Langham, instituição sem fins lucrativos fundada por Stott) possui três convicções básicas. A primeira é que Deus quer o crescimento da Igreja, que é dele. Um dos versículos que expressa isso com mais propriedade é Colossenses 1.28-29, onde Paulo diz que proclamamos a Cristo, alertando e ensinando a todos em toda sabedoria, para nos apresentarmos todos maduros em Cristo. Há um chamado claro à maturidade e ao crescimento.
Segundo, ela cresce pela Palavra de Deus. Suponho que você concorde que há outras formas de crescimento para a Igreja, mas, olhando o Novo Testamento como um todo, vemos que é a Palavra de Deus que amadurece o povo dele.
Isso me leva à terceira convicção: a Palavra de Deus chega ao povo, principalmente, pela pregação. Costumo imaginar, nas manhãs de domingo, o espetáculo maravilhoso do povo de Deus convergindo para os lugares de adoração por todo o mundo. Vão a catedrais construídas na Idade Média, a igrejas domiciliares, ao ar livre. Sabem que durante o ato de adoração haverá um sermão, que será bíblico, para que possam crescer através da Palavra de Deus.
Quando subo ao púlpito com a Bíblia nas mãos e no coração, o sangue me corre mais rápido pelas veias e meus olhos brilham devido à glória imensa de ter a Palavra de Deus para apresentar. Precisamos enfatizar a glória e o privilégio de compartilhar a verdade de Deus com o povo.
Que rumo nós, evangélicos, devemos tomar? Passamos por muitos percalços nos últimos 50 anos.
Minha resposta imediata é que precisamos ir além do evangelismo, que não deve ser especialidade dos evangélicos. Bem, sou totalmente comprometido com a evangelização do mundo. Porém, precisamos olhar além do evangelismo, para o poder transformador do Evangelho, tanto dos indivíduos quanto da sociedade.
Com relação aos indivíduos, noto a ausência, nas expressões diversas da fé evangélica, da busca pela santidade que caracterizou nossos antepassados, que fundaram o movimento Keswick, por exemplo, e a procura do que eles às vezes chamavam de santidade bíblica ou prática. Não sei como, mas santidade parece ter um sentido de falsidade. As pessoas não gostam de ser chamadas de santas, mas no Novo Testamento, santidade é semelhança a Cristo. Gostaria que todo o movimento evangélico tomasse a decisão consciente de crescer na semelhança a Cristo, da forma descrita em Gálatas 5.22-23.
Com respeito à transformação social, tenho refletido muito sobre as metáforas que o próprio Jesus escolheu em Mateus 5, o Sermão do Monte – o sal e a luz. "Vocês são o sal da terra; vocês são a luz do mundo". Parece-me que esses modelos apresentam pelo menos três elementos.
Primeiro, os cristãos são totalmente diferentes dos não-cristãos. Se não são, deveriam ser. Jesus coloca as duas comunidades em oposição. De um lado está o mundo, do outro estão vocês, que são a luz para o mundo sombrio. Jesus indicou que somos tão diferentes do mundo quanto a luz das trevas e o sal da deterioração.
Segundo, os cristãos precisam permear a sociedade não-cristã. O sal não serve para nada no saleiro. A luz não ajuda em nada se ficar escondida embaixo da cama ou em um balde. Ela precisa penetrar nas trevas. Então, as duas metáforas nos convidam a ser não apenas diferentes, mas a permear a sociedade.
Terceiro, a implicação mais controversa, as metáforas do sal e da luz indicam que os cristãos podem transformar a sociedade. Os modelos têm esse sentido, já que tanto o sal quanto a luz são bens eficientes, que transformam o ambiente em que são colocados. O sal impede a deterioração por bactérias. A luz dissipa as trevas. Não se trata de ressuscitar o evangelho social. Não podemos aperfeiçoar a sociedade, mas podemos melhorá-la.
