quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Eleições CGADB 2009
No Blog Teologia Pentecostal leia e se informe sobre a histórica eleição para a presidência da CGADB.www.teologiapentecostal.blogspot.com
Um pastor em busca do homem pós-moderno

Entrevista com Tim Keller, pastor em Nova York, que tem feito ambiciosos esforços para alcançar o homem urbano, com uma apologética diferenciada.
Tim Keller, pastor da Igreja Presbiteriana Redeemer (Redentor), em Manhattan, e co-fundador da Gospel Coalition, está por trás dos mais ambiciosos (e talvez mais radicais) esforços para alcançar profissionais urbanos. Agora está expandindo seu ministério na forma de literatura, com a publicação de The Reason of God [A razão para Deus], que é o sétimo livro de não-ficção mais vendido na lista do The New York Times.
O tour de Keller com o livro, organizado pelo Fórum Veritas, atraiu mais de 6 mil pessoas para universidades nos Estados Unidos. Muitos leitores disseram que o livro trouxe respostas satisfatórias a muitas questões que cristãos e não-cristãos geralmente fazem a respeito do cristianismo. A editora-assistente da Christianity Today, Susan Wunderink, conversou com Keller em sua passagem por Chicago.
CRISTIANISMO HOJE - As dúvidas dos não-cristãos são as mesmas enfrentadas pelos cristãos?
TIM KELLER - É a sociedade que lhe dá as dúvidas. Se você visitar o Oriente Médio e perguntar às pessoas o que torna o cristianismo incerto, eles não dirão: “Porque não pode haver apenas uma religião verdadeira.” Eles dirão: “A razão é o fato de os Estados Unidos, como nação cristã, ser uma nação opressiva. É só olhar para sua cultura: é lasciva e debochada.”
Se você perguntar aos americanos: “O que torna o cristianismo incerto para você?”, eles não dirão: “Sua cultura popular está repleta de sexo e violência.” Eles dirão: “Como pode haver apenas uma religião verdadeira?”
Cristãos estão vivendo a mesma cultura que os ofende e isto é o que torna o cristianismo algo que não é plausível. Se vivessem em outra cultura, estariam sujeitos a outras coisas. Então, provavelmente estão lidando com as mesmas questões intelectuais dos não-cristãos. Mas acho que as questões pessoais são diferentes. Se fossem provenientes de uma comunidade cristã homogênea e entrassem em uma faculdade e seu colega de quarto fosse hindu – alguém que pensa ser fantástico e acha que todos os cristãos são melhores que os hindus – então ficariam confusos.
Acredito que muitos cristãos, por não compreenderem a narrativa da Graça, vivem no mundo e consideram uma jornada muito difícil. Creio que a causa seja a falta de compreensão do Evangelho, e não por não conseguirem responder todas as questões teológicas.
Você rejeita o marketing apologético do tipo “O cristianismo é melhor do que todas as alternativas, portanto escolha o cristianismo”. Por quê?
O Marketing tem a ver com as necessidades. Você identifica as necessidades e então afirma que o cristianismo irá de encontro a essas necessidades. Você tem que adaptá-lo aos questionamentos das pessoas. Se as pessoas perguntam algo, você quer mostrar Jesus como a resposta. Mas, em determinado momento, você irá além dessa questão para outras coisas que o cristianismo diz.
Então Marketing é mostrar como o cristianismo vai de encontro às necessidades, e penso que o Evangelho mostra como o cristianismo é verdadeiro.
C.S.Lewis diz que não devemos crer no cristianismo apenas porque é relevante ou excitante, ou por nos trazer satisfação pessoal. Creia porque é verdadeiro. E se é verdadeiro, eventualmente será relevante, excitante e trará satisfação pessoal. Mas haverá momentos em que não será relevante, excitante e satisfatório. Ser cristão será algo muito difícil. Então, a não ser que você venha ao Evangelho simplesmente porque é realmente a verdade, você não viverá a vida cristã e não experimentará a relevância e muitas outras coisas.
Por que você tem evitado usar argumentos do Intelligent Design em sua apologética?
James Boice foi um grande pregador da Igreja Presbiteriana da Filadélfia anos atrás. Quando ele pregava sobre Gênesis 1, falava sobre o criacionismo, teoria da evolução e o criacionismo progressivo. Ele abordava as lacunas da teoria (que existiriam essencialmente duas criações em qualquer um dos lados da lacuna em Gênesis 1.2). Ele caminhou por todas as teorias compartilhadas por vários cristãos com uma visão apurada do Evangelho e mostrou as fraquezas e os pontos fortes da cada uma dessas teorias.
Ninguém mais faz isso. Ninguém fala que diferentes cristãos podem chegar a diferentes lugares e ao mesmo tempo ter uma visão apurada do Evangelho. Em vez disso, identificam sua conclusão como a mais sábia e dizem que os outros estão se submetendo, vendendo-se ou algo assim.
Na situação atual, identificar-se como favorável a alguma teoria da criação seria tão ruim quanto dizer: “Sou democrata” ou “Sou republicano”, porque as pessoas do outro grupo não irão ouvi-lo e dirão: “Seu Evangelho não é para os republicanos”, “Não é para os democratas”, ou “Não é para mim, pois creio no evolucionismo.”
Então não quero que as pessoas que não creiam no criacionismo sintam que agora não podem ouvir o resto do Evangelho.
Em vez disso, mostro que é positivo refletir antes de decidir se Jesus morreu e ressuscitou. Duas pessoas disseram no Fórum Veritas: “Não consigo crer no cristianismo porque já vi os fósseis.” E eu tentava dizer: “Acreditar no evolucionismo significa que você não acredita que Jesus Cristo ressuscitou da morte?” Um deles disse: “Não, isso não tem nada a ver com isso.” Se ele ressuscitou da morte, então você precisa levar as Escrituras a sério e administrar tudo isso. Se ele não ressuscitou da morte, quem se importa com Gênesis 1.11?
Você ouve muito a frase: “Não creio no cristianismo porque acredito na ciência”?
Sim, ouço muito matemáticos e cientistas falarem isso. Eles têm problemas diferentes com o cristianismo, mais do que os artistas, por exemplo. Artistas sentem que o cristianismo é uma regressão cultural, é um retrocesso, é colocar as mulheres descalças na cozinha. Os matemáticos e cientistas me perguntam: “Se eu acreditar no Evangelho posso ser um cientista?”
