sábado, 29 de novembro de 2008

Sagradas Escrituras

É possível sustentar que Deus poderia ter impedido os autores da Bíblia de cometer erros, tirando-lhes a liberdade e a condição de seres humanos; entretanto, os evangélicos jamais afirmaram tal coisa. Antes, a Bíblia é produto totalmente humano, e totalmente divino. Como produto divino, a Bíblia detém autoridade absoluta sobre a mente e o coração dos crentes. Como produto humano, mostra em si mesma todas as características essenciais da composição humana. Sem dúvida, Deus poderia ter-nos dado uma Bíblia escrita na perfeita linguagem do céu; nesse caso, porém, quem a poderia entender? Deus preferiu comunicar-nos sua vontade mediante o canal imperfeito da linguagem humana, com todas as suas possibilidades de má compreensão e má interpretação.

Kenneth S. Kantszer

Breve biografia de Matthew Henry


Matthew Henry foi o segundo filho de Philip Henry, nascido prematuramente em 18 de outubro de 1662, em Broad Oak, na região da capela de Iscoyd, Flintshire, no País de Gales, Reino Unido. Quando criança, Henry era muito doente, porém um tanto precoce na aprendizagem. Seu primeiro tutor foi William Turner, mas muito de sua educação na infância ele recebeu de seu pai Philip. Este havia sido banido pela Lei Britânica da Igualdade, em 1662. Como a maioria de seus colegas de sofrimento, Philip possuía poucos recursos, mas o suficiente para dar ao seu filho Henry uma boa educação. Em 21 de julho de 1680, o jovem Henry ingressou na academia de Thomas Doolittle, na época em Islington, e permaneceu ali até 1682. Em 30 de outubro de 1683, logo após atingir a maioridade, Henry se mudou para a propriedade rural em Bronington, Flintshire, herdada de Daniel Matthews, seu avô materno. Aconselhado por Rowland Hunt, de Boreatton, Shropshire, começou a estudar Direito e foi aprovado na Gray’s Inn, em 6 de maio de 1685. Logo desistiu dos estudos das leis, para se dedicar à Teologia, como integrante dos não-conformistas*.
Em junho de 1686, começou a pregar para os moradores da região em que seu pai vivia. Por causa de algumas questões de negócios, Henry foi para Chester, em janeiro de 1687. Enquanto permaneceu ali, pregou em casas particulares e solicitaram que ele se tornasse o pastor dos fiéis daquela região. Henry concordou por algum tempo e depois voltou para Gray’s Inn.
Em 9 de maio de 1687, Henry foi reservadamente ordenado ministro presbiteriano em Londres por seis pastores, na casa de Richard Steel. Começou seu ministério em Chester, no dia 2 de junho de 1687. Em poucos anos, a quantidade de seus ouvintes chegou a 250. Em setembro de 1687, o rei Tiago II visitou Chester, quando os não-conformistas fizeram um discurso de agradecimento “pela tranqüilidade e liberdade que eles gozavam sob sua proteção”. Uma nova constituição foi garantida à cidade (a antiga havia sido anulada em 1684), dando poder à coroa para substituir e nomear magistrados. Por volta de agosto de 1688, emissários do rei solicitaram-no que nomeasse magistrados. Ele não concordou com isso. A nova constituição foi substituída por outra, na qual os nomes de todos os não-conformistas de renome foram impostos à administração da cidade. Estes, no entanto, se recusaram a trabalhar e exigiram o retorno da constituição anterior, cujo restabelecimento demorou bastante.
Um templo foi erguido por Henry em Crook Lane (atual Crook Street). A construção foi iniciada em setembro de 1699, e a inauguração aconteceu em 8 de agosto de 1700. Em 1706, foi construída uma galeria para acomodar uma outra congregação que se havia unido a Henry. Sua audiência agora aumentara para 350 pessoas. Além das atividades congregacionais (incluindo uma palestra semanal), ele realizava cultos mensais em cinco vilas nas redondezas da cidade, e regularmente pregava aos prisioneiros num castelo. Henry foi um membro ativo da união de ministros de Cheshire, fundada em Macclesfeld, em março de 1691, sob as bases da “happy union” de Londres. Achou tempo também para labutar como comentarista da Bíblia, o que deu origem ao seu sistema de pregação expositiva. Estudava num quiosque de dois andares nos fundos de sua residência em Bolland Court, White Friars, Chester.
Henry recusou as propostas para pastorear igrejas em Hackney e Salters’ Hall, em 1699 e 1702 respectivamente; também, não aceitou as de Manchester (1705) e Silver Street e Old Jewry, Londres (1708). Em 1710, foi novamente convidado pela igreja de Hackney, e concordou em se mudar, embora não imediatamente. Em 3 de junho de 1711, estava ele em Londres e era a primeira ceia em que ficara ausente de Chester em 24 anos. Daniel Williams, D.D., cuja escolha é datada de 26 de junho de 1711, nomeou-o como um dos primeiros administradores de suas instituições educacionais, mas Henry morreu antes de assumir o cargo.
O último sermão de Henry foi pregado em Chester, no dia 11 de maio de 1712. Seu ministério em Mare Street, Hackney, começou em 18 de maio de 1712. Em maio de 1714, ele visitou novamente Cheshire.
Henry se casou primeiro, em 19 de julho de 1687, com Katherine, filha única de Samuel Hardware, de Bromborough, Cheshire; ela morreu em 14 de fevereiro de 1689, aos 25 anos, durante o parto de sua filha Katherine. Depois, Henry contraiu segundo casamento, em 8 de julho de 1690, com Mary, filha de Robert Warburton, de Hefferstone Grange. Com Mary, ele teve um filho, Philip (nascido em 1700, que tomou o sobrenome Warburton, foi membro do Parlamento representando Chester, a partir de 1742, e morreu solteiro, em 16 de agosto de 1760). Nasceram-lhe ainda oito filhas, três das quais morreram na infância. Sua filha, Esther (nascida em 1694), foi a mãe de Charles Bulkley.
Em novembro de 1704, Henry começou a escrever a Exposição do Antigo e Novo Testamentos, que corresponde a este famoso comentário em seis volumes, o qual não tem sido superado até hoje. O primeiro volume foi publicado em 1708; este e quatro outros volumes trouxeram o seu comentário até o fim dos Evangelhos, publicados numa edição uniforme em 1710. Antes de sua morte, ele concluiu o comentário de Atos para o sexto volume, não publicado. Após sua morte, trinta pastores não-conformistas prepararam os comentários das Epístolas e de Apocalipse. Os nomes desses não-conformistas foram citados por John Evans (1767-1827) na Protestant Dissenters’ Magazine, em 1797, p. 472, extraídos de um memorando de Isaac Watts. A edição completa de 1811, com quatro tomos, seis volumes, editados por George Burder e John Hughes, tem assuntos adicionais extraídos de manuscritos de Henry.
O comentário de Henry é prático e devocional, mais que uma obra de crítica textual, mantendo um correto bom senso, apresentando um pensamento incomum, alto tom moral, simplicidade e aplicação prática, combinados com uma sólida fluência do estilo inglês. Seus comentários são fundamentalmente exegéticos, tratando o texto bíblico como ele está apresentado. O primeiro objetivo de Henry era a explicação, e não a tradução ou a pesquisa textual. Tudo isto fez de seu comentário uma obra monumental. Até hoje, é consultado por estudantes e pregadores, e é citado em centenas de outros comentários bíblicos.
Suas outras obras, excluindo sermões, são:


1. A Brief Inquiry into... Schism (1689) ;
2. Memoirs of… Philip Henry (1696);
3. A Scripture Catechism (1702);
4. Family Hymns (1702);
5. A Plain Catechism (1702);
6. The Communicant’s Companion (1704);
7. Four Discourses (1705);
8. A Method for Prayer (1710);
9. Directions for Daily Communion (1712);
10. A Short Account of the Life… of Lieutenant Illidge (1714).


Em 1726, foi publicada uma coletânea sob o título Works, e, em 1809, surgiu a Miscellaneous Writings, editada por Samuel Palmer, e reeditada em 1830 por Sir J. B. Williams, contendo sermões adicionais extraídos dos manuscritos de Henry.
Henry morreu de apoplexia, em Nantwich, na casa do pastor não-conformista Joseph Mottershead, em 22 de junho de 1714, durante uma viagem de Chester para Londres. Foi sepultado na capela da Trinity Church, em Chester. Seu funeral teve a assistência de oito pastores da cidade. Os sermões da cerimônia fúnebre foram pregados, em Chester, por Peter Withington e John Gardner; em Londres, por Daniel Williams, William Tong, Isaac Bates e John Reynolds; os últimos quatro foram publicados. Após a sua morte, a igreja em Hackney se dividiu em duas.
Seu retrato está na biblioteca do Dr. William, em Gordon Square, Londres, e foi pintado por J. Jenkins (1828); a estampa de Vertue é de um croqui desenhado a bico de pena e feito numa época em que Henry estava muito corpulento. Acima de tudo, Matthew Henry é lembrado como um pastor afetuoso, amante apaixonado da Palavra de Deus e homem de grande integridade pessoal que tem deixado a sua marca nos corações de inúmeros cristãos que anelam compreender mais profundamente as riquezas das Escrituras.


Fonte: CPAD

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Barber: Agnus Dei

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Entrevista com Reinaldo Azevedo para o Programa do Jó

sábado, 1 de novembro de 2008

Cinturão da Bíblia

Cinturão da Bíblia, uma vasta região do sudeste dos Estados Unidos. Ali, o poder da fé é tão grande que influência a educação, a ciência e, claro, o voto.

Na última reportagem da série americanos, os repórteres Rodrigo Alvarez e Sérgio Telles chegam a esse mundo onde as idéias e a política pararam no tempo, e como Nova Orleans sintetiza o desejo de renascimento da maior democracia do mundo.