Minha esperança é que, no futuro, líderes evangélicos incluam em sua agenda social tópicos essenciais, embora controvertidos, como alterações climáticas, erradicação da pobreza, fim das armas de destruição em massa, além de reagir de forma correta à pandemia da AIDS, defendendo os direitos humanos de mulheres e crianças em todas as culturas. Espero que nossa agenda não permaneça tão limitada quanto é hoje.
Copyright © 2008 por Christianity Today International
Fonte: Revista Cristianismo Hoje
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Sarkozy: França assume 'raízes cristãs'
Fonte: AFP
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta sexta-feira que abrir mão da religião seria uma "loucura", e que a França assume suas "raízes cristãs", durante um discurso pronunciado no Palácio do Eliseu diante do Papa Bento XVI, pouco depois de sua chegada a Paris.
"Seria uma loucura nos privarmos das religiões, simplesmente uma falta contra a cultura e o pensamento. Por isso defendo um laicismo positivo", disse Sarkozy.
"Não colocamos ninguém diante de ninguém, mas assumimos nossas raízes cristãs", completou.
"É legítimo para a democracia e respeitoso com o laicismo dialogar com as religiões. As religiões, e sobretudo a religião cristã, com a qual compartilhamos uma longa história, são patrimônios vivos de reflexão", acrescentou.
"O laicismo positivo, o laicismo aberto, é um convite ao diálogo", insistiu Sarkozy.
PS: Tomara que isso não seja mera retórica...
Assista o vídeo:
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta sexta-feira que abrir mão da religião seria uma "loucura", e que a França assume suas "raízes cristãs", durante um discurso pronunciado no Palácio do Eliseu diante do Papa Bento XVI, pouco depois de sua chegada a Paris.
"Seria uma loucura nos privarmos das religiões, simplesmente uma falta contra a cultura e o pensamento. Por isso defendo um laicismo positivo", disse Sarkozy.
"Não colocamos ninguém diante de ninguém, mas assumimos nossas raízes cristãs", completou.
"É legítimo para a democracia e respeitoso com o laicismo dialogar com as religiões. As religiões, e sobretudo a religião cristã, com a qual compartilhamos uma longa história, são patrimônios vivos de reflexão", acrescentou.
"O laicismo positivo, o laicismo aberto, é um convite ao diálogo", insistiu Sarkozy.
PS: Tomara que isso não seja mera retórica...
Assista o vídeo:
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Reportagens sobre a fé pentecostal de Sarah Palin
A religião de Sarah Palin: Deus e a candidata à vice-presidência
Por Alexander Schwabe, no UOL.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/eleicaoeua/noticias/2008/09/11/ult2682u935.jhtm
Sarah Palin- Pentecostal (em inglês)
Por Julia Duin, assistente nacional editor/religião, The Washington Times.
http://www.washingtontimes.com/weblogs/belief-blog/2008/Aug/29/sarah-palin---pentecostal/
Pentecostalism Obscured in Palin Biography (em inglês)
Por Eric Gorski and Rachel Zoll na The Christian Post.
http://www.christianpost.com/article/20080905/pentecostalism-obscured-in-palin-biography.htm
Por Alexander Schwabe, no UOL.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/eleicaoeua/noticias/2008/09/11/ult2682u935.jhtm
Sarah Palin- Pentecostal (em inglês)
Por Julia Duin, assistente nacional editor/religião, The Washington Times.
http://www.washingtontimes.com/weblogs/belief-blog/2008/Aug/29/sarah-palin---pentecostal/
Pentecostalism Obscured in Palin Biography (em inglês)
Por Eric Gorski and Rachel Zoll na The Christian Post.
http://www.christianpost.com/article/20080905/pentecostalism-obscured-in-palin-biography.htm
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Kassab sobre o homossexualismo: 'Minha posição é a favor da diversidade sexual'
Adauri Antunes Barbosa e Ricardo Galhardo - O Globo
SÃO PAULO - Prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) reafirmou, nesta terça-feira, sua posição em favor da diversidade sexual e recusou-se a assinar um abaixo-assinado contra o projeto que tramita no Senado que proíbe manifestação contra os homossexuais.