Um recente estudo falou sobre a mudança de padrão de crenças nos Estados Unidos. Isso afetou seu ministério?
Esse estudo mostrou que os cristãos moderados atrofiaram, pessoas que são simpáticas ao Evangelho. Agora consideram o cristianismo de forma metafórica. Acreditam que a ressurreição é um simbolismo maravilhoso. Este grupo tem diminuído, conforme o secularismo e a ortodoxia crescem. Então temos uma sociedade polarizada, é isto que falo no primeiro capítulo do meu livro. Então esta pesquisa apenas confirmou o que escrevo no livro.
Acho que o retrocesso é uma das razões para isso. O evangelicalismo ficou tão identificado com os valores conservadores republicanos que muitas pessoas que poderiam ser mais moderadas decidiram que não são religiosas.
Vi isto acontecer em Nova York. São moderados ou liberais politicamente e sentem que o cristianismo ortodoxo está tão identificado com a política conservadora republicana que se distanciaram da fé.
Muitos cristãos dizem que a racionalidade da fé dos cristãos não é um obstáculo para os não-cristãos, rejeitam o cristianismo pelo mau comportamento dos cristãos e suas atitudes tóxicas.
Sempre existirão três razões para que as pessoas creiam ou não: razões intelectuais, pessoais e sociais. É um comportamento típico das pessoas na pós-modernidade dizerem que toda a crença é cultural, condicionada à sua comunidade.
Talvez os cristãos em alguma época pensassem que o amplo evangelismo acontece através de argumentação intelectual, mas agora ouço pessoas dizerem: “Não. Tudo é pessoal. Se você vai ganhar pessoas para Cristo, você precisa ser autêntico. Você tem que os alcançar pessoalmente, e não racionalmente.” Em outras palavras, cristãos estão dizendo que a racionalidade não é parte do evangelismo. O fato é: pessoas são racionais, têm questionamentos e você precisa responder aos questionamentos.
Não fique com a impressão de que penso que o aspecto racional é o que faz você chegar lá. Mas hoje em dia vejo muita ênfase apenas na questão pessoal.
Talvez você saiba que sou um homem de 57 anos. Você diria: “Claro que você diz isto!” Mas conheço profundamente os 20 e poucos anos. Portanto, não é que eu não saiba como as pessoas são hoje em dia.
Quais as mudanças que você vê para o seu ministério?
Penso que o maior desafio é que o Redeemer tem feito muitas coisas para engajar a cidade e ter pessoas ajudando as outras a encontrar Cristo, muitas pessoas conectando-se às necessidades da cidade. A questão é: como você pode ter certeza de que não apenas o DNA específico do ministério da igreja é algo a que as pessoas podem ter acesso? Não temos feito um bom trabalho nisso. Gostamos de ser orgânicos. Dizemos: “Você quer vir e passar um tempo conosco?” Mas se alguém em Hong Kong diz: “Sim, queremos. Nos dê algo”, não temos um caminho eficiente para ir de encontro a isso. Não fiz coisas suficientes no campo da escrita, o que é uma forma de alcançar as pessoas, uma das maneiras de levar este DNA para o mundo. Não temos feito muita coisa no que diz respeito a criar maneiras para que as pessoas possam apenas conhecer e usar. Neste sentido, isto precisa mudar. Além disso, preciso fazer um trabalho melhor do que tenho feito no desenvolvimento de liderança, mentoria e treinamento. Apenas começamos a fazer isso. Ainda é embrionário, mas temos uma paixão real por isso.
O tour de Keller com o livro, organizado pelo Fórum Veritas, atraiu mais de 6 mil pessoas para universidades nos Estados Unidos. Muitos leitores disseram que o livro trouxe respostas satisfatórias a muitas questões que cristãos e não-cristãos geralmente fazem a respeito do cristianismo. A editora-assistente da Christianity Today, Susan Wunderink, conversou com Keller em sua passagem por Chicago.
CRISTIANISMO HOJE - As dúvidas dos não-cristãos são as mesmas enfrentadas pelos cristãos?
TIM KELLER - É a sociedade que lhe dá as dúvidas. Se você visitar o Oriente Médio e perguntar às pessoas o que torna o cristianismo incerto, eles não dirão: “Porque não pode haver apenas uma religião verdadeira.” Eles dirão: “A razão é o fato de os Estados Unidos, como nação cristã, ser uma nação opressiva. É só olhar para sua cultura: é lasciva e debochada.”
Se você perguntar aos americanos: “O que torna o cristianismo incerto para você?”, eles não dirão: “Sua cultura popular está repleta de sexo e violência.” Eles dirão: “Como pode haver apenas uma religião verdadeira?”
Cristãos estão vivendo a mesma cultura que os ofende e isto é o que torna o cristianismo algo que não é plausível. Se vivessem em outra cultura, estariam sujeitos a outras coisas. Então, provavelmente estão lidando com as mesmas questões intelectuais dos não-cristãos. Mas acho que as questões pessoais são diferentes. Se fossem provenientes de uma comunidade cristã homogênea e entrassem em uma faculdade e seu colega de quarto fosse hindu – alguém que pensa ser fantástico e acha que todos os cristãos são melhores que os hindus – então ficariam confusos.
Acredito que muitos cristãos, por não compreenderem a narrativa da Graça, vivem no mundo e consideram uma jornada muito difícil. Creio que a causa seja a falta de compreensão do Evangelho, e não por não conseguirem responder todas as questões teológicas.
Você rejeita o marketing apologético do tipo “O cristianismo é melhor do que todas as alternativas, portanto escolha o cristianismo”. Por quê?
O Marketing tem a ver com as necessidades. Você identifica as necessidades e então afirma que o cristianismo irá de encontro a essas necessidades. Você tem que adaptá-lo aos questionamentos das pessoas. Se as pessoas perguntam algo, você quer mostrar Jesus como a resposta. Mas, em determinado momento, você irá além dessa questão para outras coisas que o cristianismo diz.
Então Marketing é mostrar como o cristianismo vai de encontro às necessidades, e penso que o Evangelho mostra como o cristianismo é verdadeiro.