Duas semanas de caminhada. A esta altura o marceneiro e o pintor pegariam qualquer trabalho. Era só encontrar… Mas e agora que a economia está braba, que a casa caiu? “Não temos trabalho, não existe trabalho. Você entende o que eu estou dizendo? O homem estragou tudo. O governo estragou tudo”.
George e Edsel perderam o emprego juntos e decidiram seguir juntos pela estrada. Eles param de cidade em cidade, e nada de oportunidade. “Você pode nos dar carona até a próxima cidade?”, perguntam. Hoje apareceu carona. Caiu do céu. “Que Deus o abençoe. Deus está me levando para Hollywood”, agradecem. “Não é Hollywood”, afirma o repórter.
No aperto do carro, eles reclamam dos imigrantes ilegais. Reclamação freqüente de quem acha que mexicanos e companhia roubam trabalho de americanos. E o marceneiro resignado, meio sem saber por que, torce pelo veterano de guerra, o senador John MCcain. “De qual candidato gostam?”. “Acho que daquele velho, o prisioneiro de guerra. John McCain” “Melhor que Barack Obama?” “De onde ele vem? Ele apareceu do nada...”.
A gente se despede dos andarilhos. Boa sorte! Seguimos pelo caminho das cruzes.
No Alabama, ninguém pergunta por Deus. A dúvida aqui é onde ele não está. O estado é parte do cinturão da Bíblia, o sudeste americano onde acredita-se na presença divina até no voto. São terras republicanas onde John MCcain tem larga vantagem.
Peggy Harmon e o marido usaram o dinheiro da poupança para construir a igreja. Belíssima, aliás. Não apareceram fiéis e o pastor foi embora. “Estamos procurando por um pastor”. Peggy pensou em vender a igreja até que ouviu uma voz dizendo: "Siga adiante, continue sua missão". A dona da igreja é uma das mais conservadoras entre conservadores. Foi criada numa terra onde loja de armas faz até liquidação. Ela entende que o direito de se armar está previsto na Bíblia. “Você tira nossas armas e os homens do diabo vão encontrá-las. Mas a pessoas de bem não terá direito de ter arma”. Peggy jamais votaria num candidato favorável ao aborto. Obama, por exemplo. E encontra na moral religiosa uma espécie de solução para crise econômica. “Ok, nós temos um crise financeira. Se todos os 50 milhões de bebês que já foram abortados, estivessem vivos, trabalhando... olha só quanto dinheiro estaria entrendo”. Sem pastor para consultar, às vésperas da eleição, Peggy fala direto com Deus. “Eu não sei como votar, mas estou no meu Pai pra me ensinar a votar”. Mas qual é a dúvida? O candidato dela só pode ser John MCcain. Afinal, Barack Obama... Não dá medo? “Tenho dúvidas se ele será um homem de Deus. Gostaria que ele conhecesse Deus, o Pai”. Pois é, no cinturão da Bíblia, nós também damos medo... “Ah, meu Deus! Eu não sei quem são vocês. Você pode cortar minha garganta, porque talvez não goste do que eu estou dizendo”. Fique tranqüila, dona Peggy. Somos jornalista. Brasileiros que vieram apenas observar. “Obrigada pela conversa”. “Agora você assina o cheque por minha aparição na tevê”. Chuva e ventos muito mais fortes do que esses daqui do Alabama nos obrigaram a mudar de rumo e nós não vamos mais para a Flórida.
Nosso rumo agora é para o oeste, a gente daqui a pouco chega a Nova Orleans, na Louisiana. Mas antes a gente atravessa o Mississippi. A polícia passa apressada e em plena crise econômica o vendedor de quinquilharias fala que está cheio da grana. Quer dizer: fala não, ele só canta. Brad pode até parecer um rapper de terceira e talvez seja mesmo, mas é futurologista de primeira. Se antecipou às urnas e elegeu Obama presidente. Mesmo evitando o furacão da Flórida, a viagem de quase dez mil quilômetros termina… com furacão. Furacão bem-humorado. Em Nova Orleans eles são tão freqüentes que merecem nome de restaurante e até de sanduíche. Cidade do jazz. Cheia de histórias e cicatrizes. Mágoa de George Bush. A demora do presidente para chegar aqui depois do furacão Katrina foi vista como abandono. E era a maior tragédia americana depois do onze de setembro... Presidente de passos incertos, com sua guerra mal explicada, governo que termina como triste melodia. Bush já vai tarde, poderia ser o refrão em Nova Orleans. “Estamos traumatizados porque o mundo, em geral, pensa mal dos Estados Unidos pelo que aconteceu no Iraque. Eu era contra bombardear o Iraque. Eu jamais teria feito aquilo. E a maioria das pessoas era contra (a guerra)”. Mas na terra do jazz, momentos difíceis simbolizam recomeço. Funerais, por exemplo, começam com música triste e, de repente... “Estamos nos tornando melhores. Uma cidade melhor e mais forte, e quando voltarmos vamos estar duas vezes mais fortes”. Conhecendo um pouco melhor os americanos, depois de tanta estrada, dá pra dizer que eles querem e podem superar suas crises. Bom, sem falar que o jazz da mudança já está no ar.

Fonte: Reportagem exibida do "Jornal da Globo", em 31/10/2008.


PS: Mais uma reportagem que alimenta o estereotipo de idiota para os “americanos médios”, conservadores em sua maioria.