Só em São Paulo os homossexuais mobilizam paradas gays com até 3,5 milhões de pessoas.
O prefeito ouviu uma pregação contra o homossexualismo do pastor Jorge Linhares, presidente do Conselho dos Pastores de Minas Gerais, na abertura da 7ª Expocristã.
- A minha posição é a favor da diversidade sexual. Tenho em todos os momentos me manifestado como cidadão e como prefeito - disse o prefeito e candidato.
No culto que antecedeu a cerimônia de abertura da Expocristã, Jorge Linhares condenou o homossexualismo.
Entre os convidados estava o deputado estadual Waldir Agnelo (PTB), que é pastor da Igreja Quadrangular. Na manifestação contra o projeto que criminaliza a homofobia, Agnelo defendeu uma tomada de posição imediata dos evangélicos contra o avanço do homossexualismo.
- O momento de tomarmos uma atitude é agora. Se essa atitude não for tomada agora pode ser tarde demais - argumentou.
Marta também esteve com líderes de movimentos gays
Já a petista Marta Suplicy, uma das primeiras políticas brasileiras a defender publicamente a causa, se reuniu na segunda-feira com membros da Associação Brasileira de Gays Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).
Em várias capitais, como Salvador, todos os principais candidatos a prefeito assinaram o termo de compromisso da ABGLT. Em São Paulo, até esta terça só Geraldo Alckmin (PSDB) não havia assinado o termo. Mas ele já participou de reunião com o segmento e deve assinar nos próximos dias. No Rio, o único a não integrar a lista é Marcelo Crivella (PRB/PR/PSDC/PRTB), considerado o inimigo número dois dos gays no Congresso.
- O inimigo número um é o senador Magno Malta (PR-ES) que vincula a pedofilia ao homossexualismo - explicou Toni Reis, presidente da ABGLT.
A pauta de reivindicações da associação lista 55 propostas em várias áreas. Uma delas é a inclusão do estudo da homossexualidade no currículo das escolas.
PS: Como é difícil a vida de um político, pois o mesmo tem que agradar pastores politiqueiros e o lobby dos gays. Ambos os grupos reúnem milhões de pessoas nas ruas e são importantes currais eleitorais.
SÃO PAULO - Prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) reafirmou, nesta terça-feira, sua posição em favor da diversidade sexual e recusou-se a assinar um abaixo-assinado contra o projeto que tramita no Senado que proíbe manifestação contra os homossexuais.
Só em São Paulo os homossexuais mobilizam paradas gays com até 3,5 milhões de pessoas.
O prefeito ouviu uma pregação contra o homossexualismo do pastor Jorge Linhares, presidente do Conselho dos Pastores de Minas Gerais, na abertura da 7ª Expocristã.
A minha posição é a favor da diversidade sexual
- A minha posição é a favor da diversidade sexual. Tenho em todos os momentos me manifestado como cidadão e como prefeito - disse o prefeito e candidato.
No culto que antecedeu a cerimônia de abertura da Expocristã, Jorge Linhares condenou o homossexualismo.
Entre os convidados estava o deputado estadual Waldir Agnelo (PTB), que é pastor da Igreja Quadrangular. Na manifestação contra o projeto que criminaliza a homofobia, Agnelo defendeu uma tomada de posição imediata dos evangélicos contra o avanço do homossexualismo.
- O momento de tomarmos uma atitude é agora. Se essa atitude não for tomada agora pode ser tarde demais - argumentou.
Marta também esteve com líderes de movimentos gays
Já a petista Marta Suplicy, uma das primeiras políticas brasileiras a defender publicamente a causa, se reuniu na segunda-feira com membros da Associação Brasileira de Gays Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).