C.S.Lewis diz que não devemos crer no cristianismo apenas porque é relevante ou excitante, ou por nos trazer satisfação pessoal. Creia porque é verdadeiro. E se é verdadeiro, eventualmente será relevante, excitante e trará satisfação pessoal. Mas haverá momentos em que não será relevante, excitante e satisfatório. Ser cristão será algo muito difícil. Então, a não ser que você venha ao Evangelho simplesmente porque é realmente a verdade, você não viverá a vida cristã e não experimentará a relevância e muitas outras coisas.
Por que você tem evitado usar argumentos do Intelligent Design em sua apologética?
James Boice foi um grande pregador da Igreja Presbiteriana da Filadélfia anos atrás. Quando ele pregava sobre Gênesis 1, falava sobre o criacionismo, teoria da evolução e o criacionismo progressivo. Ele abordava as lacunas da teoria (que existiriam essencialmente duas criações em qualquer um dos lados da lacuna em Gênesis 1.2). Ele caminhou por todas as teorias compartilhadas por vários cristãos com uma visão apurada do Evangelho e mostrou as fraquezas e os pontos fortes da cada uma dessas teorias.
Ninguém mais faz isso. Ninguém fala que diferentes cristãos podem chegar a diferentes lugares e ao mesmo tempo ter uma visão apurada do Evangelho. Em vez disso, identificam sua conclusão como a mais sábia e dizem que os outros estão se submetendo, vendendo-se ou algo assim.
Na situação atual, identificar-se como favorável a alguma teoria da criação seria tão ruim quanto dizer: “Sou democrata” ou “Sou republicano”, porque as pessoas do outro grupo não irão ouvi-lo e dirão: “Seu Evangelho não é para os republicanos”, “Não é para os democratas”, ou “Não é para mim, pois creio no evolucionismo.”
Então não quero que as pessoas que não creiam no criacionismo sintam que agora não podem ouvir o resto do Evangelho.
Em vez disso, mostro que é positivo refletir antes de decidir se Jesus morreu e ressuscitou. Duas pessoas disseram no Fórum Veritas: “Não consigo crer no cristianismo porque já vi os fósseis.” E eu tentava dizer: “Acreditar no evolucionismo significa que você não acredita que Jesus Cristo ressuscitou da morte?” Um deles disse: “Não, isso não tem nada a ver com isso.” Se ele ressuscitou da morte, então você precisa levar as Escrituras a sério e administrar tudo isso. Se ele não ressuscitou da morte, quem se importa com Gênesis 1.11?
Você ouve muito a frase: “Não creio no cristianismo porque acredito na ciência”?
Sim, ouço muito matemáticos e cientistas falarem isso. Eles têm problemas diferentes com o cristianismo, mais do que os artistas, por exemplo. Artistas sentem que o cristianismo é uma regressão cultural, é um retrocesso, é colocar as mulheres descalças na cozinha. Os matemáticos e cientistas me perguntam: “Se eu acreditar no Evangelho posso ser um cientista?”
Um recente estudo falou sobre a mudança de padrão de crenças nos Estados Unidos. Isso afetou seu ministério?
Esse estudo mostrou que os cristãos moderados atrofiaram, pessoas que são simpáticas ao Evangelho. Agora consideram o cristianismo de forma metafórica. Acreditam que a ressurreição é um simbolismo maravilhoso. Este grupo tem diminuído, conforme o secularismo e a ortodoxia crescem. Então temos uma sociedade polarizada, é isto que falo no primeiro capítulo do meu livro. Então esta pesquisa apenas confirmou o que escrevo no livro.
Acho que o retrocesso é uma das razões para isso. O evangelicalismo ficou tão identificado com os valores conservadores republicanos que muitas pessoas que poderiam ser mais moderadas decidiram que não são religiosas.
Vi isto acontecer em Nova York. São moderados ou liberais politicamente e sentem que o cristianismo ortodoxo está tão identificado com a política conservadora republicana que se distanciaram da fé.
Muitos cristãos dizem que a racionalidade da fé dos cristãos não é um obstáculo para os não-cristãos, rejeitam o cristianismo pelo mau comportamento dos cristãos e suas atitudes tóxicas.
Sempre existirão três razões para que as pessoas creiam ou não: razões intelectuais, pessoais e sociais. É um comportamento típico das pessoas na pós-modernidade dizerem que toda a crença é cultural, condicionada à sua comunidade.
Talvez os cristãos em alguma época pensassem que o amplo evangelismo acontece através de argumentação intelectual, mas agora ouço pessoas dizerem: “Não. Tudo é pessoal. Se você vai ganhar pessoas para Cristo, você precisa ser autêntico. Você tem que os alcançar pessoalmente, e não racionalmente.” Em outras palavras, cristãos estão dizendo que a racionalidade não é parte do evangelismo. O fato é: pessoas são racionais, têm questionamentos e você precisa responder aos questionamentos.
Não fique com a impressão de que penso que o aspecto racional é o que faz você chegar lá. Mas hoje em dia vejo muita ênfase apenas na questão pessoal.
Talvez você saiba que sou um homem de 57 anos. Você diria: “Claro que você diz isto!” Mas conheço profundamente os 20 e poucos anos. Portanto, não é que eu não saiba como as pessoas são hoje em dia.
Quais as mudanças que você vê para o seu ministério?
Penso que o maior desafio é que o Redeemer tem feito muitas coisas para engajar a cidade e ter pessoas ajudando as outras a encontrar Cristo, muitas pessoas conectando-se às necessidades da cidade. A questão é: como você pode ter certeza de que não apenas o DNA específico do ministério da igreja é algo a que as pessoas podem ter acesso? Não temos feito um bom trabalho nisso. Gostamos de ser orgânicos. Dizemos: “Você quer vir e passar um tempo conosco?” Mas se alguém em Hong Kong diz: “Sim, queremos. Nos dê algo”, não temos um caminho eficiente para ir de encontro a isso. Não fiz coisas suficientes no campo da escrita, o que é uma forma de alcançar as pessoas, uma das maneiras de levar este DNA para o mundo. Não temos feito muita coisa no que diz respeito a criar maneiras para que as pessoas possam apenas conhecer e usar. Neste sentido, isto precisa mudar. Além disso, preciso fazer um trabalho melhor do que tenho feito no desenvolvimento de liderança, mentoria e treinamento. Apenas começamos a fazer isso. Ainda é embrionário, mas temos uma paixão real por isso.