O inimigo número um é o senador Magno Malta (PR-ES) que vincula a pedofilia ao
homossexualismo
Em várias capitais, como Salvador, todos os principais candidatos a prefeito assinaram o termo de compromisso da ABGLT. Em São Paulo, até esta terça só Geraldo Alckmin (PSDB) não havia assinado o termo. Mas ele já participou de reunião com o segmento e deve assinar nos próximos dias. No Rio, o único a não integrar a lista é Marcelo Crivella (PRB/PR/PSDC/PRTB), considerado o inimigo número dois dos gays no Congresso.
- O inimigo número um é o senador Magno Malta (PR-ES) que vincula a pedofilia ao homossexualismo - explicou Toni Reis, presidente da ABGLT.
A pauta de reivindicações da associação lista 55 propostas em várias áreas. Uma delas é a inclusão do estudo da homossexualidade no currículo das escolas.
PS: Como é difícil a vida de um político, pois o mesmo tem que agradar pastores politiqueiros e o lobby dos gays. Ambos os grupos reúnem milhões de pessoas nas ruas e são importantes currais eleitorais.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Igreja da Cientologia será julgada por fraude na França
Fonte: EFE
Paris, 8 set (EFE).- A Igreja da Cientologia será julgada pelo Tribunal Correcional de Paris por suposta "fraude organizada", confirmaram hoje fontes judiciais.
Procurados pela Agência Efe, os responsáveis da Igreja da Cientologia na França evitaram fazer declarações por ainda não terem recebido notificação judicial,
Eles se mostraram surpreendidos pelo fato de a imprensa ter recebido a informação antes da própria organização.
O advogado de um dos líderes, Olivier Morice, declarou à emissora "France Info" que "as conseqüências podem ser duras para a Cientologia, que pode acarretar até na dissolução dessa Igreja em Paris".
Morice questionou as motivações que levaram a Promotoria a tomar essa decisão e não descartou "possíveis razões políticas".
A Cientologia foi fundada nos Estados Unidos, em 1954, pelo escritor de ficção científica Lafayette Ron Hubbard como uma "filosofia religiosa aplicada" para "fazer o homem mais feliz através da compreensão de si mesmo como ser espiritual". EFE
Paris, 8 set (EFE).- A Igreja da Cientologia será julgada pelo Tribunal Correcional de Paris por suposta "fraude organizada", confirmaram hoje fontes judiciais.
Procurados pela Agência Efe, os responsáveis da Igreja da Cientologia na França evitaram fazer declarações por ainda não terem recebido notificação judicial,
Eles se mostraram surpreendidos pelo fato de a imprensa ter recebido a informação antes da própria organização.
O advogado de um dos líderes, Olivier Morice, declarou à emissora "France Info" que "as conseqüências podem ser duras para a Cientologia, que pode acarretar até na dissolução dessa Igreja em Paris".
Morice questionou as motivações que levaram a Promotoria a tomar essa decisão e não descartou "possíveis razões políticas".
A Cientologia foi fundada nos Estados Unidos, em 1954, pelo escritor de ficção científica Lafayette Ron Hubbard como uma "filosofia religiosa aplicada" para "fazer o homem mais feliz através da compreensão de si mesmo como ser espiritual". EFE
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
Biografias de fé
As últimas duas sensações da política norte-americana ganham biografias que destacam suas crenças.O que uma ultra-conservadora e um liberal têm em comum? A fé, pelos menos é o que diz seus biógrafos. A editora Zondervan está lançando a biografia de Sarah Palin, a possível primeira vice-presidente norte-americana. Palin é membro da Assembléia de Deus e hoje é um dos destaques da campanha eleitoral dos Estados Unidos. A escolha estratégica de Palin por parte do John McCain é, segundo analistas, uma forma de conquistar os votos dos tradicionais republicanos, conservadores em sua maioria. Enquanto isso, a editora Thomas Nelson lançou uma biografia de Barack Obama, onde expõe o seu lado de fé.