Fonte: Cristianismo Hoje
sábado, 10 de janeiro de 2009
Bíblia salva a vida de cabeleireiro baleado no Espírito Santo
A bíblia estava no bolso da camisa da vítima. Uma das balas perfurou a capa e várias páginas do Velho Testamento. A outra desviou no livro e atingiu a testa do homem de raspão.
Fonte: Globo News
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Eleições CGADB 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Dízimo -- preceito cristão?
A prática do dízimo é um tema controvertido nas igrejas evangélicas, tendo, de um lado, defensores apaixonados e, do outro, críticos ardorosos. Para alguns, é uma espécie de legalismo judaico preservado na igreja cristã. Para outros, trata-se de uma norma divina que tem valor permanente para o povo de Deus, na antiga e na nova dispensação. Os críticos do dízimo afirmam que sua obrigatoriedade é contrária ao espírito do evangelho, pois Cristo liberta as pessoas das imposições da lei. Os defensores alegam que essa posição é interesseira, porque permite às pessoas se eximirem da responsabilidade de sustentar generosamente a igreja e suas atividades. O grande desafio nessa área é encontrar o equilíbrio entre tais posições divergentes. O que está em jogo é uma questão mais ampla -- o conceito da mordomia cristã, do uso que os cristãos fazem de seus recursos e bens.
Os dados bíblicos
O dízimo (do latim “decimu”) pode ser definido como a prática de dar a décima parte de todos os frutos e rendimentos para o sustento das instituições religiosas e dos seus ministros. Trata-se de um costume antigo e generalizado, sendo encontrado tanto no judaísmo como nas culturas vizinhas do Oriente Médio. Essa prática é claramente estabelecida no Antigo Testamento, sendo até mesmo anterior à lei de Moisés (Gn 14.20; 28.22). O dízimo era devido primariamente a Deus, como expressão de gratidão por suas bênçãos e consagração a ele. Mais tarde, tornou-se um preceito formal na vida religiosa dos hebreus (Lv 27.30-32), sendo destinado especificamente para o sustento dos levitas (Nm 18.21-24). Em Deuteronômio, está associado a uma refeição comunitária festiva e ao auxílio aos necessitados (12.17-19; 14.22-29; 26.12-14). Às vezes era dado liberalmente (2Cr 31.5-6; Ne 10.37-39; 12.44) e em outras ocasiões retido fraudulentamente (Ml 3.8-10).
Nos escritos do Novo Testamento, o dízimo é mencionado explicitamente apenas nos Evangelhos e na epístola aos Hebreus, sempre em relação aos judeus. Jesus aprovou a prática, mas a censurou quando se tornava uma expressão de frio legalismo (Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12; ver Am 4.4). Em Hebreus, é mencionado em conexão com Melquisedeque, uma figura do sacerdócio de Cristo (7.1-10). As epístolas paulinas falam muito sobre ofertas para a comunidade, mas sua ênfase maior é sobre as contribuições voluntárias (2Co 9.6-7). O Novo Testamento não fornece muitas informações sobre o sustento do trabalho regular da igreja. Todavia, as informações disponíveis destacam atitudes como gratidão, fé, amor e generosidade como motivações centrais da mordomia cristã.
O dízimo na história
No início da igreja, a informalidade e a simplicidade das estruturas não exigiam muitos recursos para sua manutenção. Não havia templos nem ministério em tempo integral (muitos líderes eram “fazedores de tendas”, como Paulo). A maior carência estava na área social ou beneficente. Daí a grande ênfase nas ofertas, principalmente em situações de particular necessidade (ver 1Co 16.1-4; 2Co 8.1–9.15). No entanto, o princípio de que a contribuição devia ser marcada pelo desprendimento e liberalidade se manteve, como se pode ver na “Didaquê”, um manual eclesiástico do 2º século: “Tome uma parte do seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, segundo lhe parecer oportuno, e os dê conforme o preceito” (13.7). No final do mesmo século, Irineu de Lião se referiu aos cristãos como aqueles que “separam todas as suas posses para os propósitos do Senhor, entregando de modo alegre e espontâneo as porções não menos valiosas de sua propriedade” (“Contra as heresias” IV.18).
Com o passar do tempo e a crescente institucionalização da igreja, houve a necessidade de uma forma padronizada de contribuição. Com isso, recorreu-se ao precedente bíblico já conhecido e testado por muito tempo -- o dízimo. Ao longo dos séculos, ele se tornou obrigatório -- uma espécie de imposto eclesiástico -- e na época de Carlos Magno passou a integrar a lei civil. No final da Idade Média surgiram abusos quando os dízimos, em certos casos, se tornaram um instrumento para a compra de cargos eclesiásticos (simonia). Houve controvérsias quando as pessoas buscavam fugir ao pagamento dos dízimos enquanto outras tentavam se apropriar desses rendimentos para si mesmas. Os países que tinham igrejas estatais recolhiam os dízimos dos fiéis em troca do sustento da igreja e do pagamento dos salários dos ministros (côngrua). No Brasil colonial, em virtude do sistema conhecido como “padroado”, o dízimo se tornou o principal tributo arrecadado pelo estado português.