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sábado, 6 de setembro de 2008
Eles são diferentes. E adoram isso
por Juliana Linhares
Jovens evangélicos não bebem, não fumam, não têm sexo fora do casamento. Mas a rigidez diminuiu, eles se sentem melhores que os outros e acreditam num futuro de prosperidade
Continue lendo no site da Revista VEJA:
http://veja.abril.com.br/100908/p_134.shtml
Jovens evangélicos não bebem, não fumam, não têm sexo fora do casamento. Mas a rigidez diminuiu, eles se sentem melhores que os outros e acreditam num futuro de prosperidade
CRENTES NA BALADA- Rodrigues (de óculos) com amigos no Brother Simion, point
evangélico: beber, não, fumar, também não; beijar, sim, mas sem avançar o sinal
Eles vão a baladas, namoram, surfam e usam roupas da moda. A diferença entre os evangélicos e a maioria dos outros jovens é que suas festas são sem álcool, o namoro é sem sexo e as roupas, sem exageros – nada de saias pelos pés e cabelos pela cintura, mas decotes e comprimentos moderados. A maneira brasileira de ser evangélico ajuda a explicar os números impressionantes: 17% dos jovens entre 15 e 29 anos se identificam como seguidores de alguma das confissões evangélicas. Basta entrar em qualquer culto pentecostal para constatar a vitalidade de sua presença: praticamente a metade da igreja é sempre composta de jovens. Orgulhosos de seguir uma doutrina aparentemente tão contrária a tudo o que a juventude aprecia em nome de valores espirituais, também assumem a busca da realização material ("Nós merecemos o melhor" é uma declaração constante). Em algumas igrejas específicas, a promessa de redenção é um atrativo poderoso. "A maioria vem aqui porque tem angústias de várias naturezas, entre elas o vício em drogas. Mas uma vida desregrada e um certo desconforto com o mundo, que muitas vezes nem eles mesmos sabem explicar, também trazem muitos jovens para a igreja", enumera Rodrigo Ribeiro Rodrigues, membro há três anos e meio da Bola de Neve Church, igreja conhecida em São Paulo pela presença absoluta de jovens. Rodrigo trabalha como assessor de imprensa da Bola de Neve – sim, a igreja tem assessor. Além dos cultos, ele freqüenta o inusitado pub gospel Brother Simion, ponto de encontro de jovens crentes em São Paulo. O Brother Simion é isso mesmo: pub, ou seja, lugar meio escurinho onde jovens se encontram, e gospel, o que quer dizer que lá não se pode fumar nem beber. "O que mais sai aqui é açaí", diz o Brother Simion em pessoa, o dono do estabelecimento. E que fique claro aos casais: beijar, pode; avançar o sinal, não.
Continue lendo no site da Revista VEJA:
http://veja.abril.com.br/100908/p_134.shtml
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Falta de punição é o motivo para corrupção ainda ser tão forte
Comentário do teólogo Lourenço Stelio Rega no programa Happy Hour da GNT.
Também existente em outros países, a corrupção não é, segundo o antropólogo Lourenço Stelio Rega, uma exclusividade tupiniquim. A diferença, diz ele, é a punição, praticamente inexistente no Brasil
Também existente em outros países, a corrupção não é, segundo o antropólogo Lourenço Stelio Rega, uma exclusividade tupiniquim. A diferença, diz ele, é a punição, praticamente inexistente no Brasil
Corrupção deve ser combatida nas instituições e nos cidadãos
Participação do teólogo Lourenço Stelio Rega no programa Happy Hour
Justiça condena igreja de BH por casamento “malfeito"
da Agência Folha
A Justiça de Minas Gerais condenou a Mitra Arquidiocesana de Belo Horizonte a pagar R$ 2.000 de indenização a dois comerciantes porque o casamento do casal foi celebrado com "descaso e pressa" por um padre.
A cerimônia foi realizada em 14 de outubro de 2005, na igreja Santa Luzia, região do Barreiro. Na ação, o noivo disse que o casamento estava marcado para as 20h30. Ao chegar ao local, afirmou que o padre estava exaltado -dizia que a cerimônia estava prevista para as 20h.
Ainda segundo ele, a noiva teve de sair às pressas do salão de beleza, pois o padre ameaçou não celebrar o casamento. Ela afirmou que, ao tentar argumentar que havia ocorrido erro na secretaria da igreja, o padre a chamou de irresponsável e cara-de-pau. O padre, segundo o casal, realizou o casamento em 15 minutos, não deu a bênção final e tirou a batina no altar.
Pediram indenização por danos materiais, afirmando que os serviços de fotografia e música ficaram comprometidos. Também reivindicaram compensação por danos morais, porque tiveram que cancelar a festa por conta do abalo emocional.
O desembargador Luciano Pinto apontou que faltaram duas partes essenciais ao rito: a homilia e a bênção final. "A falta da bênção final comprometeu as expectativas dos noivos, causando-lhes forte frustração."
A igreja afirmou ontem que ainda não foi intimada. O padre não foi localizado para comentar a decisão.
PS: Eis o perigo de uma espiritualidade mecanizada.
A Justiça de Minas Gerais condenou a Mitra Arquidiocesana de Belo Horizonte a pagar R$ 2.000 de indenização a dois comerciantes porque o casamento do casal foi celebrado com "descaso e pressa" por um padre.
A cerimônia foi realizada em 14 de outubro de 2005, na igreja Santa Luzia, região do Barreiro. Na ação, o noivo disse que o casamento estava marcado para as 20h30. Ao chegar ao local, afirmou que o padre estava exaltado -dizia que a cerimônia estava prevista para as 20h.
Ainda segundo ele, a noiva teve de sair às pressas do salão de beleza, pois o padre ameaçou não celebrar o casamento. Ela afirmou que, ao tentar argumentar que havia ocorrido erro na secretaria da igreja, o padre a chamou de irresponsável e cara-de-pau. O padre, segundo o casal, realizou o casamento em 15 minutos, não deu a bênção final e tirou a batina no altar.
Pediram indenização por danos materiais, afirmando que os serviços de fotografia e música ficaram comprometidos. Também reivindicaram compensação por danos morais, porque tiveram que cancelar a festa por conta do abalo emocional.
O desembargador Luciano Pinto apontou que faltaram duas partes essenciais ao rito: a homilia e a bênção final. "A falta da bênção final comprometeu as expectativas dos noivos, causando-lhes forte frustração."
A igreja afirmou ontem que ainda não foi intimada. O padre não foi localizado para comentar a decisão.
PS: Eis o perigo de uma espiritualidade mecanizada.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Rapaz se converte e dá revólver a pastor após culto
O revólver, com número raspado, e munições estavam dentro de envelope. Rapaz disse que iria fazer uma desgraça
Fonte: Adagoberto Baptista
Do Cosmo On Line
Ao final de um retiro evangélico, em Vinhedo, um homem se levantou diante de mil pessoas, e disse que queria mudar de vida entregando ao pastor Luís Gomes da Silva Filho um envelope com um revólver calibre 38, com numeração raspada, e 15 munições.
O rapaz, não identificado, saiu do local após explicar ao religioso que a mão divina o salvou de cometer uma desgraça. Em seguida, o pastor chamou a Polícai Militar e foi levado até a delegacia. A arma e as munições foram apreendidas.
Silva Filho, da Comunidade Cristã da Vila Santana disse que conversou em particular com o homem, mas ele não disse o que pretendia fazer com a arma antes de se converter. "Conversei em separado, antes de ir embora", contou.
A presença do homem que entregou a arma foi percebida há 10 dias. "Esta pessoa eu notei que veio algumas vezes na últimas duas semanas. "No retiro, que começou sábado em uma chácara, o homem reapareceu e abriu o seu coração", contou o pastor.
Fonte: Adagoberto Baptista
Do Cosmo On Line
Ao final de um retiro evangélico, em Vinhedo, um homem se levantou diante de mil pessoas, e disse que queria mudar de vida entregando ao pastor Luís Gomes da Silva Filho um envelope com um revólver calibre 38, com numeração raspada, e 15 munições.