Validade atual
A questão que se coloca é a seguinte -- o dízimo é valido hoje em dia para os cristãos? É uma forma legítima de contribuição cristã? São muitos os fatores a serem considerados na busca de uma resposta. Em primeiro lugar, é preciso atentar para o ensino bíblico global sobre o lugar que os bens devem ter na vida do crente. Deus é o senhor e proprietário supremo de todas as coisas. Os seres humanos são mordomos, ou seja, administradores dos recursos e dádivas de Deus. Aqueles que realmente o amam, são gratos por suas bênçãos e querem servi-lo, se sentirão movidos intimamente a contribuir para causas que engrandecem o seu nome. A segunda consideração é pragmática. A igreja é uma associação voluntária. Ela não tem outra fonte estável de sustento a não ser as contribuições dos seus membros. As ofertas ocasionais comprovadamente são insuficientes para atender a todas as necessidades financeiras da comunidade cristã. Torna-se necessário um método de contribuição que seja regular, generoso e proporcional aos recursos dos fiéis.Outro argumento se baseia numa comparação entre Israel e a igreja. Os cristãos entendem que têm recebido bênçãos muito maiores que a antiga nação judaica. O que para esta estava na forma de promessas, para os cristãos são realidades concretas, presentes. A vinda do Messias, sua obra de redenção, seus ensinos e os de seus apóstolos (o Novo Testamento), a dádiva do Espírito Santo e a revelação mais plena da vida futura são exemplos desses grandes benefícios usufruídos plenamente na nova aliança. Daí decorre o seguinte raciocínio: se Deus prescreveu o dízimo para o antigo povo de Israel, seria de se esperar que ele requeresse menos dos cristãos, detentores de maiores dádivas? Portanto, muitos estudiosos concluem que o dízimo deve ser, não o teto da contribuição cristã, mas o piso, o mínimo, o ponto de partida.
Conclusão
A questão do dízimo é tão difícil para muitos cristãos porque toca numa parte sensível da sua vida -- o bolso. Parece excessivo entregar um décimo dos rendimentos para Deus, para a causa de Cristo. Nem todos têm o desprendimento e a generosidade da pobre viúva elogiada por Jesus (Mc 12.41-44). Todavia, o dízimo pode ser uma bênção na experiência do cristão em dois sentidos. Primeiro, como um desafio para a sua vida espiritual. Dar o dízimo pressupõe uma relação de amor, gratidão e compromisso com Deus e com as pessoas que serão beneficiadas com essa contribuição. Em segundo lugar, é também um desafio para a melhor administração da vida financeira. Muitas pessoas têm dificuldade em contribuir para a igreja e suas causas porque são desorganizadas em suas finanças, gastam mais do que podem, não têm um senso de prioridades em seu orçamento. A prática do dízimo produz uma disciplina que beneficia outras áreas da vida. Para aqueles que querem trilhar esse caminho, a sugestão é que comecem a aumentar gradativamente a sua contribuição, até atingir o padrão do Antigo Testamento... e então ir além dele.
• Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de A Caminhada Cristã na História e “Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil”. Artigo publicado na Revista Ultimato
Os dados bíblicos
O dízimo (do latim “decimu”) pode ser definido como a prática de dar a décima parte de todos os frutos e rendimentos para o sustento das instituições religiosas e dos seus ministros. Trata-se de um costume antigo e generalizado, sendo encontrado tanto no judaísmo como nas culturas vizinhas do Oriente Médio. Essa prática é claramente estabelecida no Antigo Testamento, sendo até mesmo anterior à lei de Moisés (Gn 14.20; 28.22). O dízimo era devido primariamente a Deus, como expressão de gratidão por suas bênçãos e consagração a ele. Mais tarde, tornou-se um preceito formal na vida religiosa dos hebreus (Lv 27.30-32), sendo destinado especificamente para o sustento dos levitas (Nm 18.21-24). Em Deuteronômio, está associado a uma refeição comunitária festiva e ao auxílio aos necessitados (12.17-19; 14.22-29; 26.12-14). Às vezes era dado liberalmente (2Cr 31.5-6; Ne 10.37-39; 12.44) e em outras ocasiões retido fraudulentamente (Ml 3.8-10).
Nos escritos do Novo Testamento, o dízimo é mencionado explicitamente apenas nos Evangelhos e na epístola aos Hebreus, sempre em relação aos judeus. Jesus aprovou a prática, mas a censurou quando se tornava uma expressão de frio legalismo (Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12; ver Am 4.4). Em Hebreus, é mencionado em conexão com Melquisedeque, uma figura do sacerdócio de Cristo (7.1-10). As epístolas paulinas falam muito sobre ofertas para a comunidade, mas sua ênfase maior é sobre as contribuições voluntárias (2Co 9.6-7). O Novo Testamento não fornece muitas informações sobre o sustento do trabalho regular da igreja. Todavia, as informações disponíveis destacam atitudes como gratidão, fé, amor e generosidade como motivações centrais da mordomia cristã.
O dízimo na história
No início da igreja, a informalidade e a simplicidade das estruturas não exigiam muitos recursos para sua manutenção. Não havia templos nem ministério em tempo integral (muitos líderes eram “fazedores de tendas”, como Paulo). A maior carência estava na área social ou beneficente. Daí a grande ênfase nas ofertas, principalmente em situações de particular necessidade (ver 1Co 16.1-4; 2Co 8.1–9.15). No entanto, o princípio de que a contribuição devia ser marcada pelo desprendimento e liberalidade se manteve, como se pode ver na “Didaquê”, um manual eclesiástico do 2º século: “Tome uma parte do seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, segundo lhe parecer oportuno, e os dê conforme o preceito” (13.7). No final do mesmo século, Irineu de Lião se referiu aos cristãos como aqueles que “separam todas as suas posses para os propósitos do Senhor, entregando de modo alegre e espontâneo as porções não menos valiosas de sua propriedade” (“Contra as heresias” IV.18).
Com o passar do tempo e a crescente institucionalização da igreja, houve a necessidade de uma forma padronizada de contribuição. Com isso, recorreu-se ao precedente bíblico já conhecido e testado por muito tempo -- o dízimo. Ao longo dos séculos, ele se tornou obrigatório -- uma espécie de imposto eclesiástico -- e na época de Carlos Magno passou a integrar a lei civil. No final da Idade Média surgiram abusos quando os dízimos, em certos casos, se tornaram um instrumento para a compra de cargos eclesiásticos (simonia). Houve controvérsias quando as pessoas buscavam fugir ao pagamento dos dízimos enquanto outras tentavam se apropriar desses rendimentos para si mesmas. Os países que tinham igrejas estatais recolhiam os dízimos dos fiéis em troca do sustento da igreja e do pagamento dos salários dos ministros (côngrua). No Brasil colonial, em virtude do sistema conhecido como “padroado”, o dízimo se tornou o principal tributo arrecadado pelo estado português.
Validade atual
A questão que se coloca é a seguinte -- o dízimo é valido hoje em dia para os cristãos? É uma forma legítima de contribuição cristã? São muitos os fatores a serem considerados na busca de uma resposta. Em primeiro lugar, é preciso atentar para o ensino bíblico global sobre o lugar que os bens devem ter na vida do crente. Deus é o senhor e proprietário supremo de todas as coisas. Os seres humanos são mordomos, ou seja, administradores dos recursos e dádivas de Deus. Aqueles que realmente o amam, são gratos por suas bênçãos e querem servi-lo, se sentirão movidos intimamente a contribuir para causas que engrandecem o seu nome. A segunda consideração é pragmática. A igreja é uma associação voluntária. Ela não tem outra fonte estável de sustento a não ser as contribuições dos seus membros. As ofertas ocasionais comprovadamente são insuficientes para atender a todas as necessidades financeiras da comunidade cristã. Torna-se necessário um método de contribuição que seja regular, generoso e proporcional aos recursos dos fiéis.Outro argumento se baseia numa comparação entre Israel e a igreja. Os cristãos entendem que têm recebido bênçãos muito maiores que a antiga nação judaica. O que para esta estava na forma de promessas, para os cristãos são realidades concretas, presentes. A vinda do Messias, sua obra de redenção, seus ensinos e os de seus apóstolos (o Novo Testamento), a dádiva do Espírito Santo e a revelação mais plena da vida futura são exemplos desses grandes benefícios usufruídos plenamente na nova aliança. Daí decorre o seguinte raciocínio: se Deus prescreveu o dízimo para o antigo povo de Israel, seria de se esperar que ele requeresse menos dos cristãos, detentores de maiores dádivas? Portanto, muitos estudiosos concluem que o dízimo deve ser, não o teto da contribuição cristã, mas o piso, o mínimo, o ponto de partida.
Conclusão
A questão do dízimo é tão difícil para muitos cristãos porque toca numa parte sensível da sua vida -- o bolso. Parece excessivo entregar um décimo dos rendimentos para Deus, para a causa de Cristo. Nem todos têm o desprendimento e a generosidade da pobre viúva elogiada por Jesus (Mc 12.41-44). Todavia, o dízimo pode ser uma bênção na experiência do cristão em dois sentidos. Primeiro, como um desafio para a sua vida espiritual. Dar o dízimo pressupõe uma relação de amor, gratidão e compromisso com Deus e com as pessoas que serão beneficiadas com essa contribuição. Em segundo lugar, é também um desafio para a melhor administração da vida financeira. Muitas pessoas têm dificuldade em contribuir para a igreja e suas causas porque são desorganizadas em suas finanças, gastam mais do que podem, não têm um senso de prioridades em seu orçamento. A prática do dízimo produz uma disciplina que beneficia outras áreas da vida. Para aqueles que querem trilhar esse caminho, a sugestão é que comecem a aumentar gradativamente a sua contribuição, até atingir o padrão do Antigo Testamento... e então ir além dele.
• Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de A Caminhada Cristã na História e “Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil”. Artigo publicado na Revista Ultimato
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Por quais razões Malaquias cap. 3 vers. 10 não deve ser aplicado à Igreja?
Por Altair Germano
1. O livro do profeta Malaquias foi escrito especificamente para o povo de Israel. Sua mensagem profética tem a sua razão e o seu lugar próprio no tempo, e no espaço
"Sentença pronunciada pelo Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias." (Ml 1.1)
"Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao Senhor justas ofertas. Então, a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR, como nos dias antigos e como nos primeiros anos." (Ml 3.3)
"Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ófilhos de Jacó, não sois consumidos." (Ml 3.6)
Afirmar que as profecias e as orientações específicas de Malaquias se aplicam "literalmente" à Igreja, é uma atitude que implica na quebra de princípios básicos, sérios e confiáveis que norteiam uma interpretação gramático-histórica da Bíblia;
"[...] os princípios do sistema gramático-histórico de interpretação, que surgiram em antioquia pela primeira vez como princípios pensados e conscientes, representam o modelo de interpretação que mais bem corresponde aos pressupostos do Cristianismo histórico quanto à natureza das Escrituras" (Nicodemus, 2004, p. 256)
Bentho (2003, p. 69-71) diz que a função da hermenêutica e exegese bíblica, dentre outras, é compreender o sentido do texto dentro de seu ambiente histórico-cultural e léxico-sintático. Qualquer interpretação que tenta forçar o texto a dizer o que não diz, seja de forma voluntária ou involuntária, com base em pressupostos ou premissas previamente estabelecidos pelo intérprete, que ignora o contexto sob pretexto ideológico, que ignora a mensagem e o propósito principal do livro e que não analisa o texto à luz de outros, não deve ser confiável.
2. A mensagem de Malaquias está fundamentada na necessidade de se observar o cumprimento da Lei do Senhor, prescrita para o povo de Israel
"Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe para todo o Israel, a saber, Estatutos e juízos." (Ml 4.4)
Não vivemos sob a Lei de Moisés:
"Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo". (Gl 2.19)
"Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar seus preceitos por eles viverá" (Gl 3.12)
"Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão" (Gl 5.1)
3. Os que se utilizam de Ml 3.10, acabam por incorrer na alegorese, ou seja, no abuso de uma interpretação fundamentada na escola alegórica.
"Quem alegoriza fala ou escreve sobre alguma coisa por intermédio de outra, procurando desvendar sentidos simbólicos, espirituais ou ocultos. [...] De acordo com o método alegórico, o sentido literal e histórico das Escrituras é completamente desprezado, e cada palavra e acontecimento são transformados em alegoria de algum tipo, a fim de escapar de dificuldades teológicas ou para sustentar certas crenças estranhas e alheias ao texto bíblico. Assim, não interpreta o texto bíblico, mas perverte o verdadeiro sentido deles, embora sob o pretexto de buscar um sentido mais profundo ou mais espiritual" (Idem, 2003, p. 124)
O uso claro de alegorese em Ml 3.10, é afirmar que a "casa do tesouro" e a "minha casa", citadas no texto se aplicam aos templos cristãos. É equivocado também declarar, que as maldições ali citadas, virão também sobre os crentes. Vale lembrar as palavras de Paulo em Atos 17.24 "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas."
Muitos se utilizam do texto de Ml 3.7-11, tirando-o do seu contexto, para colocar a "faca no pescoço dos simples", amedrontando-os com maldições ou acusando-os de ladrões, no que diz respeito a prática do dízimo. Volto a declarar que a Bíblia não deve ser interpretada segundo as nossas conveniências.