O rapaz, não identificado, saiu do local após explicar ao religioso que a mão divina o salvou de cometer uma desgraça. Em seguida, o pastor chamou a Polícai Militar e foi levado até a delegacia. A arma e as munições foram apreendidas.
Silva Filho, da Comunidade Cristã da Vila Santana disse que conversou em particular com o homem, mas ele não disse o que pretendia fazer com a arma antes de se converter. "Conversei em separado, antes de ir embora", contou.
A presença do homem que entregou a arma foi percebida há 10 dias. "Esta pessoa eu notei que veio algumas vezes na últimas duas semanas. "No retiro, que começou sábado em uma chácara, o homem reapareceu e abriu o seu coração", contou o pastor.
Jô Soares é visto com bispo da Record
Jô Soares recebeu em seu apartamento, no bairro de Higienópolis, o bispo Honorilton Gonçalves, braço direito de Edir Macedo, dono da Igreja Universal e da Record. O encontro era para ter sido discreto, mas Honorilton foi visto com Jô no prédio do apresentador. O bispo, por meio da assessoria da Record, nega que tenha ido ao encontro de Jô e diz ainda que a emissora não tem interesse na contratação dele. No entanto, recentemente, o nome do apresentador da Globo foi citado em uma reunião entre a cúpula da Record. Procurado pela coluna, Jô Soares não comentou o assunto. A Globo não quis informar até quando vai o contrato que tem com ele.
Fonte: Agora
PS: Os bispos da Record precisam persuadir os artistas globais com muito mais eficácia do que nos "cultos" universais. E é claro que é necessária muita grana dos dízimos...
Fonte: Agora
PS: Os bispos da Record precisam persuadir os artistas globais com muito mais eficácia do que nos "cultos" universais. E é claro que é necessária muita grana dos dízimos...
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Agnus Dei

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
SP: religiosos pedem voto para vereadores na TV
Luiz de França, Portal Terra
SÃO PAULO - O líder da Igreja Internacional da Graça de Deus e apresentador do programa Show da Fé, R.R. Soares, pediu votos no horário eleitoral gratuito de São Paulo nesta quinta-feira.
- Meus amigos eu venho pedir ajuda de vocês para eleger Davi Soares, meu filho, vereador da cidade São Paulo - falou.
O missionário Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, também reforçou a propaganda do candidato José Olímpio. Já o pastor Evangelista Nascimento (PSC) defendeu a sua própria candidatura.
- Vou trabalhar pela integração do poder público com as igrejas.
Leiam os artigos do Blog Teologia Pentecostal sobre “Evangélicos e Política”
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/08/evanglicos-e-poltica-parte-01.html
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/08/evanglicos-e-poltica-parte-02.html
SÃO PAULO - O líder da Igreja Internacional da Graça de Deus e apresentador do programa Show da Fé, R.R. Soares, pediu votos no horário eleitoral gratuito de São Paulo nesta quinta-feira.
- Meus amigos eu venho pedir ajuda de vocês para eleger Davi Soares, meu filho, vereador da cidade São Paulo - falou.
O missionário Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, também reforçou a propaganda do candidato José Olímpio. Já o pastor Evangelista Nascimento (PSC) defendeu a sua própria candidatura.
- Vou trabalhar pela integração do poder público com as igrejas.
Leiam os artigos do Blog Teologia Pentecostal sobre “Evangélicos e Política”
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/08/evanglicos-e-poltica-parte-01.html
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/08/evanglicos-e-poltica-parte-02.html
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Teologia da Prosperidade
Uma mensagem do pastor Paulo Romeiro sobre a "teologia da prosperidade e saúde plena".