Compreendo ainda pela Palavra, que na Igreja, o dízimo não deve ter a sua prática incentivada a partir de Malaquias, mas sim, a partir de Abraão (Gn 14.18-20) e Jacó (28.18-22) que contribuíram voluntariamente, livre de qualquer preceito legal, sem medo de qualquer punição ou castigo, sendo unicamente movidos por pura adoração em reconhecimento àquele que provê todas as coisas.
As bases motivadoras e punitivas que norteiam as contribuições financeiras na Igreja, estão prescritas em 2 Co 9.6-15
"E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiçapermanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus. Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus, visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos, enquanto oram eles a vosso favor, com grande afeto, em virtude da superabundante graça de Deus que há em vós. Graças a Deus pelo seu dom inefável!"
Dizimar e contribuir com outras ofertas, não pode ser encarado por cristãos como um fardo ou jugo da lei. Deve sim, ser percebido como um privilégio e como um ato livre e amoroso que reconhece em Deus o sustentator, provedor e criador de todas as coisas.
Bibliografia
BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e descomplicada: como interpretar a Bíblia de maneira prática e eficaz. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e seus intérpretes: uma breve história da interpretação. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
SCHOLZ, Vilson. Princípios de interpretação Bíblica: introdução à hermenêutica com ênfase em gêneros literários. Canoas-RS: Ulbra, 2006.
STUART, Douglas; FEE, Gordon D. Manual de exegese bíblica: Antigo e novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2008.
http://www.bibliaonline.net. Acessado em 18/05/2008 às 10h25m
Fonte: Blog do Altair Germano
‘Devemos abrir os olhos para orar’
Para o teólogo Jürgen Moltmann, a esperança precisa ser exercitada para causar efeitos nos dias de hojeDo alto de seus 82 anos de vida, o escritor, pastor e professor Jürgen Moltmann concedeu uma entrevista a CRISTIANISMO HOJE durante esta sua segunda – e, provavelmente, última – estada no país. Ele falou aos participantes de um congresso de teologia e lançou o livro Testamento teológico para a América Latina.
CRISTIANISMO HOJE – O senhor diz que esta sua viagem ao Brasil é a apresentação de seu “testamento teológico” para a América Latina. Qual seria a principal herança de sua obra? JüRGEN MOLTMANN – O debate sobre a esperança. Precisamos de fé, esperança e amor; mas destaco que é necessário aplicar a esperança não somente na eternidade, mas também exercitá-la para que cause efeitos nos dias de hoje. A maioria dos cristãos está aguardando o céu, e não uma nova Terra, de onde brote justiça.
Essa é sua proposta a partir do livro Teologia da Esperança: uma abordagem da esperança que fuja ao sentimento de resignação. Então, ela é uma força capaz de transformar o mundo? Exatamente. Nos tempos em que vivemos, presenciamos milagres e sinais, certamente não feitos por teólogos, mas por Deus. Acompanhamos o fim do appartheid na África do Sul e muitas outras revoluções democráticas que deixaram para trás formas de ditadura política e militar. Agora, estamos acompanhando a queda do capitalismo, tendo a oportunidade para viver em um mundo mais livre e justo. A maioria dos crentes pensa que espiritualidade é orar; porém, no Novo Testamento, aprendemos que é preciso orar e vigiar. Precisamos de uma espiritualidade dotada de sentidos – ou seja, em uma forma bem figurativa, ao invés de fechar os olhos, temos de abri-los para orar. Uma Igreja desconectada do cotidiano não tem futuro, só passado. O senhor acha que a crise atual é a derrocada do capitalismo, assim como o colapso do socialismo no fim dos anos 1980? Bem, não estou satisfeito com esse capitalismo. Espero que consigamos pôr em prática um capitalismo mais social, ou seja, um capitalismo em que o Estado regule de forma mais efetiva a economia. Há um bom tempo, a Alemanha vem tentando fazer isso: desenvolver uma economia social e ecológica, para que o mercado seja para o ser humano e o ser humano não seja sacrificado pelo mercado.
Isso tudo está relacionado à Teologia Política, ou Teologia Pública, que o senhor inaugurou e sempre destacou? Sim. Isso inclui refletir o aspecto público e a justiça no Reino de Deus. A teologia pública é a política pensada teologicamente e a teologia na abordagem política; por outro lado, também é a cultura num aspecto teológico e a teologia sob o aspecto cultural. Ou seja, a teologia dialoga com a Igreja e a Igreja dialoga com a teologia. Porém, o futuro da Igreja e da teologia é o Reino de Deus, e isso tem de ser o centro de tudo. Estamos numa globalização sem globo, ou seja, a Terra não tem voz nem vez nesse processo. Precisamos de uma nova política da Terra, uma nova economia da Terra, isto é, uma nova ligação com o organismo vivo que a Terra representa.
Logo, a atuação do teólogo vai muito além da Igreja... Claro que sim! Eu, por exemplo, já fui convidado para ser teólogo em uma faculdade de medicina.
O senhor enfatiza muito a questão de um suposto sofrimento de Deus. Qual é o valor da cruz e da morte de Cristo para Deus nessa linha de pensamento? Deus sofre para estar próximo de todos os que sofrem por solidariedade e amor. Cristo deixou tudo para procurar aqueles que foram deixados por todos. É a nova forma de uma cristologia de solidariedade – e, como a maioria das pessoas são vítimas e não opressores, precisamos de uma cristologia que pronuncie claramente que Cristo está ao lado das vítimas e que Deus fará justiça.
Paulo Freire, famoso educador brasileiro, dizia que “ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho. Os homens se libertam em comunhão”. Esta frase, refeita de acordo com a sua teologia, talvez ficasse algo assim: “Ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho. O homem se liberta na comunhão cristã que experimenta Deus no outro”. É nisso que o senhor acredita? Isso me lembra Dostoiévski, que dizia que “o ser humano deve se libertar por conta própria”. Passei pela experiência de ser um prisioneiro de guerra por três longos anos e fui liberto por Cristo. Não tive condição de libertar-me a mim mesmo. Paulo Freire tem uma posição humanista. Eu sou um teólogo cristão, apesar de contra a minha própria vontade, pois queria estudar Física e Matemática. Mas eu respeito os humanistas que querem se libertar por conta própria.