Um outro evangelho
Para o professor Augustus Nicodemus Lopes, a crise do movimento evangélico brasileiro está ligada ao liberalismo e à flexibilização dos conteúdos das Escrituras
'Não me acho xiita', vai logo dizendo o professor, pastor e pesquisador presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes em seu mais novo livro, O que estão fazendo com a Igreja (Mundo Cristão). 'Mas muitos me chamam de fundamentalista', acrescenta. 'Não fico envergonhado quando me rotulam dessa forma, embora prefira o termo calvinista ou reformado', explica. A quantidade de adjetivos expressa bem o universo desse intelectual protestante, nascido na Paraíba e que fez carreira no segmento acadêmico religioso. Graduado em teologia, mestre em Novo Testamento e doutor em Interpretação Bíblica – este último título, pelo Instituto Teológico de Westminster (EUA) –, Nicodemus já dirigiu diversos seminários ligados à sua denominação e hoje exerce o cargo de chanceler da respeitada Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Na mesma cidade, pastoreia a Igreja Presbiteriana de Santo Amaro. O conjunto de sua obra já dá uma idéia de suas posições teológicas. Títulos como O que você precisa saber sobre batalha espiritual, Fé cristã e misticismo e Ordenação de mulheres: O que diz o Novo Testamento, todos publicados pela Cultura Cristã, entre diversos outros livros, são baseados na mesma teologia conservadora que ele não apenas abraça, como defende com unhas e dentes. O que não impede, é claro, que esteja aberto a outros pensamentos. 'Desde que sejam comprometidos com as Escrituras', ressalva. Nesta conversa com CRISTIANISMO HOJE, Augustus Nicodemus fala do livro recém-lançado na Bienal do Livro de São Paulo e avalia a situação da Igreja Evangélica hoje. 'Infelizmente, estão fazendo muita coisa ruim com ela', aponta.
CRISTIANISMO HOJE – é inevitável começar esta entrevista com a pergunta que dá título ao seu livro: o que estão fazendo com a Igreja?
'Não me acho xiita', vai logo dizendo o professor, pastor e pesquisador presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes em seu mais novo livro, O que estão fazendo com a Igreja (Mundo Cristão). 'Mas muitos me chamam de fundamentalista', acrescenta. 'Não fico envergonhado quando me rotulam dessa forma, embora prefira o termo calvinista ou reformado', explica. A quantidade de adjetivos expressa bem o universo desse intelectual protestante, nascido na Paraíba e que fez carreira no segmento acadêmico religioso. Graduado em teologia, mestre em Novo Testamento e doutor em Interpretação Bíblica – este último título, pelo Instituto Teológico de Westminster (EUA) –, Nicodemus já dirigiu diversos seminários ligados à sua denominação e hoje exerce o cargo de chanceler da respeitada Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Na mesma cidade, pastoreia a Igreja Presbiteriana de Santo Amaro. O conjunto de sua obra já dá uma idéia de suas posições teológicas. Títulos como O que você precisa saber sobre batalha espiritual, Fé cristã e misticismo e Ordenação de mulheres: O que diz o Novo Testamento, todos publicados pela Cultura Cristã, entre diversos outros livros, são baseados na mesma teologia conservadora que ele não apenas abraça, como defende com unhas e dentes. O que não impede, é claro, que esteja aberto a outros pensamentos. 'Desde que sejam comprometidos com as Escrituras', ressalva. Nesta conversa com CRISTIANISMO HOJE, Augustus Nicodemus fala do livro recém-lançado na Bienal do Livro de São Paulo e avalia a situação da Igreja Evangélica hoje. 'Infelizmente, estão fazendo muita coisa ruim com ela', aponta.

CRISTIANISMO HOJE – é inevitável começar esta entrevista com a pergunta que dá título ao seu livro: o que estão fazendo com a Igreja?
AUGUSTUS NICODEMUS LOPES – Infelizmente, muita coisa ruim – desde desfigurá-la, passando uma imagem ao público de que todos os evangélicos e seus pastores são mercenários que vivem para fazer barganhas com Deus em troca de bênçãos, até destruí-la internamente, trocando o Evangelho de Cristo por um outro evangelho. Um evangelho despido de poder, realidade histórica e eficácia salvadora, que é ensinado pelos liberais. Aqui entram também os hiper-conservadores, às vezes chamados de neo-puritanos, com sua visão radical de culto.
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