Então é possível crer em Deus após Auschwitz? Sem dúvida. O texto O Deus crucificado é minha resposta a Auschwitz e ao horror que vivi na guerra. A minha pergunta é: em quem se deve crer depois de Auschwitz, senão em Deus?
A Teologia da Libertação teve muita força aqui na América Latina, mas o senhor foi um dos poucos teólogos europeus a dialogar com essa teologia. Enfrentou muitas reações por isso? A maioria dos colegas não abraçou a Teologia da Libertação simplesmente porque eram ocupados e preocupados demais com suas teologias denominacionais e confessionais. Não lhes sobrava tempo para dialogar com o mundo, com as teologias ecumênicas e tudo o mais que acontecia ao redor. A resposta mais infame que já escutei sobre isso foi algo como “a teologia feminista é para a mulher, e a teologia negra é para os negros”. Eles não aceitavam o desafio que o outro pode trazer para o diálogo, aprofundando a sua própria teologia.
O que dizer acerca do fundamentalismo? Os fundamentalistas nas igrejas protestantes deveriam ler e estudar a Bíblia e tentar entender o que temos de viver. Os bispos do Opus Dei deveriam ler os textos do Concílio Vaticano II. Eles estão esquecendo daquele legado, e isso é uma vergonha! E também é uma vergonha que os protestantes estejam lendo a Bíblia como se fosse o Corão. Deus se tornou em Cristo não um livro, mas sim, um ser humano. Por outro lado, os fundamentalistas também são seres humanos e precisam ser acolhidos, assim como as crianças, que não podem crescer sem o amor e respeito dos seus próprios pais. Eu não aconselho falar com fundamentalistas sobre o fundamentalismo, mas sobre experiências de vida e de como eles administraram os sofrimentos, desafios etc.
O senhor foi colega de docência do teólogo alemão Joseph Ratzinger, hoje o papa Bento XVI. Conte sobre essa experiência. Ratzinger passou por uma experiência traumática em 1968, época da revolução estudantil. Na época, ele passou por um medo apocalíptico, com uma idéia fixa no diabo – destaco que ele escreveu isso em sua biografia, portanto não se trata de difamação. E desde então, ele tenta combater o marxismo ateísta. Só que esse marximo não existe mais na Europa. Na sua última encíclica, a da Esperança, ele gastou três páginas para matar o marxismo. E eu lhe escrevi uma carta dizendo: “Você matou um cadáver”. É por isso que Bento XVI persegue tanto os teólogos da libertação, porque, segundo sua concepção, isso se trata de marxismo. Gente como Jon Sobrinho e Leonardo Boff não são marxistas, isso é uma besteira!
E o que o senhor pensa sobre o papado? Não o considero uma instituição evangélica.
Quais os seus livros prediletos? A Bíblia, especialmente o Antigo Testamento; O princípio da esperança, de Ernst Bloch; e A dogmática da Igreja, de Karl Barth. Mas este último tem cerca de 8 mil páginas... [risos].
A despeito de todos os adjetivos que lhe devotam, como o senhor gostaria de ser lembrado? Sou apenas um simples cristão que busca entender sua fé. Nada além disso.
Fonte: Revista Cristianismo Hoje
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Prefiro o Jesus antigo!
Um "grande escritor português disse recentemente que a Bíblia é um livro ruim e que não deve ser lido. Bobagens desse tipo, cheias de glamour, são repetidas ao sabor da ignorância comum. Mas devemos ter paciência com ele, afinal ninguém precisa entender de tudo.
Mesmo em pessoas inteligentes, Deus se mistura com todo tipo de trauma infantil ou raiva do pai ou da mãe ou do patrão.
Muita gente grande fica com cara de criança brava e mal amada quando se fala de Deus. No fundo é a velha carência humana gritando contra a indiferença cósmica se revelando em "crítica a Deus" e não em "fé em Deus", como diriam os nietzschianos de plantão. Outro erro comum: Deus faz os homens matarem. Mentira: matamos porque gostamos de matar. O século 20 provou de modo cansativo que Deus não é necessário para matarmos milhares de pessoas, basta uma "boa causa".
A teologia feminista diz que "a Deusa" existe para punir o patriarcalismo. A teologia bicha (Queer Theology) se pergunta: por que Jesus viveu entre rapazes, hein? Alguns latino-americanos vêem Nele um primeiro Che, hippies viam um primeiro Lennon, outros, um consultor de sucesso financeiro. Ufólogos espíritas dizem ser Ele um extraterrestre carinhoso.
Prefiro o cristianismo antigo (prefiro sempre as religiões velhas). Um Deus que sente dor e morre por amor a quem não merece é um maravilhoso escândalo ético. O Cristo antigo é um clássico. Melhor do que essas invenções da indústria teológica de vanguarda, feitas para o consumo moderno".
Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo.
Mesmo em pessoas inteligentes, Deus se mistura com todo tipo de trauma infantil ou raiva do pai ou da mãe ou do patrão.
Muita gente grande fica com cara de criança brava e mal amada quando se fala de Deus. No fundo é a velha carência humana gritando contra a indiferença cósmica se revelando em "crítica a Deus" e não em "fé em Deus", como diriam os nietzschianos de plantão. Outro erro comum: Deus faz os homens matarem. Mentira: matamos porque gostamos de matar. O século 20 provou de modo cansativo que Deus não é necessário para matarmos milhares de pessoas, basta uma "boa causa".
A teologia feminista diz que "a Deusa" existe para punir o patriarcalismo. A teologia bicha (Queer Theology) se pergunta: por que Jesus viveu entre rapazes, hein? Alguns latino-americanos vêem Nele um primeiro Che, hippies viam um primeiro Lennon, outros, um consultor de sucesso financeiro. Ufólogos espíritas dizem ser Ele um extraterrestre carinhoso.
Prefiro o cristianismo antigo (prefiro sempre as religiões velhas). Um Deus que sente dor e morre por amor a quem não merece é um maravilhoso escândalo ético. O Cristo antigo é um clássico. Melhor do que essas invenções da indústria teológica de vanguarda, feitas para o consumo moderno".
Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo.
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